Sexta-feira, 23
No Instituto de Identificação na rua 14 de julho, a expectativa angustiante de tirar o CIN(Carteira de Identidade Nacional) ou o antigo RG, a velha carteira de identidade para poder dar a entrada no BPC(Benefício de Prestação Continuada) da previdência social. – a dança das cadeiras serpenteando até a ponta e ser chamado: O próximo!
Graças a Deus deu tudo certo, recebo a nova na terça-feira – não foi preciso a guia de isenção e nem a droga do agendamento – o entrevero maior foi a assinatura e tirar as impressões digitais – tentamos várias vezes, o mouse desconectou-se, eu suando frio, pensando que haveria outros problemas como a queda do sistema ou da energia. Para mim tudo pode ocorrer – Mas o bom Deus estava no comando. Apanhei um ônibus lotado e fui em pé até a frente do terminal da Praia Grande onde desci – dei um rolê pelas ruas, praças e avenidas do centro. Quando vi a fila, deu-me vontade de recuar, mas eu “estava agendado” para as nove, mas se não fosse a minha astuciosidade em entrosar-me na fila dos idosos e seguir a corrente, acredito que não conseguiria. Mas tudo bem, deu certo -
Duas horas depois descia o Beco da Bosta descambando no Anel Viario de volta onde desci, através a avenida e quase fui atropelado por um apressadinho. Como de praxe encostei na Banca de Loura em frente a entrada do terminal e fiquei paquerando os livros – encontrei um interessante a biografia romanceada do diretor italiano Pier Paolo Pasolini, mas acima das minhas poses, então catei na promoção de um é três e dois são cinco – “Calila e Dimna” de Ibn Al-Mukafa e para o meu deleite “Poemas Completos de Alberto Caiero” um dos heterônimos do mestre português que tanto admiro Fernando Pessoa. Ganhei meu dia – e comecei com o antológico “Guardador de Rebanhos” – maravilha – finalmente posso dizer que tenho um Pessoa- Caiero – durante todo o trajeto de lá para Vila Embratel vim me deliciando com o mestre.
Na pensão mudei de roupa, tomei um café com um pão dormido de ontem e com “Calila e Dimna” desci para oficina e comecei a lê-lo – são pequenas fabulas com animais – dizem que foi o livro predileto de Napoleão no seu exilio na ilha de Santa Helena, a sua ultima morada. Depois do almoço, o resto de um churrasco que o sr. Vince me deu, voltei ao mestre Gogol e suas “Almas Mortas”.