Poemas : 

Há quedas sem chão...

 


Chão que já não é. Caminho que fora.

Quedas elíticas, quasi virtuais, reais e duras, ou moles pelo valor, cor de pêssego, em trajetória indigna e indignada, simplória diria o Ega, chamadas às escuras cinzentas, já com brancas, a envelhecer, a dobrar, a chorar pelos anos passados, a bordar coelhos e ursos a cores, pelos anos futuros, onde não haverá linhas.
Por agora.
Pela vertigem.
Pela descida que impulsiona a rápida subida
sem chão.






I got that feeling
That bad feeling that you don't know
(Massive Attack)

Inspirado numa imagem publicada no Instagram de deixeestar_page.
 
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Beatrix
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 24/01/2026 22:51  Atualizado: 25/01/2026 22:37
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 Re: Há quedas sem chão...
Há imagens muito inspiradoras.
A metáfora com que começa tem bastante engenho.

Há ações que escolhemos não repetir, ou escolhem por nós.

Por vezes somos surpreendidos.
Ou seja, perdemos o chão.
E a sensação de vazio, ou do poço sem fundo (por exemplo) ainda acentua a "vertigem" da queda.
Que violento.

A forma divide-se entre a prosa poética, além de se visualizarem versos sem rima, mas bem urdidos.
A métrica muito mais curta nos últimos versos também dão a ideia de queda.

Bom reler-te neste registo.

Abraço

Enviado por Tópico
Benjamin Pó
Publicado: 26/01/2026 14:07  Atualizado: 26/01/2026 14:08
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 Há quedas sem chão... p/ Beatrix
.
Às vezes, é com os pés bem assentes no chão que sentimos as maiores vertigens.

Uma sensação um pouco semelhante à da letra desta fabulosa canção dos The Divine Comedy.

Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 31/01/2026 09:18  Atualizado: 31/01/2026 09:18
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 Re: Há quedas sem chão... p/ Beatrix
A forma abstracta como o escreves dá-lhe chão, uma espiral vertiginosa sem termo que, quando acaba, recomeça noutra espiral, também ela vertiginosa, mas regressiva. O movimento da ideia que se repete desigual e equilibrada transfigura a pretensa loucura de quem escreve, mas principalmente de quem lê.

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