Poemas : 

mote, nulo

 
Já não aguardo, nem espero, o mote.
Toma a minha pena a iniciativa
como se fosse ela coisa viva
e tenho pena que ela a adote.

A aguardança, sem que eu note,
escondeu-se, num jogo, altiva,
e fica assim, só, até se tornar ativa.
Espera um beijo de amor, lingote.

Sai à rua um soneto de guerra.
Nasce sem mãe, sem família, nem pai,
gerado e não criado – divino.

Como coisa humana, logo, que erra,
este soneto sem outro antes sai.
O seu mote, nulo, nem o imagino.


por cheiramázedo

in Dez Sonetos da Guerra na Crimeia por partes


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

Excepção:
Decidi, há uns tempos, comentar poemas, que eu considerasse de guerra, com sonetos.
Decidi assinar esses comentários com o meu alter-coiso cheiramázedo, porque achei que seria esse o espírito com que os iria escrever, meio truculento.

Tendo em conta que a guerra em curso na Ucrânia anda meio esquecida, e ninguém considera a acção do ICE nos EUA uma guerra civil, decidi publicar este soneto na secção de poemas.

Pode ser que o outro estúpido o comente, completando assim a minha quasi loucura...
lol
 
Autor
Rogério Beça
 
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