Quando o mundo pesa nos ombros
e a noite parece não ter fim
quando o vento frio da perda
atravessa a alma assim
há algo que insiste
pequeno como chama em brasa
mas firme como raiz antiga
que rompe o chão e não se arrasa
é a esperança
Ela não grita
não vence pela força
não impede a tempestade
mas ensina o coração a ficar
E quando tudo é cinza e ruína
quando os sonhos parecem pó
surge o amor, silencioso
segurando o que restou de nós
Amor que costura feridas
com mãos invisíveis e pacientes
que transforma lágrimas em rios
capazes de seguir em frente
Amor que é abrigo no inverno
que é pão repartido na escassez
que é presença quando tudo falta
que é recomeço outra vez
Porque enquanto houver alguém
que estenda a mão na escuridão
enquanto um coração disser “fica”
e outro responder “não solto”
haverá sempre amanhã
E mesmo trêmula
mesmo ferida
mesmo pequena
a esperança florescerá
no solo mais improvável
alimentada pela força indestrutível...
...do amor.
Mário Margaride
Adoro a poesia. E tal como um pássaro, voo nas asas das palavras, no patamar do meu sentir, e das minhas emoções.