Terça-feira, 24
Madrugada insone
Depois da hercúlea tarefa comprida, vivendo um pre sonho e assumindo-me com escritor, que envia uma manuscrito (digitado) para uma editora – interceptado por uma manadinha de sete reses (bois, vacas e bezerros) famintos correndo em direção a lixeira do canto da praça Sete Palmeiras e no finalzinho da tarde depois de uma boa barrigada, vinha tranquilo sonhando com a sacola de pães nosso cada noite, entrou na rua 16 e uma viatura da PM vem subindo no sentido contrario, para, dar de ré e estaciona em frente a casados Aldrins – E eu na calçada, passo por ela e no final sou abordado pela guarnição – um jovem sargento gentil e uma PM e então começou o interrogatório de sempre – Nome? Onde moro? E etc. Sempre com o celular na mão.
O Sr. mora aqui nessa rua? - Acenei que sim – Estamos procurando por este sujeito – me mostra a foto do fito cuja – E ele tem um leve semelhança com o sr. – repetiu novamente as perguntas e qual era o meu nome:
- Raimundo Nonato Rodrigues – disse calmamente – E esse cara ai é mais feio do que eu. – comentei.
A PMA sorriu, assim como o gentil e jovem sargento.
- O sr. já foi preso ou responde algum processo?
- De jeito nenhum, autoridade.
Da mureta do terraço na pensão, o filho e o neto da senhoria observavam aturdidos aquela cena tipicamente kafkiana.
- Nome da sua mãe?
-Respondi escandindo as palavras duas vezes.
- Ok, tudo bem, não é o senhor mesmo – desculparam e arrancaram-se bruscamente com a viatura.
E eu fiquei com cara de tacho, ainda bem que quase não havia movimento. de transeuntes. Voltei para a pensão, sob os olhares suspeitos do neto e do filho da sra. Vince.
- O que eles queriam contigo? Perguntou nervosamente a sra. Vince.
- Me confundiram com um meliante qualquer – respondi guardando a sacola com pães no armário de aço na copa-cozinha entrei nos meus humildes aposentos para mudar de roupa.
Ora vejam, ainda bem que o sargento não fora truculento e nem agressivo, como aquele de Alcântara que dera um flagrante no poeta por porte de maconha e o quebrou no pau com dois picuchinhas da aeronáutica. Mas a merda fora derramada e a primeira impressão que fica e quem olhou a deprimente cena deve ter comentado:
- Deram uma dura naquele barbudo da rua 16.. com certeza era diamba.
Manhã – dormi as quatro e acordei uma hora depois com cincoenta centavos no bolso e a esperança de que Deus vai operar conforme a sua vontade.
Mais tarde – na parada em frente aos Correios da Areinha (que vai se mudar para a rua São Pantaleão) – Missão II comprida – a carta registrada com aviso de recepção a caminho de São Paulo com meu sonho dentro.
Deu tudo certo – é maravilhoso quando Ele opera – Recebi o recurso na Caixa Economica da João Lisboa, sem atropelo e nem suspense, mas antes assiti o final da missa na Igreja do Carmo. Comprei na banca de Dona loura em frente ao terminal da Praia Grande dois livros – “A Solidão segundo Hemingway, McCullers, Bradbury, Kafka e Luis Borges” e o “Pai Branco” do húngaro Györdy Dragomen.
DE volta a vila Embratel, quitei-me com todos, começando com a parte do leão da sra. Vince – Cumpadre, Lasierra, Gordilho – faltou Ed Paul, hoje é seu dia de folga.
Um bom almoço preparado pelo próprio poeta – um cozido de almôndegas com repolho, cebola e legumes em conserva, dois ovos e o sazon. Comeu assistindo o jornal Hoje – a nevasca de Nova York, o aniversário da guerra idiota de Rússia e ucrânia e o estado de prontidão em Guadalara. E capitulou para ler o húngaro, o resto era as mesma noticias de sempre. Na volta, dentro do ônibus, sentiu-se no espirito de Martin Eden, o alter-ego do mestre Jack London, que lutou incessantemente até atingi os seus objetivos publicar seus livros.