Poemas -> Reflexão : 

Apologia ao conhecimento VI

 
Apologia ao conhecimento VI
 
O conhecimento não respondeu
À pergunta sobre o sentido.
Ele apenas mostrou
Que a pergunta
Era tudo o que havia.

Existir passou a ser um peso consciente.
Antes eu vivia.
Depois,
Passei a saber
Que estava vivendo.

Não encontrei essência,
Nem plano oculto,
Nem mão guiando o caos.
Encontrei apenas
A mim mesmo
Responsável por cada passo.

Pensar foi perceber
Que ninguém virá corrigir o erro,
Que não há ensaio geral,
E que o silêncio do mundo
Não é castigo, é condição.

A liberdade não apareceu como dádiva.
Veio como vertigem.
Escolher tornou-se trágico
Porque toda escolha
Enterra outras vidas possíveis.

O conhecimento não me deu identidade.
Arrancou as que eu usava.
Restou esse eu inacabado,
Obrigado a se inventar
Sem garantias.

Há dias em que existir
Parece um argumento frágil,
Sustentado apenas
Pela recusa de desistir.

Compreendi que o absurdo
Não é um problema a resolver,
Mas um espaço a habitar
Com alguma dignidade.

O pensamento não me salvou do vazio.
Apenas me ensinou
Que o vazio não é exceção,
É o cenário.

E ainda assim, acordo.
Escolho.
Sigo.
Não porque faça sentido,
Mas porque existir,
Mesmo sem resposta,
É o único gesto
Que ainda me pertence.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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