Querem calar-me!
Mas eu não sei se sou capaz!
Grande é a dor que sem dó, está a quebrar-me…
Mas eu calo-me, enquanto tudo se desfaz!
Por dentro sou cacos, vidros partidos…
Sou invisível nesta sociedade cega!
Sou o caos, nevoeiro cerrado, sou tempos esquecidos!
Tudo é pesado, muito pesa o que minha alma hoje carrega!
Por dentro já não sinto valor,
O cansaço, aumenta a cada dia que passa.
Já não sei mais se existe ou o que é o amor!
Não sei quem sou, sou uma desgraça!
Tentam fazer-me pensar que sou incrível,
Ecoam nos meus ouvidos palavras bonitas, poéticas e deslumbrantes…
Mas eu continuo inacessível…
Não me sinto como antes!
Talvez porque o espaço em mim é vazio, pior que deserto
Por dentro é só escuridão…
Não consigo encontrar luz perto
Está doente o meu coração!
Com ele, minha alma manchada de dor!
Quero ir embora, agora.
Ninguém se vai lembrar se me for.
Ninguém saberá que me fui embora
A dor pretendo terminar…
Cansada estou de me arrastar, de sofrer…
Eu não quero minha vida findar
Quero a cura, só quero poder voltar a viver!
Anabela Barbosa Antunes