não conto mais o tempo
há um deslocamento
lento quase sem ruído
o corpo muda de margem
sem aviso
o sangue hesita
ainda cumpre
mas sem a mesma fé
isso
não responde
às vezes penso
que fui deixada aqui
por uma mulher de antes
uma que ardia sem medida
outra
permanece
retiram de mim o excesso
e fica
um osso
um resto
em estado de quase
não nomeio
porque nome dado
apodrece
dentro
morre
e
nasce
com fome