A indelicadeza que vos trago
É não mais que uma lágrima
Que derramei pelo peito fora
Num tal abraço onde amago
Segredos da verdade íntima
Que s'morre tão lenta agora
Sois como outrora covarde
Mestre d'um verbo chicote
Que m'verdasca pelo olhar
E esculpia com dor qu'arde
Na pele vestida de iscariote
Amor que leva o sal do mar
E eu aqui alvo e crucificado
Na cegueira d'olhos vossos
Vivo e sobrevivo a tal sorte
À pena que m'escreve fado
E despia da carne os ossos
Nesta hora de infeliz morte
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma