Poemas : 

Ousadia (173ª Poesia de um Canalha)

 
Pouco me importa saber como eles te chamam
Ou como se contornaram essas curvas mortais
Que te dão ao corpo a quimera que me devora
Pouco importa ser metade d'uns que me leiam
Ou tosco posfácio de obras completas surreais
Que te folheia páginas dess'amor morto agora

Sentia saudades sem saber qual o seu sabor
Ao que sabia um doce beijo feito de abraços
Ou um passo falso que faltasse para estar aí
Contigo só dizendo tudo o que mais traz dor
Sem curtas interrogações de longos espaços
Que t'digam a palavra triste com que me traí

Fiz-me letra de um verbo de contornos crus
Verso d'poema amarrotado preso na mente
E por fim flor num jardim a lápides de ferro
Fui nada ou quase chaga dos teus olhos nus
Cerrados por retalhos dum vento indiferente
Mãos gretadas tingidas de almas qu'enterro


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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