
Feliz por Inteiro
Eu busquei a poesia nas mortes em Gaza:
homens, mulheres, crianças em covas rasas.
Que Deus é este que mata e tudo arrasa?
É pomba branca que morre sem suas asas?
A poesia diz que a verdade se cristaliza
entre os escombros desta terra arrasada;
não exclui o homem e suas destemperanças,
prevalece a distância da palavra que agoniza.
E também pode estar escondida no silêncio,
nos sofrimentos e lamentos dos aflitos;
a melancolia é um atributo do mundo,
e a poesia nada tem a ver com o que eu penso.
Mas ela trafega entre o prático e o devaneio,
trazendo uma enorme consternação pela terra;
e é aqui que toda a existência se encerra:
pois eu nunca serei feliz por inteiro.
Alexandre Montalvan
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