Poemas -> Introspecção : 

Óculos Escuros

 
 
é, eu acho que percebi
que a vida não é
como a sua boca carmim
não deu para enxergar bem

através dessa lente escura
que vê só o que eu mais quero
está envolto em intenção pura
tudo o que faço com esmero

todos os vagalumes brilhantes
rondando a sua cabeça
parecem a linda sinfonia
dos seus perfumes no meu nariz

anoiteceu nos meus olhos
marcando naquele papel
toda a imaginação
dos detalhes daquele troféu

azul, vermelho, dourado
corpulento, sorridente
mesmo que já feito, está inacabado
falta a minha marca no pente


É o ferrão quem perturba a abelha.

Escrito por mim no dia 14/06/2026, em Brasília-DF.
 
Autor
Luxena
Autor
 
Texto
Data
Leituras
138
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
2 pontos
2
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 19/06/2026 10:44  Atualizado: 19/06/2026 10:45
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4473
 Re: Óculos Escuros p/ Luxena
Como diria o Padre António Vieira: Não pode haver maior cegueira, nem mais cega, que ser um homem cego, e cuidar que o não é.

Aqui é quase isso, o não deu para enxergar bem, dá essa sensação de incompletude ou de parca sabedoria. As imagens subtis deixam o leitor a pensar e a imaginar-se envolto delas, um pouco mitológicas e abstractas.

Que diriam Marc Chagall ou Odilon Redon se lessem este poema?

Links patrocinados