Vez ou outra, acordava e tinha aquela criatura ao seu lado:
Seu anjo, seu mestre, seu Deus.
Não finca o afeto na terra,
Esculpe o homem no vão.
No peito ela traz a guerra
De amar uma ilusão.
Por que o real tem desgosto?
Por que o concreto faz mal?
Acorda olhando pro rosto
De um ser que é puro astral.
Não tem matéria nem osso,
Mas deita e dorme com ela.
Um anjo que rouba o poço
Da alma frágil e bela.
Invade o corpo sem medo,
Não pede licença ou sinal.
Seu Deus, seu mestre, o segredo,
Domínio total e fatal.
Na carne e no pensamento,
Dois seres num mesmo olhar.
No gozo e no sentimento,
Livres para comungar.
Sta. Rochaaa