Sentada no banco, ela pensava: vinha alguém?
Ninguém.
E se viesse? Bobagem. Não se apaixonaria.
Esperava o homem-bicho, o inexistente. Aquele cheiro sem nome grudado na espinha. O olhar longe. A cara fria cortando o peito feito navalha.
Se despir para outro? Nojo. Ânsia de vômito.
Ela já nem sabia.
Era um fantasma parido pela própria cabeça.
O tempo vago era preenchido de livros-coisa. Não lia, mas tocava-os. Amantes de papel cheios de tudo o que faltava nela. Já que não queria ninguém, que ficassem os livros.
Banco da praça. Noite. Saía para tropeçar em si mesma.
Dançava qualquer som. Sentia qualquer espasmo.
Queria vida. Paixão. Faísca.
Mas os olhares da rua eram todos pálidos. Fantoches de gesso.
Voltava para casa. Adormecia. Esquecia.
Acordava, ia vivendo, dava pedaços de si aos "próximos". Quem? Ninguém era próximo. A intimidade dava-lhe medo. Socializar virara um dialeto esquecido. Nem queria aprender de novo.
E ela, a blindada, a que não amava ninguém, estava presa a um único rosto.
E odiava-o por isso.
Sta. Rochaaa