Poemas : 

Intangível

 
Esperava o homem-bicho, o inexistente. Aquele cheiro sem nome grudado na espinha. O olhar longe. A cara fria cortando o peito feito navalha.
Se despir para outro? Nojo. Ânsia de vômito.
Ela já nem sabia.
Era um fantasma parido pela própria cabeça.
O tempo vago era preenchido de livros-coisa. Não lia, mas tocava-os. Amantes de papel cheios de tudo o que faltava nela. Já que não queria ninguém, que ficassem os livros.
Banco da praça. Noite. Saía para tropeçar em si mesma.
Dançava qualquer som. Sentia qualquer espasmo.
Queria vida. Paixão. Faísca.
Mas os olhares da rua eram todos pálidos. Fantoches de gesso.
Voltava para casa. Adormecia. Esquecia.
Acordava, ia vivendo, dava pedaços de si aos "próximos". Quem? Ninguém era próximo. A intimidade dava-lhe medo. Socializar virara um dialeto esquecido. Nem queria aprender de novo.
E ela, a blindada, a que não amava ninguém, estava presa a um único rosto.
E odiava-o por isso.


Sta. Rochaaa

 
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rebecarocha
 
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 15/07/2026 08:16  Atualizado: 15/07/2026 08:16
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 Re: Na minha espinha p/ rebecarocha
Rebeca... mataste-me a vontade de não ler.
Este pequeno (que terá continuação, assim espero) romance entre o inexistente e a blindada (talvez lhe chamasse "intocável") roça a perfeição literária.
Li, reli e virei-o do avesso à procura de pontas soltas que dessem caminho aos amantes ou pelo menos um passado, fi-lo com água na boca, insaciado de mais boa leitura.

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