Faltam quinze minutos para voltar ao trabalho, mas, em vez de fazer algo produtivo e digno de um adulto funcional, estou aqui a pensar numa questão de extrema importância: amo o nome Hugo.
Não sei porquê. Talvez seja o destino. Talvez seja uma maneira de acalentar o espírito. Talvez seja apenas mais uma das tragédias que compõem a minha personalidade. Mas amo esse nome.
E se um dia tivermos um filho — mesmo que ele exista apenas no departamento das fantasias absurdas que cultivo em silêncio — o nome dele será Hugo Mauro (e teu sobrenome). Nem sequer está em discussão. Entre todos os nomes masculinos do mundo, foi esse que escolhi. Portanto, se algum dia o universo decidir colaborar connosco, o rapaz já sai da maternidade com o nome definido.
Eu sei que sou ridícula, mas já aceitei isso como um traço de carácter.
Às vezes imagino a carinha dele. Os olhos. O cabelo. O sorriso. Imagino nós dois a olharmos para aquela pequena criatura e a sentirmos aquele tipo de felicidade que só existe nos filmes, nos livros ou nas vidas das pessoas que claramente fizeram melhores escolhas do que nós.
Infelizmente, não posso engravidar do Espírito Santo. Já verifiquei. Portanto, nesse projeto específico, a tua participação seria bastante útil e até recomendável.
O mais engraçado é que nem sei se queres ser pai. E, para ser sincera, também não tenho andado particularmente inspirada para ser mãe, considerando a vida que levo e o caos que me acompanha com uma fidelidade admirável. Mas gosto desta imagem. Gosto de imaginar que, no meio de tanta incerteza, existiria algo nosso. Um ser feito de ti e de mim. Uma prova viva de que, por uma vez, conseguimos produzir alguma coisa além de saudades, conversas e problemas emocionais.
Por isso, não te esqueças desse nome.
Hugo Mauro.
Guarda-o com cuidado.
É o nome do teu filho homem. E espero que não metas em nenhuma outra criança caso me confundas aí com outra mulher.