...porque chegaste assim,
com liberdade nas asas,
sorrisos nos olhos,
e no céu da boca,
o cintilar de estrelas,
que no firmamento nunca caberiam
...tua vinda precipitou-me os dias,
em alegrias que só a alma consegue compreender,
e arrancou-me do chão, virando-me de ponta cabeça,
de pernas pro ar…
...quando chegaste acolheu-me em tuas mãos,
povoando o meu caminho – já tão cansado,
com alardes de festa e coloridos adornos
...decidiste ficar – por um tempo breve…
mas a este tempo, despertaste-me do sono,
e trouxeste-me pássaros na palma da mão,
que chilreavam ao notarem a tua presença…
...sem saber-te ‘Amor’,
dignifiquei as horas que comigo passaste,
busquei nos dias a eternidade em palavras,
e prenunciei a estação que por fim já findava…
e, miseravelmente, ao sentir-te tão distante da minha noite enluarada,
pousei a cabeça no meu próprio colo,
lancei mão do meu lenço bordado,
pronunciei uma rogativa aos céus
e despedi-me da aurora,
que, em minha janela,
nunca mais ousou a brilhar...