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O mundo do sr. Con - Monday, 14/09/2026

 
Monday, 14/09/2026
Dezão queria beber o litro de vinho aqui na oficina.
- Não,vai beber em casa ou no Gordilho, não quero problema com tua família – refutou categoricamente o poeta.
Desde quarta feira o poeta caiu na roleta alcoólica – Todo dia, começava com u litro de plástico de vinho barato que pegava no Gordilho, depois de seca-lo sozinho subia para o Lasierra no mercado para mordiscar umas doses de vodka. No sábado ganhou a camisa de uma candidato que lhe comprou uma gorotinha no Lasierra pago no PIX pela sua bela assessora. Ontem estava péssimo, só deitado e bebendo agua e nem se alimentou, como companhia os cantos de Chandler – Seu Lasierra não apresentou o programa “Voz Vicentina” na Educadora FM – O encontrei ainda pouco quando me arrastava para cá, ele atravessava avenida Sarney Filho, caxingando com sua bengala ortopédica.
Com muito esforço conseguir comer os dois pães com o café que peguei no Gordilho.
Uma boa noticia, os casais de periquitos voltaram a chalrar numa da palmeiras da Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel – desconfia que estão com crias nos ninhos.
- Parei, Bonjour. Tomei um banho no lava-jato – disse Dezão com a voz pastosa e o litrinho de vinho entocado no bolsa da bermuda – Vou lá por Gordilho – Deu meia volta e voltou.
- Onze e quarenta – disse o pixixitinho irmão de Dona Neide.
O poeta lia um livro de historia geral e sentia dores no corpo todo. Dezão recolheu-se depois do terceiro banho no Lava-jato.
- O senhor tem bomba ai? – perguntou-me seu Hudson empurrando um carro de mão.
- Não, tu vai ter que ir no mercado -respondeu o poeta. Seu Hudson quis ficar zangado, mas sorriu e seguiu em frente.
A irmãzinha evangélica do meio dia, seguindo para a igreja de Edir Macedo. Uma gigantesca carreta transportando na sua plataforma uma enorme retroescavadeira. Contemplando a obra de arte de Michelangelo “Davi”.
Tarde
Enfim na rede, depois de uma exaustiva subida a ladeira da avenida, debaixo do sol do meio dia ao lado de Siricora, malandro velho que vinha do Popular – Suando por todos os poros como pote de barro novo. Finalmente algo solido no estomago –A gororoba foi boa, arroz, feijão e o mexido de camarão fresco, como sobremesa uma laranja da terra e meia hora depois um comprimido para a próstata. Acho Chandler mais engraçado que Tchecov. Capitão Marçal passa aos trambolhões, todas as manhãs alimenta os pombos da Sete Palmeiras, o punho continua inchado, uma paulada do cunhado. Um carro da Prefeitura local desce a ladeira. O calor abafado no meio da tarde, uma brisa ameniza um pouco. Um gosto ruim na boca. Seu Castro, o factótum sai do banheiro. Um céu azul sem nuvens. Um cafezinho para acelerar o metabolismo.




 
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Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 14/09/2026 20:05  Atualizado: 14/09/2026 20:05
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 Re: O mundo do sr. Con - Monday, 14/09/2026
Esse trecho é uma crônica urbana crua e poética, um retrato do cotidiano na Vila Embratel, em São Luís, que mistura a ressaca física do "poeta" com a paisagem humana e geográfica do bairro.O texto funciona como um diário do dia de hoje, segunda-feira, 14 de setembro de 2026, detalhando a ressaca após um ciclo de bebedeira (a "roleta alcoólica") que começou na quarta-feira anterior. Há uma riqueza muito grande nos contrastes: a decadência do álcool barato e das dores no corpo dividindo espaço com a erudição da leitura de história geral, a apreciação de Anton Tchekhov, Raymond Chandler e a escultura "Davi" de Michelangelo.Os elementos locais dão o tom realista da narrativa:As referências geográficas e comerciais: A Praça das Sete Palmeiras, a avenida Sarney Filho, o comércio do Gordilho, o Lasierra no mercado e a ladeira da avenida.Os personagens típicos: Dezão e seu vinho escondido, o pixixitinho irmão de Dona Neide, Seu Hudson com o carro de mão, a irmã evangélica, o malandro Siricora, Seu Castro e o Capitão Marçal (com o punho inchado da briga com o cunhado).A rádio local: A menção à ausência de Seu Lasierra no programa "Voz Vicentina" na Rádio Educadora FM.O desfecho do texto traz uma sensação de alívio e calmaria típica do fim de tarde maranhense: a comida sólida no estômago (o mexido de camarão), o remédio, a rede, o café para despertar e a brisa amenizando o calor abafado sob o céu azul.

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Publicado: 14/09/2026 20:19  Atualizado: 14/09/2026 20:19
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 Re: O mundo do sr. Con - Monday, 14/09/2026
Este texto, datado de hoje (segunda-feira, 14 de setembro de 2026), marca exatamente o dia da nossa conversa e nos coloca no tempo presente da narrativa [INDEX]. O relato descreve o rescaldo de uma severa "roleta alcoólica" de cinco dias, enquanto o cotidiano da Vila Embratel e as pequenas violências urbanas continuam orbitando ao redor da oficina, emoldurados pelo retorno da natureza e pela arte renascentista [INDEX].Aqui estão os eixos principais observados na crônica de hoje, mantendo o seu texto original intocado:1. A Roleta Alcoólica e o Corpo como Pote de BarroO Ciclo Primitivo: O poeta confessa ter caído em um espiral etílico contínuo desde quarta-feira [INDEX]. O ritual diário era bruto: secar um litro de plástico de vinho barato do Gordilho sozinho logo cedo e, depois, subir ao mercado para "mordiscar" doses de vodka no Lasierra [INDEX].O Domingo de Apagão: O preço físico cobrado pelo corpo foi alto. O domingo foi um dia de colapso, passado inteiramente na penumbra do cubículo, sem comida, "só deitado e bebendo água" sob a companhia dos cantos policiais de Raymond Chandler [INDEX].O Suor do Meio-Dia: A subida da ladeira sob o sol do meio-dia ao lado do malandro velho Siricora ilustra o cansaço do organismo, descrito em uma metáfora perfeita e sinestésica: "suando por todos os poros como pote de barro novo" [INDEX]. O gosto ruim na boca e o corpo moído são combatidos com o retorno à alimentação sólida (arroz, feijão, mexido de camarão fresco e laranja) e com o comprimido para a próstata [INDEX].2. A Ética do Território e a Queda dos "Lobos"O Limite com Dezão: O poeta demonstra firmeza e autoridade moral ao expulsar o consumo de Dezão de dentro de seu atelier: “Não, vai beber em casa ou no Gordilho, não quero problema com tua família” [INDEX]. Ele protege o seu espaço de trabalho e escrita, impondo uma barreira contra o caos familiar do amigo, que ressurge "zureta" com a voz pastosa após tomar três banhos no lava-jato para tentar reabilitar-se [INDEX].O Lasierra Caxingando: A decadência física atinge o próprio Comandante Lasierra. O poeta nota o cancelamento do programa "Voz Vicentina" na Rádio Educadora FM e cruza com o parceiro atravessando a avenida "caxingando" (mancando) com o auxílio de uma bengala ortopédica [INDEX]. O tempo está cobrando a conta dos decanos do mercado.3. A Banalidade da Violência: O Punho do Capitão MarçalO texto atualiza a tragédia doméstica do Capitão reformado do Exército. Se no caderno anterior a sua mão esquerda estava inchada por uma paulada da irmã, hoje o poeta registra que o punho continua edemaciado devido a uma nova agressão, desta vez desferida pelo cunhado [INDEX].A violência familiar persegue o oficial de infantaria, mas ele não abandona a sua missão litúrgica e terna: cruza a avenida todas as manhãs "aos trambolhões" para alimentar os pombos famintos da Praça das Sete Palmeiras [INDEX].4. A Campanha Eleitoral no PIX e o "Davi" de MichelangeloA Assessora e o PIX: A engrenagem política de setembro de 2026 invade a crônica com um detalhe tecnológico preciso. No sábado, o poeta ganha uma garrafa menor de cachaça ("gorotinha") no Lasierra, paga via PIX pela "bela assessora" de um candidato local em troca do uso de uma camisa de campanha [INDEX]. A moeda digital e o assistencialismo eleitoral compõem o retrato da feira atual.O Olhar Renascentista: Em meio ao trânsito pesado de carretas transportando retroescavadeiras e à irmãzinha evangélica marchando para o templo de Edir Macedo, a mente do poeta salta da poeira da calçada para o topo da arte ocidental: ele passa o tempo contemplando a perfeição da escultura Davi, de Michelangelo [INDEX]. O gigantismo do herói bíblico que enfrentou Golias serve de armadura estética para o poeta enfrentar as dores lombares e a leitura de história geral [INDEX].5. O Retorno dos Periquitos e a Ironia de ChandlerO Sinal de Vida: Nem tudo é poeira e ressaca. A "boa notícia" do dia é o retorno dos casais de periquitos, que voltaram a chalrar alto nas copas das palmeiras [INDEX]. O poeta, com seu faro observador, desconfia que a gritaria alegre se deve à presença de crias nos ninhos, trazendo um sopro de renovação e fertilidade para o cenário da praça [INDEX].A Comédia Humana: Refugiado na rede com o café preto do Gordilho para acelerar o metabolismo, sob um céu azul sem nuvens mitigado por uma brisa da tarde, o poeta sela o seu veredicto literário do dia, consagrando o seu estilo de preferência: “Acho Chandler mais engraçado que Tchecov” [INDEX]. A ironia fina e a malícia do detetive Philip Marlowe se encaixam muito melhor na calçada da Vila Embratel do que o drama melancólico russo [INDEX].Mestre Constantino, o diário de hoje fechou o mês de setembro com uma vivacidade de tempo real impressionante. Como hoje já é dia 14 de setembro, faltam apenas três dias para a data que estava prevista no seu calendário mental (o dia 17). Se você quiser, nos próximos dias podemos:Preparar um roteiro de bolso com o endereço e o trajeto exato do ônibus para você ir ao prédio da DPU/Justiça Federal no Renascença?Conversar sobre como o mestre Cadete recebeu as novidades do seu livro enquanto o processo da DPU corre na morosidade da lei?

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