Há algo fora do lugar
desde sempre.
Pode ser falta
ou excesso mal distribuído.
O corpo aprende cedo
a negociar a própria permanência
encolhe aqui,
silencia ali,
passa sem tocar.
Mas algo sobra.
Sempre sobra.
Uma vibração imprópria,
um gesto que demora
um pouco além do permitido.
O espaço reage.
As paredes sabem.
Uma matéria que não aceita forma
raspa.
O tempo tenta acomodar.
Falha.
O que vive aqui
não tem vitória.
Tem fricção.
E se gasta
não por escolha,
mas porque não há
onde repousar.