Poemas : 

Vício de Forma

 
Há algo fora do lugar
desde sempre.

Pode ser falta
ou excesso mal distribuído.

O corpo aprende cedo
a negociar a própria permanência
encolhe aqui,
silencia ali,
passa sem tocar.

Mas algo sobra.

Sempre sobra.

Uma vibração imprópria,
um gesto que demora
um pouco além do permitido.

O espaço reage.
As paredes sabem.

Uma matéria que não aceita forma
raspa.

O tempo tenta acomodar.
Falha.

O que vive aqui
não tem vitória.

Tem fricção.

E se gasta
não por escolha,
mas porque não há
onde repousar.

 
Autor
Aline Lima
 
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