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ADÁGIO

 
Tags:  SONETOS 1995  
 
ADÁGIO

Palavra dada, não se me abra a boca.
Ainda que na boca a frase dita
Não cale a dor do peito, apenas grita.
Seja sua desdita muita ou pouca...

Palavra dita ao léu, um tanto louca,
Soa à poesia sobre a linha escrita:
Revisitada a ponto de infinita,
Me aflige na garganta quase rouca.

Algo será poesia, assim espero,
Se — e somente se — for dito sincero,
E, por sincero, digam já absurdo.

Garimpo ouro na lama em que chafurdo:
Seja poesia o adágio, embora mero,
Grito dado no ouvido do pior surdo!

Gov. Valadares — 19 09 1995


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
Autor
RicardoC
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