A lonjura com que, ávido, te meço,
Perdeu a bitola, perdeu sabor,
Perdeu a imagem do seu nobre andor,
Perdeu-se na bruma em que me entristeço.
Quanto dista o horizonte da dor,
O trilho da desgraça em que espaireço,
Cronometrado à mora em que envelheço,
Quando esse intervalo é o meu mentor?
E se aos séculos os quartos faltassem,
Gáudio das insónias dos justos,
Décadas sem anos, meses sem dias…
Como se em festas de lutos brindassem,
Verão mortiço, à porta dos magustos,
Por mais tempo e pelas suas crias.
11 de Setembro de 2026
Viriato Samora