
Cálice de Vinho — Venha Tomar
Eu teci o meu silêncio em minha boca,
não por medo, mas pela compreensão do abstrato;
a interioridade dos meus pensamentos advoga
ao que caminha pela avenida com todo o tato.
Há muita coisa que meu verso indaga,
mas há um silêncio que deve haver num sepulcro;
e quando ele — silêncio — se transforma em vulto,
pode-se ouvir o sibilar de uma adaga.
Não era a ovelha que caminhava pelas estepes sozinha;
eu trazia em meu cerne a violência da ausência,
pois o vazio era tudo o que eu tinha
e, para todos os meus pecados, não havia penitência.
Hoje continuo a caminhar sozinho
e trago em meu peito a cruz e a espada;
e, mesmo que esta espada não sirva para nada,
o silêncio da minha boca impera —
pelo menos enquanto tomo um cálice de vinho.
Alexandre Montalvan
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