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Poemas, frases e mensagens de Hildegard

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Hildegard

Tango

 
ao som do carro,
um tango;
ela não diz nada,
não esboça nenhum gesto,
de carinho, nem de afeto...

introspectivo,
lábios cerrados,
olhos molhados,
sinto ao redor
silêncio e trevas...

a canção diz o que choro,
tenho vontade
de parar a melodia,
nada faço,
apenas, oro...

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autor: Cavenatti
 
Tango

Canção do Não.

 
não quero os raios do sol
nem a herança do morto,
tampouco,
o segredo da noite...

não quero percorrer
as ruas antigas,
ouvir testamentos,
penitências...

não quero pernoitar
na esquina da vida,
mostrar a ferida,
clamar piedade...

não quero ouvir
o toque do silêncio,
a canção do adeus,
o seu adeus!...
 
Canção do Não.

O homem ri.

 
o homem ri
de si mesmo,
das borboletas noturnas,
da própria sombra,

o homem ri
para a lua,
ou da lua,
não sabe!...

ri, no improviso
do leito,
das trincas
nas calçadas,

ri, da luz que banha
o outro lado da rua,
ri, caçando estrelas,
de olhos sedados...
 
O homem ri.

Sonho-solidão.

 
espera inútil,
distanciamento,
moenda,
cerração...

uma antiga-eterna
história,
a mesma chama
má-gica...

os dias
não são os mesmos,
o corpo
não é o mesmo...

eu, em sombra
interior,
apenas sonho,
meu sonho-solidão...
 
Sonho-solidão.

TUA AUSÊNCIA.

 
caminhamos
de mãos dadas,
eu e a tristeza
da tua ausência...

uma tristeza
incerta, indefinida,
torva
e sem rumos...

indizível,
soturna,
asilada
em lembranças;

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habitam em mim:
teu suor,
teu perfume,
teus mistérios...
 
TUA AUSÊNCIA.

Alforria.

 
no tailleur,
o seu corpo
prisioneiro,
ousado,
curvilíneo,
denota desejos...

revelação;
no cerne
o lavor
da liberdade...
 
Alforria.

SOMBRA.

 
além da alma em prantos
além da pedra gasta
além da faca sem corte
além dos sonhos...

a lesma cavalga
calçadas, rastros,
a alma é ré
em seu destino...

cão soturno
fareja migalhas
(noite eterna)
a sombra se move...

o corpo cheira terra
o corpo cheira a álcool
a boca é ácida
o corpo é ácido...
 
SOMBRA.

COLEÇÃO.

 
meus sonhos se formaram
no tempo distante da infância
e nas madrugadas insones...

em uma estrada desconhecida
em um tempo desconhecido
ando sem direção...

sei que dou vida aos sonhos
nos passos que ouso
no chão que fica para trás...

carrego os sóis que encontro
o diurno na batalha
o noturno na esperança...

acolho as estrelas perdidas
coleciono sentimentos
e alinhavo poemas de liberdade...
 
COLEÇÃO.

Há!...

 
há um outro tempo
além
das cordilheiras,

faróis,
sonhos,
arquipélagos,

inquietude...

a alma
vibra,
busca,

precisa zarpar
com a nuvens,
com as águas,

fazer a viagem
completa,
inadiável...
 
Há!...

IMAGINO.

 
imagino
ter o destino
de um rio maiúsculo,
viajar nações,
ser caminhos...

imagino ter o segredo
das nuvens,
pairar nos céus
sem limites,
dogmas, purgatórios...

imagino ter a garra
das tempestades passageiras,
mangar com as tardes
em devaneios,
sacudir a orfandade da noite...

imagino, em dias viandantes,
ter o silêncio da chuva,
dos trovões enraivecidos,
dos ventos uivantes,
das tochas do sol...
 
IMAGINO.

Rua ausência.

 
caminhos não sei,
na rua ausência,
oro por orar...

firo-me
nas lembranças,
na indiferença...

meus pés,
âncoras,
não obedecem...

projeto
minha loucura
à penitência...

culpo-me, em
criança, chorava,
inocentemente...
 
Rua ausência.

ACEITA-ME!

 
- disse-me,
simplesmente,
aceita-me!

a sua voz
lacerou o meu corpo,
vesti meu rosto
em vermelho...

não sabia o que dizer,
meus olhos,
seus olhos,
impacientavam-se...

no transcorrer de segundos:

estendeu-me
os braços,
estendeu-me
as mãos...
estendeu-me
o mundo...

--------------
 
ACEITA-ME!

DESENHOS.

 
Minha alma encontrou a tua
em uma praia deserta.

Minha alma comungou a tua
no encontro do sol e o mar.

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Desenhamos na areia
corações desejosos.
 
DESENHOS.

Cumplicidade.

 
no silêncio da noite,
algo de nós ficou:

nas pétalas da tez,
no baço do espelho,
nos copos vazios...

nas roupas da cama,
nos sais do toalete,
nas toalhas...

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em cumplicidade:
despojos da entrega...
 
Cumplicidade.

Rosa

 
O beija-flor visitou
suas pétalas.

A borboleta pousou
em suas hastes.

Eu fiquei entre
canteiros, observando.

O beija-flor, a borboleta,
vieram até mim.

Balancei os braços,
levemente, voei liberdade!

--------------
 
Rosa

Tua Ausência.

 
entre-eu-tu-e-o-céu,
nuvens!...
(mistura de sentimentos
e água)...

entre-eu-tu,
horizontes transparentes,
( a minha alma
busca-te)...

entre-eu-céu-espaço,
uma rabiola,
(infância, paisagem,
saudades, olhos)...

entre-eu-o-canto-e-o-pranto,
um céu mudo,
( teu vulto se projeta
na floresta de nimbos)...

entre-eu-sol-céu-e-a-noite,
dias, palavras e atos,
(o silêncio é o reflexo
da tua ausência)...
 
Tua Ausência.

VERDADES.

 
ouço as horas
em retalhos,
danço o balé
da noite...

a meio tempo entre
infância e juventude,
o corpo desfruta
novas verdades...

lábios, corpos,
chuva,
bate o peito,
explode, acaba!...
 
VERDADES.

Carrossel

 
giro,
subo,
desço
em
cavalos
de
madeira,
horas-dias
passam,
passo
eu...

(...) será
o tempo
espetáculo?!

carrossel...

(...) será
a alma
perpétua?!
 
Carrossel

Factual.

 
estrelas se apagam,
factual,
elas são as mesmas,
nós somos os mesmos...

angústia própria,
resignação,
exílio do corpo,
desejos:

partir em silêncio,
desbravar desfi-
ladeiros, corredeiras,
montanhas...

e, com mãos
de chegada,
parir estrelas
em seu corpo...
 
Factual.

Ao sol de cada manhã.

 
os dias se transformam,
noites;
os homens se transformam,
desejos;
enfim, na distância exata
do tempo que se foi,
tudo se transforma...

assim, são os óbulos,
as promessas,
os poemas,
(impronunciáveis),
secretos,
múltiplos,
ao sol de cada manhã...
 
Ao sol de cada manhã.