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Poemas, frases e mensagens de Hildegard

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Hildegard

ACEITA-ME!

 
- disse-me simplesmente,
aceita-me!

a tua voz
lacerou o meu corpo,
vesti meu rosto
em "rouge"...

não sabia o que dizer,
meus olhos,
teus olhos,
impacientavam-se...

no transcorrer dos segundos:

estendeu-me
os braços,
estendeu-me
as mãos...
estendeu-me
o mundo...

--------------
 
ACEITA-ME!

Factual.

 
nas manhãs,
estrelas se apagam,
elas são as mesmas,
somos os mesmos...

angústia própria,
resignação,
exílio do corpo,
desejo:

partir em silêncio,
desbravar desfi-
ladeiros, corredeiras,
montanhas...

e, em mãos de chegada,
(factual)
parir estrelas
em seu corpo...
 
Factual.

Sonho-solidão.

 
espera inútil,
distanciamento,
moenda,
cerração...

uma antiga-eterna
história,
a mesma chama
má-gica...

os dias
não são os mesmos,
o corpo
não é o mesmo...

eu, em sombra
interior,
apenas sonho,
meu sonho-solidão...
 
Sonho-solidão.

Tua Ausência.

 
entre-eu-tu-e-o-céu,
nuvens!...
(mistura de sentimentos
e água)...

entre-eu-tu,
horizontes transparentes,
( a minha alma
busca-te)...

entre-eu-céu-espaço,
uma rabiola,
(infância, paisagem,
saudades, olhos)...

entre-eu-o-canto-e-o-pranto,
um céu mudo,
( teu vulto se projeta
na floresta de nimbos)...

entre-eu-sol-céu-e-a-noite,
dias, palavras e atos,
(o silêncio é o reflexo
da tua ausência)...
 
Tua Ausência.

Carrossel

 
giro,
subo,
desço
em
cavalos
de
madeira,
horas-dias
passam,
passo
eu...

(...) será
o tempo
espetáculo?!

carrossel...

(...) será
a alma
perpétua?!
 
Carrossel

IMAGINO.

 
imagino
ter o destino
de um rio maiúsculo,
viajar nações,
ser caminhos...

imagino ter o segredo
das nuvens,
pairar nos céus
sem limites,
dogmas, purgatórios...

imagino ter a garra
das tempestades passageiras,
mangar com as tardes
em devaneios,
sacudir a orfandade da noite...

imagino, em dias viandantes,
ter o silêncio da chuva,
dos trovões enraivecidos,
dos ventos uivantes,
das tochas do sol...
 
IMAGINO.

Teu perfume.

 
caderno sobre a mesa,
rabiscos,
tempo da alma,
tempo de confissão...

nos olhos,
(fronteira entre
sonhos e a realidade),
um rio nasce...

sofro ao lembrar-me
do teu perfume,
sou prisioneiro
da tua imagem...
 
Teu perfume.

 
ao chegar,
a cadeira vazia
no alpendre,
convida-me à parada...

o relógio de pêndulo,
- da minha infância -,
atormenta a alma
ao badalar lembranças...

ouço o barulho de passos
no assoalho antigo,
hipoteco os meus pecados,
meus sonhos...

sagração, ainda sinto
o gosto-cheiro do pó,
herança das estradas
desertas que percorri...

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PÓ

Quero os sonhos...

 
tive infância,
perdi...
tive juventude,
perdi...
tive orgulho,
perdi...
tive dinheiro,
perdi...
tive amores,
perdi!...

andei por todas
as searas,
aluguei nomes,
corpos-histórias,
dias-noites-noites-dias...

eu necessito do sol
das novas manhãs,
eu quero os sonhos
que, ainda, não perdi!...
 
Quero os sonhos...

Eu quero entender!

 
eu quero entender:
o baile da vida,
o tempo que passa,
a bala perdida,
a verdade, a mentira,
a sorte precisa...
eu quero entender
o baile da vida...

eu quero entender:
o cheiro do incenso,
o brilho que vela,
a lágrima, o sal,
o tempo sepulto,
a outra metade,
eu quero entender
o bem e o mal...

eu quero entender:
a realidade,
a morte que chega
deixa saudades,
o sonho apagado,
deixado de lado,
eu quero entender
o tempo final...
 
Eu quero entender!

Rua ausência.

 
caminhos não sei,
na rua ausência,
oro por orar...

firo-me
nas lembranças,
na indiferença...

meus pés,
âncoras,
não obedecem...

projeto
minha loucura
à penitência...

culpo-me, em
criança, chorava,
inocentemente...
 
Rua ausência.

Tango

 
ao som do carro,
um tango;
ela não diz nada,
não esboça nenhum gesto,
de carinho, nem de afeto...

introspectivo,
lábios cerrados,
olhos molhados,
sinto ao redor
silêncio e trevas...

a canção diz o que choro,
tenho vontade
de parar a melodia,
nada faço,
apenas, oro...

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autor: Cavenatti
 
Tango

Rosa.

 
O beija-flor visitou
suas pétalas.

A borboleta pousou
em suas hastes.

Eu fiquei entre
canteiros, observando.

O beija-flor, a borboleta,
vieram até mim.

Balancei os braços
levemente, voei liberdade!

--------------
 
Rosa.

SOMBRA.

 
além da alma em prantos
além da pedra gasta
além da faca sem corte
além dos sonhos...

a lesma cavalga
calçadas, rastros,
a alma é ré
em seu destino...

cão soturno
fareja migalhas
(noite eterna)
a sombra se move...

o corpo cheira terra
o corpo cheira a álcool
a boca é ácida
o corpo é ácido...
 
SOMBRA.

Há!...

 
há um outro tempo
além
das cordilheiras,

faróis,
sonhos,
arquipélagos,

inquietude...

a alma
vibra,
busca,

precisa zarpar
com a nuvens,
com as águas,

fazer a viagem
completa,
inadiável...
 
Há!...

Ao sol de cada manhã.

 
os dias se transformam,
noites;
os homens se transformam,
desejos;
enfim, na distância exata
do tempo que se foi,
tudo se transforma...

assim, são os óbulos,
as promessas,
os poemas,
(impronunciáveis),
secretos,
múltiplos,
ao sol de cada manhã...
 
Ao sol de cada manhã.

Novas canções de amor.

 
tomei o remédio
no seu corpo,
embebedei-me...

ébrio, flutuei
(com as pétalas)
ao sabor do vento...

ultrapassei montanhas,
vales, desfiladeiros,
marejei nuvens...

fui artífice de muitas
viagens, e novas
canções de amor...
 
Novas canções de amor.

False.

 
no banco
da praça

alguém
chorou

o céu
também chorou

a água
lavou a false...
 
False.

LAMA.

 
o muro separa
casas,
o rumo separa
vidas,
a treva separa
os dias...

a vida carrega
o canto,
o canto carrega
o adeus,
o adeus carrega
a partida...

as nuvens despejam
lama,
os olhos despejam
água...
 
LAMA.

Sentimentos.

 
na borboleta
que brota
do casulo,
o céu nasce,
o tempo liberta,
as horas voam,
palavras
rezam
sentimentos...

o poema
é lingua-
gem,
fala e acode,
fala e habita,
fala e anuncia,
veste-desveste
a alma
solitária-solidariamente...
 
Sentimentos.