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Poemas, frases e mensagens de Camões-Carioca

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Camões-Carioca

SIMPLES PALAVRAS

 
A chuva, o vento e o frio
São pontos de referência
Na boa madrugada.
O tempo que custa a passar
A angústia a te perseguir
E os pensamentos
Incessantes.
Ambiente hostil
Será mesmo?
Faz bem para o espírito
Sinto-me bem.
Mas é preocupante.
Também é fascinante.
Mas como pode?
Duas fazes:
O bom e o mau.
O sim e o não.
Madrugada de todo o sempre
Para todas as horas.
Que insanidade!
Mas é linda
É perigosa e instigante.
Madrugada boa.
Minha vida
Meu estilo
Madrugada voa
Minha passagem
Meu recanto
Minha fuga
Meu delírio.
Madrugada teu nome
Diz-me tudo
Conduz-me e
Fascina-me
Madrugada me ensina
A fugir de você.
Madrugada me deixa
Retornar e amanhecer.

José Carlos de Arruda.
 
SIMPLES PALAVRAS

ELOS DE NEVE

 
Se alguém perguntar, se sentes saudades de um amor antigo,
responda logo sem titubear.
Lembro-me bem: - Foi um castigo.
Mas, deixei-a de amar.

O meu peito tinha força que diante dela se enfraquecia.
Atônito ao fato, os dias passavam.
Em certas ocasiões, minha mente ¨adormecia¨,
sem perceber que as coisas ficavam.

Por todos os lugares que passo vem a recordação,
de momentos de beleza sem par no meu coração.
É pena que ela não deva lembrar mais de nada.

Na infinita devastação do tempo que não perdoa.
Varreram do mar minha ¨embarcação¨ quebrando-a a proa,
deixando-a totalmente danificada.

José Carlos de Arruda.
 
ELOS DE NEVE

SER FELIZ

 
SER FELIZ

É difícil ser feliz
Porque doloroso é viver.
Só nasce uma flor-de-lis
Só para quem a quer ter.
O pensar é saudável.
Lute muito toda vez.
Será algo agradável
Descobrir que o fez.
A vida pode ser bela
É só assim fazer
Morando em uma viela.
Sejamos gratos aos céus
Pelo ócio e o prazer
Encobertos pelos véus.

José Carlos de Arruda
 
SER FELIZ

O PAPEL

 
O PAPEL

Neste papel tão branco e limpo.
Não posso deixá-lo assim passar.
Tão logo vou rascunhar.
Uma coisa qualquer que fale de vida
Que agora estou vivendo
Até mesmo a ameaça de guerra
Que a todos nós vêm fazendo.
Na vida tudo passa
Mas, as letras ficam gravadas
Em papéis brancos como este, encerradas.
O escrito do papel é de toda gente
Ilustrando o meu pensamento
Para a eternidade registrar patente.

José Carlos de Arruda
 
O PAPEL

ALUSÃO À FEMINILIDADE

 
ALUSÃO À FEMINILIDADE

Mulher essência do que é divino,
missionária da felicidade.
Mulher tão macia quanto linho fino,
uma presença que alegra toda a cidade.
Companheira, amiga e honesta.
Água que a mata a sede daquele que a tem.
Existe aquela que para os molhos é uma festa,
quando não maltrata faz bem.
Mulher teorema não utilizado na Matemática,
mas usada e aclamada nos cálculos da vida.
Excelente quando carinhosa, terrível quando apática.
Sempre necessária nunca suprimida.
Mulher um poço de infinitas recordações,
sangue que corre nas veias, vasos e capilares,
tão forte que chega a alterar corações.
Mulher a que é boa, nunca tem similares.
É o complemento que falta para suprir as energias
É o cálcio do osso, a vitamina na gripe, o analgésico na dor.
Às vezes aborrece, todavia dá alegrias.
Tão meiga quanto uma flor.
Nasceu, cresceu, amadureceu e chegou.
Na hora certa, no dia exato, na noite alegre.
Viu o homem, deu-lhe a mão e o amou.
É uma pena que fosse tão breve.
Mulher reúne virtudes, carências e mágoas,
Ilusão, alegria e tristeza.
Estância mineral, fonte de águas,
E ainda possui beleza, zelo e sutileza.
Mulher tão linda que é uma preciosidade,
mas nestes termos falada
será sempre uma raridade.
Por isso terá de ser amada.
Mulher que intensamente afaga no leito.
Com carinho, ternura, amor e vontade.
Também alimenta seu filho no peito.
Pura e com sinceridade.
Mulher amor, que ninguém a temem.
É a alegria que me faz dizer
que com confiança e fé faço dela meu leme
sem ela de que adianta viver?
Mulher é o elétron oitavo que completa o octeto
É o zero que se acrescenta à direita.
Seu resultado é sempre quadrado perfeito.
Quando bem amada fica satisfeita.
É a rua pela qual se foge ao trânsito louco,
Acelerador do meu carro em disparada.
Há gente que sobre ela fala pouco
Deixando-a triste e desprezada.
É esposa, amante e amiga
Não se deixa facilmente influenciar,
Nunca queira tê-la como inimiga
Nem queira vê-la sem falar.
Branca, mulata, loura, não importa.
Alta, baixa, magra, também não.
Desde que ela seja de uma casa: a porta
e de um braço: a mão.
É um labirinto muito grande.
Um túnel bem extenso.
Que Deus a comande
Dando-lhe sempre este bom senso.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA.
 
ALUSÃO À FEMINILIDADE

A PARTIDA

 
A PARTIDA

Minha querida madrinha, aqui estou diante do seu corpo para dizer a senhora, que hoje, fiz questão de ser o primeiro a chegar para que pudesse diante de vós admira-la pela última vez. E corajosamente olhar bem no fundo da sua alma e convicto da minha condição de encarnado suplicar que me perdoe por todos os meus erros, pelas imperfeições que a matéria aqui na vida terrena é capaz de produzir. É a senhora sabe, nós somos tão pequenos que nem percebemos o quanto um filho causa tristeza a sua mãe quando a magoa, mesmo que esta mágoa tenha sido causada involuntariamente, é muito dolorido, mas só se percebe estas nuances quem tem um pouco de sensibilidade.
Minha madrinha, tanto eu tinha para lhe dizer, mas a falta de coragem juntamente com o orgulho me impediram de fazê-lo. Queria tê-la dito tudo isso enquanto a senhora estava entre nós. Não faço isso somente por fazer, mas para que me sinta mais leve e para que a senhora possa ¨partir¨ em paz. Perdão por tudo de mau que te causei, hoje tenho certeza que não fiz por mau. Perdão pela palavra áspera que te feriu como um espinho fere a flor. Perdão pela ignorância de não tê-la compreendido na magnitude que o teu coração merecia. Perdão por tudo de errado que fiz ao longo de nossa convivência.
Gostaria de tê-la abraçado e de beijar-te suavemente a face como o fiz diversas vezes e de tomar a sua bênção também. Nunca deixei de reconhecer-te como a melhor madrinha do mundo, e que tudo fez de possível e impossível para me ajudar.
Sei que nesta hora de dor nem sempre podemos mostrar todas as vertentes de nossas palavras nem de nossos sentimentos, porém não custa tentar. E, nesta tentativa de recuperar o tempo perdido, o tempo que queria dizer e não disse, aqui estou, diante de vosso corpo inerte, mas o espírito certamente me ouvindo e me entendendo, nesta sala fria que deixa o silêncio doer de tão sério, neste vento que sopra do lado de fora fazendo o véu que encobre o teu rosto sereno levemente se mexer e dobrar-se caprichosamente sobre corpo coberto de flores, e que te peço encarecidamente, perdão mais uma vez, e que em sua caminhada por sua nova vida nunca deixe desamparado o teu filho que nunca irá te esquecer.
Após a oração, feita ainda na sala do velório e depois que o caixão desceu a escada para ser conduzido, quando caminhávamos por entre as árvores e os mistérios que cercam todo campo santo uma ventania se fez sentir e logo podemos observar uma quantidade de folhas pelo chão. Descanse em paz e faça-se escrito o seu nome por toda a eternidade. Lúcia Helena, minha madrinha, mãe, titia, amiga, conselheira, tudo, etc, etc.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA.
 
A PARTIDA

RIO DE JANEIRO

 
RIO DE JANEIRO

Aqui tem: Vinícius, Copacabana e Maracanã.
Além disso: Corcovado, Pão-de-Açúcar e o Flamengo.
Aqui, no verão se usa tanga. No inverno, uma suave lã.
As mulheres são lindas e as meninas adoram um dengo.

Para dar uma musicalidade a este poema, cito Roberto, o Rei.
É quase uma Nação, tem que ser patriota.
Aqui existem lugares que você não sabe, mas eu sei.
A minha cidade tem muita história, como é bom ser carioca.

Nesta cidade todos os seus habitantes
misturam-se, há de tudo, mil figurantes.
Recebemos a todos que aqui chegaram.

Os meus caros amigos conhecem um lugar tão belo?
Vou terminar o poema singelo.
Todos que gostarem, o Rio de Janeiro, amaram.

José Carlos de Arruda
 
RIO DE JANEIRO

ENEM - FALTA DE ESTRUTURA

 
ENEM – FALTA DE ESTRUTURA

Desde que o MEC deu início ao projeto de substituir o Enem pelos vestibulares tradicionais das instituições públicas, em 2009, era a intenção que o exame fosse aplicado uma vez por semestre para dar mais chances aos estudantes. Mas, na verdade o que se vê, realmente é uma total falta de estrutura na execução do evento, já que em todas às vezes que aconteceu as provas do ENEM problemas diversos ocorreram, causando danos para ambas as partes.
O MEC decidiu que será feita apenas uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio este ano. No ano passado o Instituto Nacional de Estudos Educacionais (Inep) anunciou que a partir deste ano haveria duas edições da prova – mas os planos foram cancelados pelo ministério, que não concordou com a atitude.
O ministério solicitou um levantamento à empresa que faz a gestão de risco do Enem, e a conclusão foi que duas edições em 2012 sobrecarregariam a estrutura logística do exame. Chegou-se a este diagnóstico depois de consultar todas as entidades envolvidas na organização das provas: o consórcio, os correios e a gráfica responsável pela impressão dos materiais. Por isso o governo decidiu abortar os planos de aplicar uma prova por semestre este ano.
Como podemos observar, através dos acontecimentos e nos noticiários dos jornais o que falta é estrutura. E uma total falta de respeito a quem leva educação a sério neste país.
O ministro José Haddad disse que as novas exigências feitas pela justiça em relação às provas dificultaram a organização de um ENEM extra. Uma decisão da Justiça Federal do Ceará a pedido do Ministério Público Federal no estado determinou que o Inep disponibilize para todos os participantes do ENEM 2011 a cópia da correção da redação.
Segundo o ministro Haddad, o INEP não tem condições tecnológicas de conceder vista das provas aos quatro milhões de estudantes que fizeram o exame.
Aguardo com ansiedade o dia em que poderemos crer no ENEM e fazer dele uma importante ferramenta de avaliação e encaminhamento dos estudantes à faculdade.


Sábado,21 de janeiro de 2012

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA
 
ENEM - FALTA DE ESTRUTURA

DISTANTE DO CENTRO

 
Quando aquele homem chegou à cidade, com suas roupas extravagantes, todos, sem exceção, olharam para ele com cara de espanto. Uns mais, outros menos, porem de uma forma ou de outra olharam e pensaram as mais inusitadas situações pelas quais poderia estar passando tal cidadão. Chapéu de couro esverdeado, óculos escuro, um violento bigode, camisa decotada bege, cinto de couro na mesma cor do chapéu, calca marrom e botas longas na cor preta. Assim que saltou na rodoviária, andou cerca de uns trinta quilômetros para encontrar um parente que deveria estar esperando por ele. Mas isto não aconteceu e o nosso homem misterioso, desolado, voltou para a rodoviária e dirigiu-se ao posto telefônico onde tentou em vão falar com o tal parente que supostamente estaria aguardando-o. Não obteve êxito na ligação, sendo assim resolveu fazer um pequeno lanche por ali mesmo e depois seguir a pe, aparentemente sem destino traçado. De súbito veio-lhe uma idéia. Se ele parasse uns minutos para descansar, poderia colocar a mao no bolso e contar quanto de dinheiro ainda tinha. Dito e feito. Era pouco, mas deveria dar para pagar um à pousada simples, fazer uma refeição, em fim, dar a si mesmo um tratamento digno de um ser humano respeitável, porem mal tratado pela vida e pelos problemas pessoais, problemas esses que o levaram para esta viagem delirante.
Logo mais a frente encontrou um pousada com preços convidativos (pelo menos em seus pensamentos), e não hesitou em tocar a campainha do portão de ferro trabalhado em estilo colonial. Uma senhora convidou-o a entrar. Conversaram rapidamente e depois de tudo acertado indicou-o a escada que daria acesso ao segundo andar. Ele subiu os degraus, alguns desgastados pela ma conservação do imóvel e outros quebrados, isto fez com que ele quase caísse – um pequeno susto – que nada significou para um andarilho experiente. Chegando finalmente ao quarto pode primeiramente sentar-se numa cadeira de balanço e descansar por alguns minutos, logo depois tomou um refrescante banho e pôs-se a ler umas anotações pessoais que trazia no bolso da camisa. Fez uma ligeira refeição e deixando o prato em cima da cama dormiu a noite toda.
No dia seguinte, acordou por volta das dez horas da manha, um lindo dia de sol. Arrumou o quarto, que deixara meio em desalinho na noite passada. Vestiu-se e logo depois já estava la em baixo na recepção. Acendeu um cigarro e partiu para a rua em direção uma igreja, que parecia ter sido encontrada de propósito para amainar a sua ira aparentemente sem motivo. No interior da casa de oração ele foi acalmando-se gradativamente, neste momento já conseguia dominar e ordenar seus pensamentos. Mais calmo, bem mais calmo olhou nitidamente para todas as imagens que via em sua frente e às vezes também as que viam no entorno dos olhos. Santos e santas de diferentes tamanhos e formatos davam a ele a impressão que ao sair dali, tudo iria voltar ao normal. Que normal? Mas, realmente de que normal estamos falando? La fora a vida da pacata cidade corria normalmente. Apesar de o tempo e a temperatura já parecia estar mudando, um vento forte soprava em direção à igreja matriz na praça da aclamação. Quando mais tarde, já restabelecido do acontecido ele saiu e caminhando apressadamente voltou à pousada. Em la chegando pensou com sigo mesmo. Passara o dia inteiro e nada de concreto conseguiu fazer porque alem de estar muito tempo envolvido em seus pensamentos introspectivos agora uma forte pressão na cabeça fazia-o desesperar-se novamente. E depois de tomar um chá morno sentou-se na cama de seu quarto e leu mais demoradamente as suas anotações.
Cada novo dia e um recomeço. A esperança de dias melhores sempre deve acompanhar nossos pensamentos para que possamos assim desenvolver dentro de nos mesmo uma positividade que vai nos impulsionar para frente. Somente a determinação pode fazer com que vençamos as lutas que travamos dia-a-dia. Com este dito começamos mais um amanhecer e desta vez nosso herói ou anti-heroi vai partir para a luta e com ele também a vontade de superar os seus traumas e suas desilusões. Deixou a pousada hoje somente na parte da tarde, La pelas três horas e foi ao posto telefônico tentar novamente falar com seu parente. Novamente não conseguiu que a comunicação se completasse. Enquanto não encontrar a pessoa procurada não poderá dar inicio ao seu proposto na cidade. Diante do fato , mais angustia e sofrimento sentia , estava atado a este fato. Ao voltar para a pousada passou pela igreja matriz e resolveu entrar, procurou sentar mais ou menos no mesmo banco do dia anterior e ver e observar as mesmas imagens. Orou com toda a forca que tem em seu interior, meditou, pensou e acalmou seu coração. Saiu um pouco melhor do que entrou, caminhou pela rua até a pousada e agora sim entrou, subiu e ficou sentado na cama pensando em sua vida e no que poderia fazer para encontrar o seu parente e solucionar em parte seu problema. Esta noite, porem, quase não teve sono e não dormiu. Cansado e muito nervoso, ainda tonto procurou o relógio e pode verificar que eram seis horas da manha. Levantou-se cambaleando, tateou a parede ate encontrar a fechadura da porta do banheiro, tomou um banho, bebeu um café simples, vestiu-se como de habito e tentou sair à rua, mas não consegue, chamou a dona da pousada pelo interfone, que de imediato subiu ate o seu quarto e encontrou-o desmaiado em cima da cama.
Quando o medico da cidade chegou, nada mais pode ser feito. Antonio já não mais pertencia ao nosso mundo. Estava aparentemente sóbrio, mas, realmente, ninguém poderia diagnosticar como ele sentiu-se antes do ocorrido. A verdade e que Antonio sofria a alguns anos de refugio na doença^ um mal que significa o fato de o individuo procurar na neurose um meio de escapar aos seus conflitos psíquicos. Esta expressão gozou de grande favor com a difusão da psicanálise, estendendo-se hoje, não apenas ao domínio das neuroses, mas ainda ao das doenças orgânicas em que pode ser posta em evidencia um componente psicológico. O paciente procura evitar uma situação conflitual geradora de tensões e encontra, pela formação de sintomas, uma redução delas.
Dona Carmencita (dona da pousada) providenciou todos os procedimentos necessários para proporcionar ao seu estranho hospede um velório e um enterro digno, deixando transparecer que de há muito o conhecia.


Jose Carlos de Arruda
 
DISTANTE DO CENTRO

MOMENTOS

 
Em todas as partes do mundo, há o inesperado momento capital.
Que causa espanto quando chega,
Entra sem bater, como um selvagem e faminto animal.
Não é bom, é quase sempre diferente da mão que aconchega.

Estar ou não estar preparado, para isso não importa.
Haverá na maioria das vezes decepções e amarguras,
Que por mais que você lute contra, o seu coração não comporta,
Nem que o mesmo seja amplo, será corroído por coisas impuras.

Aos poucos você sente que é hora de optar.
No amanhã a solução de agora, esbarrando hoje, lembrando ontem.
Com os pensamentos dilacerados, acha que melhor é parar.

Para você é difícil, para os outros é fácil, pois que cantem.
A todos competem, vem de encontro, isso não se pode negar.
Que ninguém se preocupe, e que a todos encantem.

José Carlos de Arruda.
 
MOMENTOS

A REVOLTA DO POETA

 
A REVOLTA DO POETA

O poeta é um homem especial, tem uma sensibilidade diferente dos demais, sendo assim é mais apurada mais marcante em sua personalidade, porém não deve ser subestimado em sua inteligência, como geralmente a sociedade burguesa o faz quando empurra goela adentro seus conceitos demagógicos de política perfeitamente correta. O poeta é um sonhador, nem por isso deixa de ser realista e deve ser respeitado como um artista, o artista da palavra.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA.
 
A REVOLTA DO POETA

ERRO

 
Quando eu
Cheguei
Ela saiu
Na noite.
Havia decisão.
As luzes da rua
Ofuscavam seu corpo.
Vozes se faziam ouvir.
Por entre
As plantas do jardim.
Ninguém estava
Mais duvidoso
Do que eu.
Para saber o que
De verdade aconteceu.
O que aconteceu?
Estavas errada em me amar.
Estavam todos errados em me aceitar.
Errados.
Profundamente.
Quando era mais jovem
Não pude ver realmente você.
Porque estava sonhando.
Hoje não vejo mais o que via.
Onde está você?
Estão todos errados
Errados profundamente.

José Carlos de Arruda.
 
ERRO

AFIRMAÇÃO

 
AFIRMAÇÃO

O ouro é sempre ouro!
Transformado em jóia
Ou ainda em bruto.
A aparência pode mudar
Mas a essência é a mesma.

Qualquer que seja
A nossa aparência
O homem é sempre homem!
Quando seu corpo é ¨destruído¨
A sua essência jamais se destrói.

José Carlos de Arruda.
 
AFIRMAÇÃO

OS PRIMEIROS RAIOS DE SOL

 
OS PRIMEIROS RAIOS DE SOL


Todos os dias quando começava suas tarefas ele lamentava-se da vida. Falava de todos os problemas que o perturbava. Estava sempre de mau humor e sempre de cara fechada. Certo dia um pseudo amigo perguntou o seguinte:
__ Alcides, porque você está sempre assim?
__ Assim como?
__ De mal com a vida.
__ Me deixe, sou assim mesmo, até parece que você não me conhece.
__ Deixa disso e parte para uma nova vida.
__ Não tem jeito.
__ Tem sim, é só você querer.
__ Está bem. Deixa pra lá. Estou na minha hora e tenho que ir.
__ Até breve, um abraço.
__ Até, obrigado.
Cada qual seguiu seu caminho. Alcides foi naquele dia para o médico, porque tinha uma consulta marcada e seu¨amigo¨ foi trabalhar. Mais tarde, lá por volta das quatro horas os dois se encontraram novamente, daí conversa vai, conversa vem, Alcides sem mais sem menos chegou para ele e perguntou:
__ Olha, o dia até agora não foi dos piores, mas eu tenho uma dúvida que está me intrigando.
__ Diga, Alcides, coloque o problema para a gente conversar.
__ Por que você sempre se preocupa comigo?
__ É simples, porque eu tenho certo apreço pela sua pessoa.
__ Sim, mas justo eu?
__ Essas coisas não tem explicação, você não acha assim?
__ Verdade, a vida tem dessas coisas.
__ Melhor a gente deixar isso de lado não acha?
__ Acho sim.
__ Até.
Alcides dificilmente conseguia terminar o que iniciara, seja no trabalho, em casa, em seu convívio social, enfim tudo em sua vida era dificultoso, problemático, inclusive esta convivência com seu amigo. Às vezes pensava: será que não estou exagerando? Mas logo chegava a conclusão que não. Era de fato realidade. Gostaria que fosse um pouco diferente, porém sempre acontecia de os problemas existirem realmente e ele não sabia conviver com eles, ou pelo menos pensava assim.
Pasavam-se os dias e nada de novidade acontecia na vida de Alcides, até que recebeu, na mesma semana que fora ao médico, um telefonema deste chamando-o ao consultório, o Dr. Luís Carlos, cardiologista renomado, queria vê-lo novamente para fazer-lhe algumas perguntas que não foram feitas na primeira visita. Alcides ficou um tanto preocupado. Pensou, pensou e no dia seguinte aos acontecimentos, foi logo cedo a nova consulta. Conversaram muito e o médico então revelou que seu problema cardíaco era sério. Cardiopatia grau III. Alcides levou um susto. E como de nada adiantava sensibilizar-se tanto com a sua nova realidade, tratou logo de sair do consultório e ir andando pela rua no meio da multidão. Neste dia não foi trabalhar, não pode suportar tanta desilusão com a vida.
No dia seguinte, quando Alcides abriu a janela do quarto e olhou para o céu viu-o carregado de nuvens prenunciando uma chuva e ventos fortes, sentiu que precisava ser mais forte do que estaria sendo até a presente data, sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, uma leve pressão na nuca e os olhos começaram a encher-se de lágrimas as quais pode sentir escorrer suavemente pela face, mas com um detalhe importante, queimava o rosto como se fosse fogo. Não se deixou abater, parece que pela primeira vez sentiu-se encorajado e dali mesmo apressou-se e tratou de ir logo para o trabalho. Alcides sentiu-se um pouco melhor e porque não dizer: bem melhor.
Encontrou seu amigo quase na entrada do edifício onde trabalha, começaram uma conversa rápida, como de costume.
__ E aí Alcides o que conta de novo?
__ Fui ao cardiologista de novo.
__ Por que de novo?
__ Ele telefonou-me para uns esclarecimentos.
__ Alcides, estou achando você tão abatido com isto.
__ Fiquei, mas já estou melhor.
__ Meu caro, está não. Você pode se abrir comigo, mas melhor você não está, pelo contrário.
__ Daqui a pouco você vai perguntar se morri.
__ Não é para tanto, amigo.
__ Estou indo para minha sala, até mais.
__ Melhoras, Alcides.
Neste dia Alcides trabalhou muito, colocando umas tarefas em atraso e nem percebeu que o dia passara tão rápido que já se fazia tarde. A noite se aproximava sorrateiramente. A chuva forte e o vento frio foi uma constante durante todo o dia. Um pouco diferente dos dias aqui no Rio de Janeiro. A verdade é que Alcides mesmo sabendo da gravidade de seu estado de saúde parecia estar melhor. Todos notavam sua melhor disposição no trabalho e também em sua vida pessoal. Nem mesmo ele sabia o que estava acontecendo.
As dores de cabeça estavam aumentando e Alcides estava tentando conciliar todos os seus compromissos com o tempo que deveria destinar para as suas idas ao médico e o seu tratamento. O Dr. Luís Carlos recomendou menos esforço físico, o que, para Alcides é uma piada. Ia levando a vida como podia Um comprimido aqui, outro ali entre tudo isso um café com leite e bolachas de água e sal.
Alcides e seu amigo encontraram-se de novo.
__ Como vai indo, Alcides.
__ Estou melhor.
__ Não estou notando isso não. Como pode estar melhor assim todo arruinado?
__ Não estou arruinado.
__ Desculpa, Alcides, somente sou seu amigo.
__ Que amigo é esse?
__ Digo o que sinto, sou seu amigo.
__ Seria melhor que não fosse meu amigo.
__ Não seja ingrato, Alcides.
__ É melhor pararmos por aqui.
__ Estou tentando ajudar você.
__ Então não ajude-me mais.
__ Por que isso, Alcides?
__ É melhor assim.
Daí em diante a amizade com Alcides estava comprometida. Dois amigos de tantos anos estavam rompendo uma relação de amizade e cumplicidade muito forte. Como se um cristal se quebrasse e talvez jamais se juntassem outra vez. Mas acontece.
Alcides e o seu médico, Dr. Luís Carlos estavam na luta contra a enfermidade que atingia-o. Remédios e controle, dieta e muita força de vontade para atingir a cura, cada dia era uma nova esperança, Alcides embora gravemente enfermo sentia-se mais otimista, vivia melhor com a amizade do médico do que com a do amigo que só fazia por desmerecer a sua consideração, visto que criticava e humilhava o amigo sempre que se encontravam. Os dias se passaram, sua melhora era notável, sua aparência mais saudável, a doença controlada e mais branda fazia com que Alcides levasse uma vida quase normal.
Quando somos pessimistas e deixamos a nossa fé abalada, normalmente acontece o que ocorreu com o Alcides, discutia e brigava com ele mesmo. No começo até que o amigo tentou ajudá-lo, porém diante de sua auto recusa então passou a pisá-lo cada vez mais. Alcides não acreditava nem em si mesmo. Seus diálogos eram sempre curtos e muitas vezes não terminavam. Alcides prejudicava-se sempre, graças ao seu pessimismo nato. Quando descobriu que estava doente, descobriu também que deveria lutar e não ficar lamentando-se da vida. O amigo ou inimigo de Alcides era o seu próprio interior seu rancor e revolta que nutria dia a dia dentro de seu peito. O Dr. Luís Carlos dedicou-se quase que exclusivamente a seu paciente Alcides recuperando-o para a vida. Somos aquilo que produzimos em nós mesmos. As últimas gotas de chuva ou os primeiros raios do sol.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA.
 
OS PRIMEIROS RAIOS DE SOL

ACEITE A VIDA COMO ELA É

 
ACEITE A VIDA COMO ELA É

De uma forma, podemos assim dizer, grotesca: Literatura é tudo aquilo que se escreve ou se vê escrito. Dito isto, prossigo. Nunca espere uma palavra de quem quer ficar mudo, apenas observando o seu espaço. São milhares as palavras e bem menos o sentimento que as envolve. Às vezes somente um olhar, um gesto, ou uma carícia dizem aquilo que tantas palavras não conseguem dizer. Procure observar dentro dos olhos a euforia ou a inércia que me encontro. Não me julgue por uma atitude, mas me procure ver pela amplitude dos meus pensamentos. Nem sempre podemos oferecer o que esperam de nós, porém somente nós sabemos o que queremos realmente dizer, mesmo que estas palavras sejam como o som do silêncio.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA
 
ACEITE A VIDA COMO ELA É

RIO LIMPO

 
RIO LIMPO

As águas límpidas e claras
que refletem o rosto do apaixonado.
São as mesmas que hoje, comparadas a valas
estão a ermo, abandonado.

Antes tudo era calmo e tranqüilo
Como as ondas do mar.
Hoje quase nada existe naquilo
Onde ontem era somente amar.

Um rio é um bem precioso
que todos nós devemos preservar.
O mundo espera ansioso
Que atitude devemos tomar.

O poeta contempla a natureza
que este espaço apresenta.
Num passe de mágica, a incerteza.
A trágica verdade que representa.

José Carlos de Arruda
 
RIO LIMPO

O GATO BRANCO

 
O GATO BRANCO


Nasceu de uma gata qualquer e foi colocado no jardim da casa da senhora Lúcia. Ali foi sendo alimentado com leite na mamadeira até ficar mais taludinho. Cresceu com muito carinho de sua dona que morava só naquele jardim imenso. Solteira e decidida a viver assim por muito tempo, podemos imaginar o carinho e afeição que a senhora Lúcia dedicava a ele. Há algo no amor totalmente desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram o prazer de tê-los.
O bichano chamava-se Chuvisco. Era um gato de tamanho médio, todo branco e de espantosa sagacidade. A amizade e cumplicidade entre ele e a senhora Lúcia era visível. Ele agora acompanhava todos os seus passos, de manhã, praticamente até a noite e ela logicamente adorava essa atitude felina. Se a sua dona fosse à cozinha, ele ia, se fosse ao quarto, ele ia, e assim eram os seus dias.
A luz do candeeiro iluminava a sala de leitura do velho casarão mais conhecido do bairro que moravam e de quando em vez lá estava o Chuvisco deitado todo à vontade em cima da cômoda, mas parecia um gato de porcelana chinesa, imóvel certas horas ou pulando e brincando com as bolinhas de papel que sua dona jogava no cesto de lixo, logo em baixo da escrivaninha, onde ela desenhava e rabiscava qualquer coisa, sem o menor sentido, somente no intuito de fazer o tempo passar. E por falar em passar o tempo, a senhora Lúcia e o seu gato Chuvisco iam se afinando cada dia mais. A senhora Lúcia sofria de constantes desmaios, provocado pela hipertensão mal controlada. Certo dia quando a encontrei desmaiada sobre a cama notei que Chuvisco lambia sua face vagarosamente, e com os meus chamados ela foi recuperando os sentidos gradativamente. Contando é difícil de acreditar na intimidade e conhecimento que eles têm.
O Chuvisco como bom felino era muito caçador e não podia ver um inseto ou até mesmo um passarinho que o abatia e levava o que sobrava do bicho para debaixo da cama onde dormia sua dona. Quando isso acontecia ele sumia às vezes uma tarde inteira e ninguém sabia dizer onde o Chuvisco estava escondido. Quando pela noitinha ele aparecia com cara de inocente podia contar que ficaria algum tempo sem aprontar, mais quando se esquecia do que tinha feito, inventava logo outra coisa ainda pior. A senhora Lúcia com a vassoura e a pá na mão, lá ia ela limpar e desinfetar o chão.
Este gato jamais perdia o seu charme e a sua elegância, mesmo diante de situações um tanto ao quanto embaraçosas. Não gostava de chuva, porém passeava pelos cômodos da casa com suas patas enlameadas sujando-a toda. A senhora Lúcia mais uma vez com um pano de chão úmido enrolado no rodo fazendo a limpeza devida. Chuvisco brincava com tudo que via, canetas em cima da mesa, os manuscritos de sua dona, revirava cestas de lixo, sempre alegre e majestoso, nunca triste, somente nos dias que a senhora Lúcia estava doente.
Chuvisco somente mudou um pouco seu comportamento quando a senhora Lúcia conheceu um homem de meia idade chamado Juvêncio, mesmo assim não se fez de rogado e dois ou três dias depois Chuvisco já estava amigo de Juvêncio que também gostava muito de animais, muito embora tivesse uma predileção por cães mais do que por gatos. E de um jeito ou de outro este gato esperto ganhou mais um admirador. Esta convivência pacífica e verdadeira perdurou por muitos anos.
A senhora Lúcia e Juvêncio quando estavam no quarto nos momentos mais íntimos do casal, Chuvisco estava do lado de fora da porta, à espreita, de tal maneira posicionado, que qualquer movimento diferente ele já espichava o rabo, como querendo participar no bom sentido do que estava acontecendo.
Assim como este, existem outros casos idênticos por aí, mas não com o mesmo teor de brilhantismo quanto o conto do gato branco.

JOSÉ CARLOS DE ARRUDA.
 
O GATO BRANCO

MADRUGADA

 
A chuva, o vento e o frio
São pontos de referência
Na boa madrugada.
O tempo que custa a passar
A angústia a te perseguir
E os pensamentos
Incessantes.
Ambiente hostil
Será mesmo?
Faz bem para o espírito
Sinto-me bem.
Mas é preocupante.
Também é fascinante.
Mas como pode?
Duas fazes:
O bom e o mau.
O sim e o não.
Madrugada de todo o sempre
Para todas as horas.
Que insanidade!
Mas é linda
É perigosa e instigante.
Madrugada boa.
Minha vida
Meu estilo
Madrugada voa
Minha passagem
Meu recanto
Minha fuga
Meu delírio.
Madrugada teu nome
Diz-me tudo
Conduz-me e
Fascina-me
Madrugada me ensina
A fugir de você.
Madrugada me deixa
Retornar e amanhecer

José Carlos de Arruda.
 
MADRUGADA

A QUEM INTERESSAR POSSA

 
Da noite fria tira-se prazer em quantidade.
Do dia de sol forte o outro lado do fato.
Do dia e da noite, vemos fraternidade.
Existe o pão que alimenta o pobre.
Existe o órfão sem nome.
Há o coração que bate no peito,
Sem responder a quem chame.
Há a clava na mão do justo,
Que ninguém a tome!
A participação do indesejável
É ajudada pelos que mandam.
As pessoas justas nem sempre andam.
Porque o bem e o mal caminham juntos.
Numa estrada de espinhos.
Todos deveriam saber que a vida é curta.
E que o caminho do mal sempre se encurta.
Para que os menos avisados o sigam.
Atentem para um cão amigo preso pelo pescoço.
Agora vejam um amigo cão que lhes pisa.
Seria difícil compreender que o bem existe?
E que geralmente este bem está no simples e no puro?
O amor está aí!
Está em todo lugar.
Deve ser difícil para muitos.
Porque as pessoas não acreditam no natural.
Deve ser difícil olhar em volta.
Porque ninguém para e pensa.
Mas seria tão difícil
Estas palavras aceitar?

José Carlos de Arruda.
 
A QUEM INTERESSAR POSSA

APOCALIPSE

 
É o último livro.
Aqui tem início
A complexidade extrema.
O poema do apelo e do perdão.
Como seria bom o entendimento
Entre as Nações.
O fim está próximo
É preciso que nos preparemos.
Que este poema nunca seja verdadeiro.
É possível que só exista aqui.
Essa história de o mundo acabar é antiga.
E até hoje nada.
O absurdo (ou verdade)
Dessas palavras.
Que acontecera?
Quem irá provar?
Quem irá contestar?
E se nada houver?
E se tudo cair?

José Carlos de Arruda.
 
APOCALIPSE