adormeço nos tentáculos de m’alma
à beira da praia
sinto o pensamento dos rochedos
e em meus lábios arde a flor de sal
recém-chegada da noite
escorre pela garganta seca de silêncio
a inundar o meu corpo de areia
tentando cobrir esta solidão
da sua incapacidade de expressão
e nas ondas surge um vazio
de uma concha fóssil secular
a rasar a vastidão do mar
onde ferve um tempo reprimido
entrego-me ao fundo do oceano
para encontrar outra luz outra vida
suspensa na densidade das águas
aconchego-me nos limos e nas algas
e preso na rede dos meus sonhos
adormeço nos tentáculos de m’alma
ANCORADOURO
Fica muito longe o porto onde me ancorei
Distante dos mares turbulentos e frios
Um porto fincado no meu silêncio, e
Nas vontades guardadas...
Sim já não se quer tanto como antes
As lágrimas lavaram a areia dos olhos
Um cansaço do tempo
Ainda bate um coração escasso de sonhos
De dores que não dilaceram como antes
Hoje pulsa mais manso
Minhas Lembranças são passarinhos ingênuos
Fazendo ninhos na tempestade
E, nos oceanos das minhas paixões
Uma maré de águas silenciosas
Indiferente ao barco que carrega
Viaja dentro de mim chegando onde preciso
E ancora... nesse porto onde fiz morada
Num mar mais tranqüilo, numa ilha esquecida...
Naufrágio
No silêncio dos teus olhos
Vi dois lagos tranquilos.
Procurava o meu mar,
Agitado.
Triste,
Percebi,
Que tinha naufragado…
“O doce enredo da lua” – Soneto - Duo
\\"O doce enredo da lua\\" - Soneto - Duo
Contei para a brisa e para um doce luar,
As coisas mais sagradas de meu coração.
Bordei minha lenda com os beijos do mar
E com todos os belos sentidos da paixão.
Imagens e saudades fizeram-me chorar
Pérolas em gotas em meu delicado chão.
Sozinha, lembrei de teu profundo olhar
Envolvendo-me em paz, flor e fascinação
Desnudei-me, levada pelo doce enredo da lua
Aos versos confessei toda minha insensatez
Senti entre as rimas, desejada paz, languidez
No contorno da alma, tatuada a imagem tua
Sinto a espuma das ondas, que meus pés acaricia.
Deixei-me levar, pela mão do mar,que tem pele macia.
Quartetos: Karla Bardanza
Tercetos: Glória Salles
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Contrariando as leis...
Contrariamente às leis da natureza,
Sou eu fêmea em cio,
Que o penetro lentamente
E me sacio na sua frescura
Inebriante.
Mato nele toda a minha sede
Todo o meu calor,
Tão grande é por ele
O meu amor
Que mergulho tão fundo
Até desaparecer
Da vista do mundo.
Meu macho mais que poderoso
Que me recebes dentro de ti
E me abraças com a tua força
Imensurável tão meiga
E afável, que sempre senti.
Minha paz, meu azul
Minha cor da vida,
Meu mar,
Meu amor.
ÚLTIMO MAR
Hoje vi…vi o sol ,
No meu pensamento se eclipsou.
Tudo ficou escuro, sem sentido,
Tudo se aproxima…vai chegar…
O ÚLTIMO MAR !
Aproveitei a escuridão,
Para entrar na noite acordado.
E sem queixas do passado,
Anseio pela próxima visão.
Hoje vi…vi a lua,
Espelhada num rio…frio,
Nas águas escuras, do teu sonhar.
Tudo se aproxima…vai chegar…
O ÚLTIMO MAR !
Nem o dia, nem a noite
Me devolveram o viver,
Que troquei outrora no caminho
Pela inspiração para escrever.
Hoje vi…vi os teus olhos,
Reflectidos...molhados a ler
Num espelho de papel amarrado.
Tudo se aproxima…está a chegar…
O ÚLTIMO MAR !
Palavras caladas, sentis-te
Com odor a azul riscado,
Aquelas que nunca ouvis-te
Por eu sempre amar calado.
Hoje vi...revi o amor,
Perto de ti...de mim...
Numa maré...numa onda,
Que se aproxima...que já chegou...
NO ÚLTIMO MAR !
pedro V.S.
Mistérios entre a lua e o mar
A lua faceira recostou-se no mar,
hipnotizou-se pelas ondas inconstantes
e o brilho das águas,
e assim quis logo o mar, que lhe jurou noites de amor,
Mas sem amarras, o mar era liberto e nada lhe podia prometer !
A lua entristecida resolveu então,
só admirar as intrigantes e misteriosas
águas do mar ...
Entreter-se suas madrugadas com a melodioso som das águas,
E o mar não contentado
tenta conquistar a lua romântica,
e enternecida de ilusões,
a mostrar-se numa exuberância,
chamando-a, e envolvendo com suas ondas insaciáveis...
Sem forças para resistir a lua pergunta :
Para onde mar, queres chegar ?
" Tu lua descobrirás o meu verdadeiro mundo,
e saberás meu verdadeiro amar,
e lá poderemos reinar ... "
...E assim sucede-se o eterno mistério entre a lua e o mar ...
- Trazes-me o Mar -
Trazes o Mar nas pernas.
No teu leito um Rio apenas.
Traz-me o Mar e deita-o ao lado de mim.
Embala-me a vida...
Desagua o Rio que trazes até ao alto Mar de mim!
Marca-me muito!
Na pele deixa-me o rasto
...de todos os Rios...
... de tudo que no teu corpo corre...
... até mim!
Tento te ver por entre vestígios de luz e salpicos de mar ...
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Vejo o beijo mareando na pele azul de dois céus,
Comunicando através das lágrimas secas e molhadas
Vejo feixes de luz alcatroando a estrada de ouro e de prata
Vejo o pestanejar suave do mar na noite apresada
Vejo a vela raiada do sol, substituindo o negro das borbulhas douradas
Vejo o círculo … fechado … aberto … na horizontal … na vertical … de tudo o que é céu…
Vejo na alquimia das marés, a poesia de baloiço que traz e leva horizontes …
Horizontes que aqui defino, que aqui semeio:
Horizonte Tranquilo
Nessa lonjura que as promessas comprometem
Se extingue a solidão num reconfortar de mar
Horizonte (in) Tranquilo
Numa brisa crescente que amarrota o estômago num acenar
Os olhos ganham velas imaginárias, esbofeteadas pelo ondular
Horizonte Nocturno
O frio escurece as luzes das embarcações nos sons húmidos das ondas
Enquanto a lua inveja o farol que rodopia perante as estrelas mudas
Horizonte Saudoso
O espelho mais fiel ao reflexo da alma, buscando a parte que falta
Para lá da memória dos afectos, para lá do azul sem fim
Horizonte Longínquo
O céu tremido e distante embarga as saliências da morte,
No azul orvalhado que não obedece ao incómodo dos olhos
Horizonte (morto) Novo
O espírito fecha os estores e se desprende na brancura dos azuis
Gotejando gotículas solares, irrigadas de sal humano
Horizonte Teu
Aquele que não vejo mas sinto, quando refino o silêncio no peito erguido e te procuro …
E tu me respondes na voz do vento, no arrepio profundo das lágrimas, no sofrimento das estrelas …
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Musica
Come Home to Me -Tim Janis Ensemble
Foto pessoal-Praia dos Salgados
É este mar...
Nada é meu!
Tudo é pertença do universo
o quinhão que me cabe
é este mar, este sol
e gotículas de poesia em cada verso
Faço do colmo da minha alma
A estrutura oscilante
da mais bela ponte palafita
Corre-me um rio de pés salgados
a língua confrange-se-me
sabe-me a sal e maresia
São lendas nos teus cabelos
um baixel de embaraços
um lodo de sentimentos
o canto de uma sereia
o sonho de te envolver
Setúbal entre os meus braços
Maria Fernanda Reis Esteves
51 anos
natural: Setúbal