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Confesso-me órfão numa orfandade sem fim se não te vejo se não te tenho se não te escuto a deshoras nas horas que te ausentas e estás aquém de mim.
Tudo m’atropela, m’esgota e m’avassala tudo m’agita em junqueiras, estilhaços, fragmentos: - do vento ao verbo, do mar ao abismo profundo, este, que em solidão horrífica, para além de louco, m’abocanha as entranhas e me faz escrever assim.
Ah esta sede maldita de beber a taça ácida, a tal, a taça de cicuta, este olhar que não precata, não acautela ou previne as intempéries da vida; Este madrigal que s’agita na prata de tuas baladas e m’emprenha p’lo ventre, se é um quase nada …
Declaro-me órfão, d’orfandade declarada em registo e cartório, com averbamento e assento, se órfão desde sempre me sei, desde meu nascimento, se, em todo este tempo, não me foi dado o encanto de amar e ser amada …
Declaro-me órfão. E morta por outro tanto!!! Carpideiras não quero. Que se poupe no pranto! |
Mel de Carvalho www.noitedemel.blogs.sapo.pt www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por |
Tópico |
| reginamariareis |
Publicado: 16/06/2008 03:35 Atualizado: 16/06/2008 03:35 |
Muito Participativo   Usuário desde: 25/5/2008 Localidade: São Paulo Mensagens: 87 |
 Re: Declaro-me orfão Uma balada. Repleta de metáforas e outras figuras bem colocadas que enriquecem o poema! Parabéns, poeta, pela sensibilidade que jorra de seus versos! Regina Reis
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| Enviado por |
Tópico |
| Mel de Carvalho |
Publicado: 16/06/2008 21:01 Atualizado: 16/06/2008 21:01 |
Colaborador   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa/Peniche Mensagens: 2314 |
 Re: Declaro-me orfão p/ reginamariareis Regina, agradeço-lhe reconhecida o seu comentário.
Forte abraço da Mel
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| Enviado por |
Tópico |
| Fhatima |
Publicado: 16/06/2008 04:13 Atualizado: 16/06/2008 04:14 |
Colaborador   Usuário desde: 12/2/2008 Localidade: Curitiba - Paraná Mensagens: 4076 |
 Re: Declaro-me orfão Olá Poetisa! Poema de forte conotação expressiva, sentimental, os pensamentos carregam-na em devaneios dolorosos, permeado por uma amarga realidade: a solidão! Muito belo teu texto, apesar de triste! Abraços! Fhatima
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| Enviado por |
Tópico |
| Mel de Carvalho |
Publicado: 16/06/2008 21:04 Atualizado: 22/06/2008 18:36 |
Colaborador   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa/Peniche Mensagens: 2314 |
 Re: Declaro-me orfão p/ Fhatima Sem dúvida Fhatima. A solidão é a pior das morte, sendo que se pode manifestar mesmo na presença e em presença de milhares de pessoas.
Um enorme e reconhecido abraço Mel
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| Enviado por |
Tópico |
| sandrafonseca |
Publicado: 16/06/2008 21:14 Atualizado: 16/06/2008 21:14 |
Colaborador   Usuário desde: 15/8/2006 Localidade: Mensagens: 2579 |
 Re: Declaro-me orfão "Confesso-me órfão numa orfandade sem fim se não te vejo se não te tenho se não te escuto a deshoras nas horas que te ausentas e estás aquém de mim."
É a máxima expressão da falta de outro ser que se pensa complemento vital. Sua poesia é um movimento contínuo e crescente. Como é bom te ler. Beijos.
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| Enviado por |
Tópico |
| Mel de Carvalho |
Publicado: 16/06/2008 23:21 Atualizado: 16/06/2008 23:21 |
Colaborador   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa/Peniche Mensagens: 2314 |
 Re: Declaro-me orfão p/ Sandra Fonseca É, minha amiga, existem solidões mesmo "estranhas" que nem sequer têm a ver com presenças...
Bom, muito bom mesmo, saber-te neste poema.
Beijo enorme Mel
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