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Poemas :  Declaro-me orfão
Tags:  poema de amor    balada  
 
Confesso-me órfão
numa orfandade sem fim
se não te vejo
se não te tenho
se não te escuto a deshoras
nas horas que te ausentas e estás aquém de mim.

Tudo m’atropela, m’esgota e m’avassala
tudo m’agita em junqueiras, estilhaços, fragmentos:
- do vento ao verbo, do mar ao abismo profundo,
este, que em solidão horrífica, para além de louco,
m’abocanha as entranhas e me faz escrever assim.

Ah esta sede maldita
de beber a taça ácida, a tal, a taça de cicuta,
este olhar que não precata, não acautela ou previne
as intempéries da vida;
Este madrigal que s’agita na prata de tuas baladas
e m’emprenha p’lo ventre, se é um quase nada …

Declaro-me órfão, d’orfandade declarada
em registo e cartório, com averbamento e assento,
se órfão desde sempre me sei, desde meu nascimento,
se, em todo este tempo, não me foi dado o encanto
de amar e ser amada …

Declaro-me órfão. E morta por outro tanto!!!
Carpideiras não quero. Que se poupe no pranto!


Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
www.maresiademel.blogs.sapo.pt
***
MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA

Autor
Mel de Carvalho
Autor Mel de Carvalho
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Texto
Data 15/06/2008 18:26:23
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
reginamariareis
Publicado: 16/06/2008 03:35  Atualizado: 16/06/2008 03:35
Muito Participativo
Usuário desde: 25/5/2008
Localidade: São Paulo
Mensagens: 89
 Re: Declaro-me orfão
Uma balada. Repleta de metáforas e outras figuras bem colocadas que enriquecem o poema!
Parabéns, poeta, pela sensibilidade que jorra de seus versos!
Regina Reis

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 16/06/2008 21:01  Atualizado: 16/06/2008 21:01
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2311
 Re: Declaro-me orfão p/ reginamariareis
Regina,
agradeço-lhe reconhecida o seu comentário.

Forte abraço da Mel

Enviado por Tópico
Fhatima
Publicado: 16/06/2008 04:13  Atualizado: 16/06/2008 04:14
Colaborador
Usuário desde: 12/2/2008
Localidade: Curitiba - Paraná
Mensagens: 3905
 Re: Declaro-me orfão
Olá Poetisa!
Poema de forte conotação expressiva, sentimental, os pensamentos carregam-na em devaneios dolorosos, permeado por uma amarga realidade: a solidão!
Muito belo teu texto, apesar de triste!
Abraços!
Fhatima

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 16/06/2008 21:04  Atualizado: 22/06/2008 18:36
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2311
 Re: Declaro-me orfão p/ Fhatima
Sem dúvida Fhatima. A solidão é a pior das morte, sendo que se pode manifestar mesmo na presença e em presença de milhares de pessoas.

Um enorme e reconhecido abraço
Mel

Enviado por Tópico
sandrafonseca
Publicado: 16/06/2008 21:14  Atualizado: 16/06/2008 21:14
Colaborador
Usuário desde: 15/8/2006
Localidade:
Mensagens: 2500
 Re: Declaro-me orfão
"Confesso-me órfão
numa orfandade sem fim
se não te vejo
se não te tenho
se não te escuto a deshoras
nas horas que te ausentas e estás aquém de mim."

É a máxima expressão da falta de outro ser que se pensa complemento vital.
Sua poesia é um movimento contínuo e crescente.
Como é bom te ler.
Beijos.

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 16/06/2008 23:21  Atualizado: 16/06/2008 23:21
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2311
 Re: Declaro-me orfão p/ Sandra Fonseca
É, minha amiga, existem solidões mesmo "estranhas" que nem sequer têm a ver com presenças...

Bom, muito bom mesmo, saber-te neste poema.

Beijo enorme
Mel

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)



Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)