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Poemas :  Pleonasmo
Tags:  instrospecção  
 
Redundâncias
verbos sempre moídos
substantivos abstractos d’horas inquietas.

(co)agito,
agito-me e vomito golfadas de sangue d'astros
p’los poros fechados dos dedos
ao mesmo tempo que esgoto a testa pálida,
que limpo do suor, em punhos hirtos.

Pleonasmo
nos espelhos d'águas translúcidas
e lagos logo gelados.
[aqui e além, oiço a desoras, o relógio de cuco.
soluça na voz dum fado…]

Miragens auspiciosas
de metáforas invictas e logo as memórias
desfocadas dos tempos
em que os verbos se conjugavam sempre no infinito.

Pleonasmo eu própria
em passos retardados na areia húmida
e oiço-as claras, as mulheres da praia norte,
em eufemismos monocórdicos transmutadas de gaivotas…

Cerro os olhos de tão abertos
recorto os dedos numa lâmina de sílex
e vêm-me à memória os versos

“são loucas … são loucas”

quando, num gesto inconfesso, nesta distância,
cirzo contigo a saliva de nossas bocas.

Avanço
entranço lonjuras redundantes.
macrologias ilógicas. analógicas trigonometrias.

...

O pleonasmo confesso
cose agora as redes dos pescadores da lota antiga,
esvaziadas de tão rotas…

... pleonasmo-me perpétua, sigo!


Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
www.maresiademel.blogs.sapo.pt
***
MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA

Autor
Mel de Carvalho
Autor Mel de Carvalho
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Texto
Data 17/06/2008 21:47:26
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O relojoeiro sem tempo
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A medida exacta
Sem palavras, meu amado
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Zélia Nicolodi
Publicado: 17/06/2008 22:01  Atualizado: 17/06/2008 22:01
Colaborador
Usuário desde: 18/1/2008
Localidade: Curitiba - PR.
Mensagens: 1200
 Re: Pleonasmo
Querida Mel... Confesso que às vezes, quando leio seus poemas, tenho que apelar para o dicionário!
Meu vocabulário não é assim tão rico como o seu...Mas, vale a pena! Adoro ler o que você escreve...
"quando, num gesto inconfesso, nesta distância,
cirzo contigo a saliva de nossas bocas..." Isso é lindo demais!
Beijos de luz e muita alegria para você!

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 18/06/2008 10:07  Atualizado: 18/06/2008 10:07
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2311
 Re: Pleonasmo p/ Zélia Nicolodi
Querida Zélia,

a vida é um aprendizado constante. Se, de alguma forma, os meus poemitas permitirem acrescentar algo a alguém, já me considero útil.

Com todos aprendo, do verso à verve, do sentimento à mensagem. Tu és uma das que mt aprecio e que me toca.

Beijo enormemente grato
Mel

Enviado por Tópico
Karla Bardanza
Publicado: 17/06/2008 23:25  Atualizado: 17/06/2008 23:25
Colaborador
Usuário desde: 24/6/2007
Localidade:
Mensagens: 4540
 Re: Pleonasmo
Quisera podermos sempre conjugar os verbos no infinito...Que possamos todos encontrar os nossos pleonasmos e sermos claros como água.

Karla Bardanza

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 18/06/2008 10:11  Atualizado: 18/06/2008 10:13
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2311
 Re: Pleonasmo p/ Karla
Karla,
se nem sempre a vida nos possibilita conjugar verbos de forma infinita, possibilita-nos a infinitude da matéria. Aqui ou além, pó ou sal, seremos!

Beijo grato
Mel

Enviado por Tópico
HorrorisCausa
Publicado: 18/06/2008 00:26  Atualizado: 18/06/2008 00:26
Colaborador
Usuário desde: 15/2/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 2765
 Re: Pleonasmo
a fusão da temática com os recursos estilísticos surtem efeitos musicais perpétuos.

bEIJO

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 18/06/2008 10:10  Atualizado: 18/06/2008 10:10
 Re: Pleonasmo
UM POEMA BEM PROFUNDO MAS MAGNIFICA A SUA ESCRITA QUE NOS OBRIGA A REFLETIR E MEDITAR BEM NAS PALAVRAS, ADOREI AMIGA POETISA.

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)



Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)