O ruído da ausência corre nas vísceras do tempo
como o café que arrefece em cima da mesa
enquanto o olhar teima em procurar ao longe
aquilo que o passado me guardou com destreza.
Passo os dias a contabilizar todos os passos
lembrando as palavras que ficou por falar
a distância é um caderno de linhas em branco
onde escrevo o vazio que tu recusaste ocupar.
Fixo a memória no abraço que aconteceu
nas palavras que eu disse e no beijo que dei
talvez a distância seja só essa vã teimosia
de querer os aromas que lá no tempo semeei
Diz-me o peito baixinho, num gemido mudo
que para além das palavras que o tempo desfaz
a lembrança na noite continua a ser tudo
esta presença de ruído é o que não me dá paz.
Escrito a 23/06/26