Poemas, frases e mensagens de PedritoDomus

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de PedritoDomus

Vou deixar de ser eu

 
Estou cansado de viver assim
De esconder-me,
De todos e de mim
E se eu tiver que ir
Para longe daqui
Espero ir sim,
Para não me encontrarem mais!
Fugir para uma ilha deserta
Para um bosque sem fim
Caminhar sem destino, talvez sozinho!
Pois até de mim estou farto...

Vou atirar-me de um prédio
E cair num abismo sem fim
Vou nadar em veneno
Para tentar fugir da dor
Quero morrer distante
De todos e de mim
Fugir daqui!!
Sozinho...

Quem me dera estar num quadro
Pintado, preso, sem me mexer
Passar a vida, a olhar sempre em frente
Deixou de ser importante, de repente
E se eu for, não falem mais mim
E se eu estiver no espelho
Partam-no por mim
Vistam de negro o quarto
E deixem-me caminhar...

Vou atirar-me do céu
E descobrir que asas tenho
Vou subir...
Eu tive que deixar morrer
O que era meu
Mas sei que ainda vivo
Mas estou tão só
Na multidão!

Vou segurar-me,
Enquanto caio aqui
Vou encontrar-me
No espelho talvez
Vou resgatar-me e
Pintar as paredes de branco
Para não voltar a ser eu...
Vou deixar de ser eu...
 
Vou deixar de ser eu

Amar e Errar ( Na Morte de Um Novo Amor 2)

 
Talvez por estupidez
Ou talvez por desconforto
O tempo acabou de vez
E o amor já está morto

Jurei te calar
De me afastar de ti
Mas errei ao amar
Por gostar de ti

Talvez por indecisão
Ou talvez por avisos
Amavas com o coração
E laçavas em mim sorrisos

Mas agora passou por mim
Que foi só uma semana
Deus quis que fosse assim
Pois quem erra, também ama

Adeus às mais tristezas
Ao pedidos de morte
Às tuas incertezas
De não quereres mudar a sorte

Ai, maldição maldita
Que destino cruel
A minha sina já escrita
De sempre representar tal papel

Ó vidas, sumidas,
Voltem e me levem
Sarem lá as minhas feridas
E as dores que fervem

Ó vento, continua
Leva este sentimento
Esta verdade nua
Este meu tormento

Ó esperança calada
Volta lá a falar
Sei que isto não é nada
De amar e errar

Pobre sentimento solto
Que as areias me enterraram
E não sei se mais volto
Por aqueles que me amaram

As lágrimas recônditas
Ainda estão aqui!
As loucuras benditas
Ainda esperam por ti

Calai-vos, prantos sóbrios
O tempo empalideceu
Onde estão os brios
Do esperado Romeu?

O poeta morreu
Os seus versos também
O cardo não é mais meu
E a rosa já não é minha mãe

Reza, mar, ó mar reza!
Reza por mim, por favor
Este sentimento pesa
Na morte de um novo amor...

Essa sombra modesta
Da praia, de manhã
Dela, nada resta
Não surgirá amanhã

Se o silêncio e o desgosto
Me pudessem já matar
Mostravam o meu rosto
De quando te amo ao errar

Ó sentidos diversos
Acabem-me com as estrelas
Destruam os universos
Para não mais vê-las

Rasgo o meu coração
Quem me dera não o fazer
Morro por desilusão
De ter que te perder

A fortuna é tão pobre
Quando a gente não a tem
Mas é gesto tão nobre
Poder amar alguém

Porque é que esse alguém
Não chega?
Por mim, esse ninguém?
Essa esperança me cega

Ai onde está o céu?
Onde está a sua cor
Cubram-me já com esse véu
Na morte de um novo amor...
 
Amar e Errar ( Na Morte de Um Novo Amor 2)

Na Morte de um Novo Amor

 
Espero agora que o tempo
Depressa possa passar
Eu quero que esse vento
Ouça-me e possa parar

Em exílio fiquei
Longe de ti, amor
Do sim, já não sei
E do não sou a favor

Sou poeta em prosa
Sou verso inacabado
Sou rebento de uma rosa
Sou o irmão de um cardo

Sou tristeza em desespero
Sou alegria infeliz
Sou o azul sincero
Esperando pelo vermelho que fiz

E o tempo não passa
E a tristeza não se apaga
E a caneta que me laça
Tende a tornar-se em praga

Ai por te querer tanto
O silêncio é a dor
No choro do meu pranto
Na morte de um novo amor

Na lágrima recôndita
No medo de te dizer
Essa verdade insólita
De te querer e não poder

No momento de te dizer
No futuro já passado
No meu envelhecer
No meu triste, triste fado

Amargura inquieta
Paixão sem calor
Por ti, mataria-me com uma seta
Mas não espero por teu amor

Ó voz presa em pedra
Ó fortuna da pobreza
Ó mágoa da minha perda
Perdi toda a certeza

Ó vento, vento pára
Pára de tentar curar
Essa ferida que não sara
E o tempo a passar

Ó areias que me afogam
Afogam a minha dor
Pois por mim, já não choram
Na morte de um novo amor
 
Na Morte de um Novo Amor

Fingi

 
Fingi alegria para chorar
Fingi tristeza para festejar
Fingi amar para esquecer
Fingi viver para morrer
Fingi entrar para sair
Fingi pensar para não sorrir
Pois fingi
Fingi escrever para ser feliz
 
Fingi

Cisne Negro

 
 
Pedem que eu morra então
Em vão,
No chão,
Jazido sem ninguém

E por mim suplicam
Replicam
Evitam
Que eu morra já

Bato as asas e caio sem me deter
Viver em compasso, a morte me chama
E morro com exaustão
Ingratidão que ama o meu ser!

Pára! Volta para mim
Enfim
Teu fim
Será por mim feito

E morres já
E que ele vá
Para cá
Eu poder já ser teu

E voo e voo até à exaustão
Ingratidão
Que o meu ser tem ao coração

Loucura ambígua
Crua e que cai enfim
Desce, é o fim!
Vêm até mim
Cai e cai
E ele já vai
E eu perco-me no meu ser
Sem nada poder fazer
Caio e vejo-me morrer
Com todos a ver e a ver
Morro e morro outra vez...
(De vez, de vez)

E dou por mim no meu lago
Onde me todos esperam!
Bato as asas e se desfaz
A paz
Em mim, em todo o meu ser

Bato as asas então
Até...
Bate então o coração
Então
Sou um cisne negro
 
Cisne Negro

Grito contra ti

 
Como me doí a vida
Quando fui enganado
Como morro aos pedaços
Por ter acreditado em ti
Encontro-me perdido, mal achado
Triste é não estar ao teu lado
E pertencer só a ti

Como a morte em mim implora
Que eu vá ter com ela
Choro lágrimas mortas
O que sinto ainda importa
Pois não serás nunca meu

Acabo de perder aquilo que já não tenho
Acabo de receber o que sempre tive
Ai, modesto coração puro
Como deixaste de estar seguro?
Como deixei que te levassem?

Eu peço à morte que não me leve
Para ver se não me choras
Eu queria saber porque o fizeste
Se me amavas porque me deixaste?
Perdoei todos os teus erros
Mas os meus, porém pequenos, tu não os perdoaste...
 
Grito contra ti

Cheguei ao fim (Um Resumo de Mim)

 
Até voltar a ser dia
Farei tudo demais
Perder de alegria
Não compensa o jamais
Adeus até algum dia
Que triste sombra possuo
Ai segredos ela me guarda
Vivo em corredores sem fim
Esperando que me salvem
Estou preso até o fim
Escrevi já tantas cartas
Sem ver o destinatário
Fui em tempos já Deus grego
Sedento por minha imagem
E dai tornei-me humilde.
O mundo não é só meu
Decerto não é de ninguém
Ai triste de mim
Pois algum dia sonhei
Por fim chega o fim.
Espero agora que o tempo
Depressa possa passar
Por uma lágrima derramada
Foram-me logo julgar
Ai que morro
Ai que caio.
Ai, que medo
Que eu tenho
Que tu possas acordar
Talvez por conselho
Talvez por ciume
Apaguei as chamas
E aceitei virtude.
Adeus, voltaremos
Meus irmãos
A voz que já perdi
Por presunção
Não me chorem
Não me gritem
Finjam que não existo
Finjam que não existo
Fingi
Amar para esquecer
Viver para não morrer
Escrever para ser feliz.
Como um poeta
Erguem-se espadas
Caem vitórias
Como uma luta merecida
A paz não foi devolvida
E eu
Triste eu.
Gritei
Aos céus praguejei
Que não era certo.
Silêncio
Adeus amor
Penhasco de Lucidez
Sem maldade
Roubarei mais um beijo
Imaginário.
E eu temia ir embora
Quando eu é que acabei
Por partir
Com ou sem ti
Eu me despeço.
Fingi
Ódio meu
Amo-te mas odeio-te
Estou fraco
Sonhei
Morrer então no meu exílio
Cercado no abandono
No Cemitério mais sombrio
Onde há tudo menos arrepio
Estou pronto final
Como me custa
Viver em círculo cerrado
Onde o fado do nosso amor
Vive sempre sempre parado
Preso em caixa de vidro
Lamento
O Adeus pouco merecido
Farto de tudo
Não faz mal
Adeus é o final
Adeus amigos meus
Cheguei ao fim...

Para quem já leu anteriores poemas meus, poderão notar os versos antigos que me marcaram neste percurso na escrita entre novos versos que fazem a ligação entre o passado e o presente.
Este poema marca um resumo de toda a minha vida desde que redescobri a escrita e abracei a poesia, a prosa e os contos. Espero que gostem e com a promessa de uma vida melhor repleta de felicidade e desejando, acima de tudo muita criatividade desejo-vos, leitores e escritores do Luso-Poemas um feliz Natal e um óptimo 2011.
Até Sempre
Abraços
PedritoDomus
 
Cheguei ao fim (Um Resumo de Mim)

Deus

 
Deus diz-se, que criou o universo, a vida e a morte, e sobretudo nós. Diz-se que Deus nos criou para sermos felizes mas, na verdade não há felicidade sem tristeza, bem sem mal, luz sem escuridão.
Eu estou aqui, escrevendo, porque foi Deus que me criou dando-me a tristeza, o sofrimento e a dor.
No entanto, Deus está desconcertado, pois aos bons dá o castigo, enquanto aos maus dá a vida de luxo. Eu pergunto porquê que ainda estou aqui? Porque existo?
Deus foi teimoso ao me criar e é teimoso ao não me matar. Foi Deus que cria e destrói, mas, hoje em dia, Deus não destrói, não cria, não mata, não dá vida, não ama…
Mas eu sei que ele haverá de recompensar-me. Sendo este o meu único pedido, que Deus acorde e me mate para a vida!
 
Deus

Adeus

 
Adeus, minha gente,
Não tenciono mais voltar.
Deixo a vós minha mente.
A minha forma de pensar.

Sofrimento, que és bendito.
Por todos teus companheiros.
Adeus, é o que sinto.
Ao ver-vos, primeiros.

Saudade, ai Saudade.
Que resta em meu lugar.
Por falta de liberdade.
Que tenho ao me matar.

Adeus, meus amigos,
Parentes e entes queridos.
Só a vós vos digo,
Os meus tesouros perdidos.

Adeus, não me chorem.
Já basta o que eu chorei
Adeus, para os que forem,
Mas eu nunca mais voltarei.

Adeus!
 
Adeus

Sonhei

 
Sonhei hoje
Que morria nos teus braços
Num corredor iluminado
Longe de todos os embaraços
Senti-me eu culpado.

Beijavas-me em desatino
Eu morria entre nós
Era aquele o nosso destino
Era aquela a nossa voz

A lucidez foi aumentando
E nós beijávamos
O sonho de vez em quando.

O som da tua voz perdeu-se
E a luz irrompeu-se.

Até que acordei...
 
Sonhei

A Adaga

 
A Adaga que me cravaste
No coração, volta agora
A me ameaçar
Tenho um escudo, mas de palha
Disse: ''Não irás passar''

A Adaga que me crava
No coração, vai agora
Me ameaçar
Tenho um escudo, já de prata
Diz: ''Só um pouco irás passar''

A Adaga que me cravará
No coração, foi agora
Me ameaçar
Tenho um escudo, é de ouro
Dirá: '' Rasga-me agora pois podes entrar...''
 
A Adaga

Vozes

 
Parem!
Parem ó negras vozes
Que fazem delirar
Ergueram meu destino
Como quem ergue bandeiras
Contra o vento eu estou
E vou...
Voo por tantos sóis
Voo por tantas luas
Fico triste
Quando vêm a chuva
E eu,
O elo perdido
Sou quem nunca conheceram
Morro agora por que no fim
Já não morro!

Solidão
Incenso de pura amargura
Me mata e me tortura
Como alguém que me degola
Ai morrer outrora
Sem ninguém para me vestir
Para me dar a mortalha
Sem vida para me deprimir
Soluços que me rasgam
Na incerteza amargurada
Eu já tudo
Quando agora sou nada!

Ó gritos parem já
Já ouvi que me chegue
Vou partir
Sem ninguém
Ai, vou mesmo,
Adeus!
Triste sina a minha
Mal fadada sorte
Este meu viver
Procurando sempre a morte.
Vozes que me assobiam
Deixem lá de sussurrar
Pois em breve
Convosco me irei juntar...
 
Vozes

Cântico Frágil

 
Quero agora que o céu
Chore sobre mim
Eu quero saber porque estou assim
Pensei que nunca iria sofrer por ti
Queria ter escondido as imensas lágrimas...
Mas sei que nada volta
Nunca mais...

Quero que mar me afogue agora
E me leve para bem longe
Tento ver porque afinal
Esta história acabou tão mal
Ouves o coração?
Ouve-o bater
Ele tenta dizer que acabei
De morrer!

Quero que a terra me leve
O corpo de mim
Quero que as dores cheguem ao fim
Se me amasses mesmo
Não terias feito isto a mim...
Quero viver equanto ouço os tons
Padeci a ouvir os mesmos sons...

Diz a todos que fui só mais um
Mas nunca encontrarás, como eu, mais nenhum
Dizem que eu sou tão perfeito...
Mas se assim fosse, isto não acabaria deste jeito
Quero que apagues o que me acendeste
Disseste que me amavas e no fim me esqueceste

Se eu devo morrer por estas palavras
Acho que já morri
Questionei por saber o que vinha, agora, de ti
Preso a cada suspiro teu, amando o que já foi meu
Porque é que a vida acaba assim?
De sonho para sonho
Como acabou o meu?

Isso! Deixo-te pior
Quero que saibas que te mato
Como me mataste, um dia
Como me amaste numa eternidade....
 
Cântico Frágil

Dois caminhos

 
Tenho apenas dois caminhos
E depressa tenho que desistir de um...
Um leva-me ao desconhecido
Nem o nome das suas pedras sei
Só o encontro livre por quinze minutos,
Agora...
É um caminho mais antigo
Mas nem sua idade sei!
Apenas digo que as suas pedras brilham
À minha passagem...
Outro caminho a minha idade tem
Porém tem um grande lago entre nós
Mas o caminho, diz-me em palavras disfarçadas
Que quer criar uma ponte...
O caminho diz-me que lamenta por
Eu não estar presente, no outro lado...
Este caminho parece oferecer-me algo melhor...
Porém atraio-me pelo caminho de cá,
O misterioso.
Sinto vontade de cair nas suas pedras.

Mas num súbdito desatino
Vejo-me amar dois trilhos
Até agora nunca explorados.
Havia ainda um terceiro caminho
Ah, mas esse tem as pedras demasiado sujas
Para eu as pisar!
Resta-me agora caminhar em frente,
Para, mais tarde fazer a grande escolha...
 
Dois caminhos

Quem sou eu?

 
Quem sou eu?
Que entrega a vida à ilusão?
Quem sou eu?
Que nunca controlou o coração?
Quem eu sou?
Agora que a minha mente está fechada
Pois nunca existi!
Quem sou eu?
Quem é o meu reflexo para mim?
Quem sou eu?
Que pensou que poderia morrer?
Sem mais viver...
Sem mais sombras?
Quem sou eu?
Respondo:
Sou uma Sombra
Que não pertence a ninguém...
 
Quem sou eu?

Fim

 
Já no fim de tudo,
Permaneço aqui!
Pronto para o final.

Sou aquele que não conhecem,
Mas que sempre me conheceram.
Pronto para o final.

Oriundo doutra terra sou.
Desta terra eu pertenço.
Pronto para o final.

O que quis escrever já escrevi,
Mas as palavras são ilusão.
Pronto para o final.

E no fim irei saber,
O que desde o princípio sei.
Pronto para o final.

E num universo estou
De palavras e de lembranças,
Pois renunciei da tristeza e adoptei a alegria de viver.
Pronto para o final!
 
Fim

Derrota

 
Se um olhar teu percorresse
E enfrentasse o vazio
Que reside no meu corpo
Esse vazio que me habita
Como uma gravura sem rosto
Como um cor já tão casta

Que saudades desse olhar
Que desejo de ternura
Ai, que derrota a me matar
Que oração que me penetra
Que saudade, que loucura...

Se um riso teu
Me enchesse o coração
De perdões, de sentidos,
Ai, de brios
Que sorriso
Que desdém
É um amor proibido
Que sempre me fará bem

Que saudades dessa boca
Que restos de amargura
Ai, a derrota já me toca
Prece que me roubas
Que saudade, que loucura...

Se resta então a morte minha
O sacrifício ou castigo
Derrota de misericórdia
O teu rosto não vejo
Pedi sempre em demasia
Quis somente um beijo

Que dor neste peito meu
Que remorso perdura
Ai, por pedir o próprio céu
O inferno já me invoca
A derrota da loucura...
 
Derrota

História de Amor

 
Aprendi a escrever
Na escola, na mocidade
Escrevo agora outras coisas
Da crua realidade.
Escrevi-nos juntos
Fechados num quarto
Mirava-nos espelho
Desejando imortalidade.

Sonhos de ninguém
Beijos comprometidos
Cartas dadas a alguém
Futuros coloridos.
Mas sei que essa história
Não terá final.
Escrevi bem a história
Da nossa memória
Que acabou tão mal...
 
História de Amor

Triste eu

 
Triste eu
O azul escondido no negro do luto
Do branco, do calor
Que agora espalha tumulto.
A figura formosa
Mas horrível do meu espelho
Ganha agora outra vida
Tem de mim outro respeito.

Triste eu
De saudade, de tristeza no coração
De um sentimento escarlate.
Triste ser meu que se avizinha
Que nunca me deixou
Mas que sempre partiu.
O eu é essência de ti
O mal do desejo
O pesadelo do murmúrio
O triste eu...
 
Triste eu

Reflexão da Alma

 
Doí-me a alma de tanto clima de maldade. O meu espírito revolucionário foi-se, as minhas letras foram-se. Já nada do que escrevo faz sentido. A tristeza é como um apêndice da minha alma. Nunca conseguirei separar-me dela.
Em corredores vejo casais. Uma dúzia talvez. Dentro do meu grupo de amigos surgem uns, ao mesmo tempo. Sinto-me só. Olho-me ao espelho, em casa e vejo luz. Olho-me na rua e vejo escuridão.
Não consigo mais lutar contra o mundo. Sinto esgotei todas as forças. Sinto que perdi o que um dia foi meu.
Gostava tanto de agora, após escrever este texto. A morte está em mim. Lutei e luto contra o mundo que se acha superior. Luto contra aqueles que pensam que são reis das ruas e das avenidas, que julgam governar cidades e países.
Queria pintar o meu próprio retrato da minha vida. Tentar usar cores normais. Normal...
Mas o que é ser-se normal? Será ser igual a todos? Será demonstrar a minha tristeza?
Em mim disparam, matam-me. Mas eu acordo e estou vivo... talvez a solução não seja essa.
Mas eu não vejo mais solução. Os caminhos estão vedados à minha passagem. Constroem-se revoluções para me derrubar.
Podem conseguir. Podem até matar-me de tristeza. Mas sei que não irão conseguir, pois irei sempre viver...
 
Reflexão da Alma

Pedro Carregal