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Poemas de fantasia

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria poemas de fantasia

monotype corsiva

 
monotype corsiva
 
cobre-me com teu céu amorenado de chuvas
carregadas de pecados

massageia-me com letras
libertinas, pecaminosas,
nuas, oleadas
e indecorosas

acaricias-me com as penas
de aves pagãs
roça-me
dedilha-me
aquece-me

engravida-me de versos
lânguidos
pervertidos
e ousados

escreve-me no corpo
um poema ascendente/descendente
de um jeito rimado
melódico
cadenciado

ondulante na fonte monotype corsiva
em arabescos pervertidos
pra em tua boca serem
quentes recitados
 
monotype corsiva

COLCHA DIFERENTE!

 
COLCHA DIFERENTE!
 
Colcha Diferente!

Costurei uma colcha diferente
Com retalhos coloridos de ilusão
Em cada pedacinho existente
Pespontei com fiozinhos de emoção.

Um babado largo de carinho
Com bordados dourados de alegria
Das histórias colhidas no caminho
Cheias de esperança e fantasia.

Peguei uma nuvem bem fofinha
E joguei minha colcha e vou deitar
Pedi a uma cintilante estrelinha
Vir os meus sonhos embalar.

Antes do rei sol me despertar
Com sua luz quente e brilhante
Sei que o sereno irá me ofertar
Uma rosa perfumada e exuberante!

♫Carol Carolina
 
COLCHA DIFERENTE!

Coração de algodão doce

 
 
Fiz uma infinidade de algodão doce
E atirei-o para o céu para ficares doce,
Voei até lá e fiz um coração gigante,
Nem entendeste que fui eu,
mas ficaste radiante.
.
Este poema quero rimar a olhar para ti,
Sem tirar os olhos de ti;
Apreciado, o teu incómodo pestanejar
E dizer-te tanto com um olhar.
.
Vamos ter uma linda conversa,
jogar um jogo para ver quem diz menos
até a alma ficar imersa.
.
Quero ficar assim cega de amores,
Para nunca curar todas as minhas dores.
Secreta olhando-te, eternamente
Moldando o coração com a mente.
.
O coração que moldei era uma imensidão,
Que as mariposas ficaram alienadas de emoção;
Ficou próximo do exemplar,
o que revelei por momentos,
Mas voltaram os pesadelos obscurecidos,
Para despedaça–lo num só acordar.
.
Ana Carina Osório Relvas/A.C.O.R
 
Coração de algodão doce

Perdida

 
Perdida
 
Perdida

Saio do teu corpo
completamente diluída, meio cega meio muda
sem poder abrir a boca
nesta sensação aguda
de estar plenamente despida, absolutamente sem roupa
não sei se ainda é madrugada
se
o meu ônibus já passou, se eu te atiro uma pedra
se eu lhe lanço uma flor
se
eu te entrego o meu perfume
se
eu lhe dou mais amor.

Sei que este crescente querer
é plenamente sadio, afogada em orgasmos
em um espasmo sútil
se
tu me marca e pendura, comete um erro fatal
vou lhe deixar, meu bem, amarrado
e fechar minha abertura
serei apenas o cio
de um feroz animal

SorrisodeRosas
 
Perdida

NO COLO DA LUA

 
NO COLO DA LUA
 
 
No colo da lua

Aconchegada no colo da lua
Ouvindo cantigas de ninar
Parecia que eu era filha sua
Comigo ficava a embalar

As estrelas fiquei admirando
Refletiam mil cores ao luar
Emolduravam a noite enfeitando
Um belo quadro com seu cintilar

La na rua um poeta versejava
Para encantar a sua namorada
Na janela a mocinha suspirava
Feliz o escutava apaixonada

O sereno escorregou pelo meu rosto
Na madrugada querendo me beijar
Para mim tinha o mesmo gosto
Do beijo com o qual vivo a sonhar.

Carol Carolina
 
NO COLO DA LUA

Portal da imortalidade

 
Portal da imortalidade
 
Há uma imunidade nos sonhos
Uma liberdade amorfa e casta
Uma esperança no inatingível
Toda uma veleidade intrínseca
Um indelével mundo surrealista
Na trôpega profusão das imagens

O mar pode ser um rio
O rio pode ser um lago
O lago o sal duma lágrima
E eu navego ao luar na fantasia
Na barca que me embala e alumia
Na vaga âncora da minha alma

Ao longe o céu serve de manta
À paz que engasgo na garganta
À emoção que me acomete
Sempre que o sono me remete
Para o portal da imortalidade

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos natural: Setúbal
 
Portal da imortalidade

DISPO-ME DE MIM

 
Acariciado pelo sol
Deixo a pele no estendal do vento
Para que as mãos aragem
A bafejem de sentimento…

Solto o coração às vagas
Deixo-o ser canoa de vela içada
Para que os lábios sódio
O insuflem de esperança…

Esparjo a carne no alecrim
Deixo-a marinar de odores
Para que a língua arbusto
A sacuda de amores…

Trago nas mãos a praia deserta
Onde me dispo de mim
Lanço-me na espuma que mareia
Junto à pueril areia
Do meu mar sem fim!

No cimo de um grão de argila
Iço o estandarte
De um beijo molhado
De espuma cálida.
Que poeta seria
Se despisse a fantasia
Como dispo o corpo
Desprovido de alma…!

António Casado
3 Fevereiro 2010
 
DISPO-ME DE MIM

Um dia chuvoso

 
Um dia chuvoso

A música é doce e bela ao piano tocada
por mãos de magistral e virtuoso pianista,
oiço-a sentindo uma harmonia interior. Paz.
Uma lágrima desliza, e não estava prevista!

Levei a mão à face quase instantaneamente
mas não consegui detê-la, ela se precipitara
e no solo a pequenina gota, estranhamente
parecia uma pérola que no céu se iluminara.

E desfez-se em água pura aquele pingo dúctil.
Dirigi-me a uma janela o dia estava chuvoso
choraria também o céu desta maneira subtil…

A sonata continua a sua linda e suave melodia
imaginei então, que havia um certo paralelismo…
chuva, gotas, lágrimas, musica doce e fantasia!
 
Um dia chuvoso

Beijos de cristal

 
Teus beijos...
ângulos rectos
em pleno fulgor,
sabor a alma,
preseverança e
afecto.

Teus beijos...
diversos aspectos,
rejúbilo de amor,
sensação calma,
bonança singela
após vendaval.

Teus beijos...
circunspectos,
dócil louvor
que leva a palma,
herança de ouro
de novo projecto.

Teus beijos...
supremos, directos,
de grande valor...
safira, salma,
topázio e granada
colossal.

Teus beijos
correctos,
frenéticos, suaves,
alvor, soneto,
romances arquitectos,
portas sem chaves,
talismã, amuleto,
epogeu em altos tectos.

Teus beijos
guardados,
mesmo dissimulados,
de paixão eventual,
sempre resguardados,
são peças de cristal!
 
Beijos de cristal

Poema estrelado

 
Poema estrelado
 
Fiz de um poema um colar de estrelas
Passeis-lhe uma linha, agrupei-as
Dei-lhes a forma de constelação

Tirei-as do céu, pu-las ao pescoço
Iludi-me, pensei que eram jóias
Roubei-lhes o brilho, cobri-me de ouro

A noite sombria vestiu-se de luto
Sem luz, lá no alto... um escuro de breu
Sorte que o poema era um sonho meu

Maria Fernanda Reis Esteves
54 anos
natural; Setúbal
 
Poema estrelado

A aurora

 
A aurora

A aurora vem clareando está agora despertando
de uma noite serena, o céu ainda como o cresol
começa a colorir, nuvens deslizam rosadas, ténues
na transparência frágil dos primeiros raios de sol.

O bosque ainda escurecido começa a criar vida,
o cheiro da terra húmida, as pequenas aromeiras
onde as gotas de orvalho são pérolas translúcidas
que caem e se espreguiçam nas sumas rasteiras.

As rãs cedo começam a coaxar nos pequenos charcos,
ouve-se o espanejar dos pássaros ao sair dos ninhos
das tocas rastejam os répteis espreitando nos buracos.

O sol abre raiando tudo, é vida no bosque, em louvor
à natureza que se vai abrir à azáfama de um novo dia.
A aurora dá a vez ao dia e promete vir no próximo alvor.
 
A aurora

Casas comigo?

 
Casas comigo? #1

Fecho os olhos o silencio acomoda-se
deslizando suavemente como uma lava
pesando nas pálpebras flácidas, esqueço
o domínio e vontade que o tempo traça.

Vejo o mar quieto verde e belo, espumoso
uma moça sereia dele emerge, assustadora
o corpo brilhante, olhar penetrante, agreste
os olhos vítreos sem pestanas e provocadora.

Agarra-me, fico inerte, sem força, paralisado.
Seus cabelos longos são limos, dentes de peixe
corpo escamoso, que arrepia, frio e molhado.

Sabia que estava a correr um enorme perigo
queria sumir-me e só ouvia aquele louco pedido…
acordo e com horror oiço ainda, casas comigoooo?

Vólena
 
Casas comigo?

Fantástico!

 
Fantástico!

Tranquilamente recompondo a minha figura
no sofá afofo as almofadas, encosto-me nelas
olho o tecto, vejo rectângulos em crescendo
sombras distorcidas pelos vidros das janelas.

A imaginação instala-se, aqueles riscos longos
transformam-se com o floreado das cortinas
numas borboletas esvoaçantes e picassianas
disformes que se esvaem trémulas, repentinas.

Resisto mais um pouco mas aquela dormência
amolece-se me o corpo, transcende a vontade
e a sonolência empobrece toda a clarividência.

As pálpebras cerram, esvazia-se o momento…
depois é o abandono total e o matiz fantástico
entra como um raio caprichoso no pensamento.
 
Fantástico!

QUIMERAS

 
QUIMERAS
 
QUIMERAS

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
Juntei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos que se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam
Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

rosafogo

Esta poesia escrita há muito tempo, tinha o nome de Caixa de Pandora, mas já nem recordo a razão,
hoje mudei-lhe o título, e é mais uma poesia simples que sai do arquivo.
 
QUIMERAS

Cansei

 
Cansei
 
 
Cansei de lutas, de ideais
Do meu ar certinho, responsável
De tudo o que esperam de mim
Quero ser o que não sou
E pensar um pouco em mim

Quero rir sem ser por nada
Soltar uma gargalhada
Sem me sentir observada

Talvez vista algo diferente
Mais ousado ou sensual
Quem sabe sair à rua
E gozar o Carnaval

Cansei de tanta tarefa!
Não aguento mais pressões!
Este ano vai ser diferente,
Vou viver sem restrições!

Maria Fernanda Reis Esteves
48 anos
Natural: Setúbal
 
Cansei

Aquela miúda...

 
Aquela miúda!

Eu conhecia de pequenina, era bonita e ladina
gordinha, graciosa, risonha, mas já tão atrevida,
saltava-nos para o colo, mesmo sem um convite
as mãos gorduchas faziam-me festas, divertida!

A bochecha corada, os olhos gaiatos e pestanudos.
Tinha brilho, a graça da inocência e da candura,
os cabelos acastanhados, caiam soltos em canudos
e aquele aroma fresco de criança, era uma ternura.

Via crescer, passar todas as fases do crescimento
das mais embirrantes, até a falta dos primeiros dentes,
mas sempre uma graça e marota no comportamento.

Agora, uma mulher a minha menina e nos encantamos,
alguns anos de diferença, sim, mas um grande amor
nos uniu e sem nos apercebemos… hoje casámos!
 
Aquela miúda...

Muso

 
noção não tenho
do tempo que te pensei

se ainda de tranças
laçarotes
rodopiando danças

sei lá se ainda menina
escalando mulher
já em colinas

agora num tempo
alçado
puído
cansado
apresso que saias
do sonho profundo
onde te deixei

desejo que arrebente,
o ventre das ideias
e fantasias
que engravidei para inchar
em dores de poesia

desejo que logo venhas me abraçar
pra sentir-te imenso
terno e quente
com braços, pernas e boca
pra me chamar
de louca
por te inventar

desejo que logo venhas
me libertar
da gigantesca espera
que se contrai
a me quebrar

desejo que venhas,
sim,
muito te quero
presente...
mas contenha meu intento
revogando essa minha vontade...

tua vinda
pro real seria
fatal...

mataria
palavras que te prendem
pra que eu possa sempre te
(pro) criar
 
Muso

estampa e tecido

 
és o céu?

dar-te-ei o sol na ponta de um beijo

e se sorris nascerão estrelas
e afastarei nuvens
pra deitar-me lua

prata líquida de unção
derramar-me-ei
em tua pele nua

plena de luz
em ti
resvalarei seios
raios que
meneio
feito serpentinas
ou água cristalina
descendo de ribanceiras,
feita cortina
em teu peito
o véu do meu olhar
se romperá em mar
para enxaguar teus cabelos
encaracolados novelos...

és o sol?

deitar-me-ei céu
pra sentir teu roçagar
no corpo inteiro
 
estampa e tecido

Filho d’alma

 
Filho d’alma
 
Oh, como gosto
de brincar com as palavras.
Criar, imaginar situações...
Coisas da alma aguçada
que não vê limites para fantasiar,
às vezes sorri o meu eu criador.
Das inspirações d'alma;
Das vísceras tal qual parir um filho.
Nasce não tem jeito,
o mais interessante é, que nem sempre
vivi e [ou] vivo o que escrevo.
Basta uma imagem para eu gerar,
da vida a um personagem.
Tornando-se tão real que levo o leitor
imaginar ser eu o personagem,
sim, em sua maioria, mas tantos
não o são dou vazão ao coração!

15/10/17
Guarulhos,
Às 01:49hrs
Mary Jun

Parabéns, poetas e poetisas pelo dia do escritor!
 
Filho d’alma

Uma rosa

 
Uma rosa
 
UMA ROSA

É uma rosa despida
Uma rosa só ilusão
É uma rosa caída
No mundo da solidão.
É uma rosa desfolhada
Pétalas a cobrir o chão
Tráz a fronte inclinada
No olhar lágrimas de emoção.

É uma rosa caprichosa
Saudade de quando era botão
Que fez a Vida à rosa?!
Que a deixou sem sedução!?
Rala no peito a saudade
De quando era botão.

Mas flor é sempre lembrada,
Mesmo murcha é flor!
Ainda que desbotada
O cravo lhe tem amor.
Tudo o tempo lhe foi levando
À rosa de fogo feita!
E a Vida a vai embriagando
Às vezes a deixa desfeita.

A deixa triste chorosa
Mas ela canta e implora
Já é da vida saudosa
A vida que a rosa adora.

Assim fala de amores
Quase, quase, quase a medo!
A rosa que é das flores
Que tráz em si o segredo,
Do seu perfume é vaidosa
Ao ver-se ao espelho se espanta
Fica muda e melindrada
Perdeu a beleza tanta
Deixou-a a Vida sem nada.

Partirá triste e chorosa
A flor que um dia foi rosa.

rosafogo
 
Uma rosa