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Mensagens de desilusão

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares da categoria mensagens de desilusão

*ESSE TEU JEITO

 
*ESSE TEU JEITO
 
*Esse Teu Jeito

Esse teu jeito firme
De alcançar meu coração
A palavra bem define
Guardarei com emoção.

Esse feito de querer-me
E os obstáculos vencendo
Derrubou-me, fez querer-te
Vassala me envolvendo.

Esse jeito que escrevias
Mesmo na longa distância
Foi torturas e alegrias
Foi momentos de bonanças.

Foi na escrita com jeito
Que o sonho se envolvia
E caiu sem nuvens, sem jeito
Na mesma palavra vazia.

Sonia Nogueira
 
*ESSE TEU JEITO

Revolta

 
Estou zangada com a vida

Revoltada e possuída

Tenho saudades de ser recruta

Tenho saudades de dormir em pé, numa praxe cruel

Tenho saudades da mochila com ração de combate

Tenho saudades de matar galinhas com os dentes

Tenho saudades do peso das botas a mil, acrescido do peso do cantil

Tenho saudades do desafio com cheiro a perigo

Tenho saudades de rastejar e de na lama andar

Tenho saudades de pular o muro fora de horas para que o castigo não me chegasse

Tenho saudades de tudo o que já não me aborrece

E agora de mochila em punho em missão eu ia

Rumo ao desconhecido desafio com sabor a magia

Numa missão não somos nada e somos toda a diferença

Ana Cristina Duarte

*@
Na praia à noite ao luar
X
 
Revolta

Não há volta a dar

 
A verdade é esta
a ciência e a tecnologia substituem tudo
com muita velocidade
mas nenhuma ciência restitui a minha vontade
cura a minha melancolia
a minha saudade
nenhuma ciência ou filosofia
me devolve aquele mundo
a minha verdade
de ser feliz
o indescritível prazer
de estar na eternidade
como num quadro emoldurado
de tudo o que é preciso
para que a mudança só acontecesse
a meu gosto
e eu de todos e tudo
dispensasse um juízo
nenhuma ciência filosofia arte
ou religião
nenhum conhecimento ou ação
me devolve a paixão
do que era preciso
para ser feliz
nada agora
olhando com todos os olhos
construídos
de esforços para o merecer
é o que eu queria
tudo me foi sendo negado
em nome de algo
que eu devia
fui sendo educado
e sofria
na promessa de que valia a pena
se valeu para os outros
não valeu para mim.
 
Não há volta a dar

Vesti-me de Cetim...

 
Vesti-me de cetim...
para que teu olhar
De príncipe encantado
Pousasse sobre mim
Mas depressa
Viraste um sapo
E do meu vestido de cetim
Fizeste um trapo...
 
Vesti-me de Cetim...

Essa Flor

 
Essa Flor
 
Trago para você essa Singela Flor,
Não me agradeça e nem me dirija á palavra...
Pois não quero relembrar o nosso desamor..
Cada palavra sua é como uma faca á Ferir e magoar,
Não te culpo, também foi erro meu
Por confiar em alguém que nunca sofreu..

Nosso Passado, foi um triste Fato
Que me recuso acreditar,
Que algum dia eu pude te amar!

Mas, Terei que concordar
Essa Lágrima em meu rosto á de explicar
Que mesmo dizendo esses sentimentos eu não pude Esquecer,
o quando eu fui feliz com você !

Gostaram ?
 
Essa Flor

CARTAS DE MALQUERER 1

 
Sei que já te disse adeus tantas vezes e outras tantas me despedi ao ver-te partir como os que partem e deixam uma pétala da rosa da roseira das saudades espalhada sobre a colcha da fria cama. Sei que tantas vezes suspirei que não viesses apelando a uma clemência inexistente no livro das crenças apenas para não sentir a dor de te ver partir e ficar a sós comigo sobre o lençol molhado do suor de nós.
Sempre que o telefone tocava e a tua voz me surpreendia tão meiga e quente como o verão mais ardente do vulcão do nosso querer o meu coração saltava de contente e eu que tanto desejara a tua partida ansiava agora como um louco a tua chegada. A janela já não tinha postigos para abrir de tanta ansiedade nem a porta ombreira onde bater. Escancarava a casa como quem rompe o biombo das nuvens com as mãos e deixa uma nesga de sol invadir a sensualidade de uma mistura de tudo o que se desenvolve em nós e faz almejar por algo surpreendente que nos faria perder no cubículo florido da paixão.
Breves minutos – porque a nossa história é feita de fugazes minutos – como as páginas brancas de um meticuloso jasmim ainda não inventado narram a aventura daquele apólogo que ainda não foi escrito e acredito tenha fim. O princípio é sempre o retorno do filho pródigo como ave de arribação às labaredas incandescentes dos meus braços ao braseiro incendiado dos meus beijos à fogueira em combustão da minha carne à lareira do nosso leito. Breves momentos antes da partida sentava-me sobre os ponteiros do relógio a contar os séculos – aqueles que passarão sem que te veja – tentava num fôlego atrasá-lo ficando com a estranha noção de que apenas adiava a tua permanência e o tempo que sobrava era a solidão.
Digo adeus e prometo amar-te desprendido e solto como um animal feroz que caminha pela selva numa atitude pretensiosa de querer ter a manha do leopardo a agilidade da gazela a beleza da zebra e a pujança do leão apenas para que em mim sintas a tua casa e o sol bafeje de astros o olhar. Digo adeus porque não aprendi a dizer mais nada enquanto espero no anfiteatro do sono pela vontade de querer que fiques e que nunca mais partas. Digo adeus para que possa manifestar a enorme alegria do regresso.
Se a lua ousar defrontar-me com os seus divinos braços de seda e o vento ao bulir ultrajar de sopros o jardim da felicidade entregarei o peito à noite como um guerrilheiro medieval enfrentarei os insectos com a precisão dos pássaros armado com a lança de um raio de sol e o escudo das ondas. Como um garimpeiro percorrerei o arco-íris até encontrar o pote de ouro da harmonia como o epicentro de todas as pontes que atravessam de sorrisos os rios agitados das consciências voláteis como anseios. No alforge de prata a insígnia de um abraço abrirá alas pelo universo e instalar-se-á numa artéria qualquer onde o sangue é o mensageiro de um telegrama que fala apenas de nós.
Conselhos apanho-os na erva que nasce pelos campos com o alecrim quando as árvores abrem alas e o caudal de um regato de cetim leva na enxurrada as muitas compreensões blasfemadas que predizem que te amo como a seiva se derrama pelo caule das flores e nunca mais voltarás ao terraço do meu furioso e insatisfeito querer. Um estático sorriso profetisa uma sementeira de dores e nomes onde o teu consta mesclado de essências tão rudes como o enxofre. Acredito somente no karma planetário que me revela na bola de cristal da sabedoria dos tempos que o teu regresso é apenas a consequência das flores que disponho sobre a mesa-de-cabeceira e que o teu desejo de ficar é a causa natural de um bem-estar que a fusão dos desejos proporciona porque tens um nome e é o único que a minha garganta sedenta e aflita reproduz como uma ladainha.
Amanhã é possível que as vozes do globo se unam para me dizerem que estás aqui porque sei sempre que estás comigo assim como sei que estou contigo e acredito que sempre estarás… só não sei onde estás.

antóniocasado
Inserido no projecto "Escrito ao Luar"
6 Abril 2009
 
CARTAS DE MALQUERER 1

Carta a um Triste Poeta

 
Viva, meu caro "Triste Poeta".
Soube que andas em bolandas com o "amor" e dele desdenhas, garatujas sem fim, porque padeces de alma as desventuras de uma geminação querida real, mas posta em ruína.

Pois, meu pobre amigo, preferia saber-te corno; entenderia tua inaptidão de satisfazer as damas, apesar de, no mercado, haverem à venda uns azulinhos viperinos para o efeito, mas disseram-me estares profundamente doente devido a estocadas de ciúme compulsivo que te cercaram e molestaram.
Sabes que o esterco só cheira mal se tocado e lança os seus gases venenosos sobre os incautos, não tugem nem mugem, só esperam a sua exterminação final.
Felizmente, a tudo isso, sobreviveste, estás são e salvo e chegaste a um porto seguro onde poderás chorar a amargura de uma vida boémia e solitária.
Não te amofines, amigo, mas olha que esse "porto seguro" é "deificação da beleza" corporal, o monumento feminino da graciosidade, vista por um safado como eu, mas tu, Triste Poeta, que sempre almejaste o espírito, não te comoves já com tão pouco epíteto.
Ah! Poeta, soube que alcançaste a tua "luz" e o teu "mar", que te ilumina os sonhos e te faz navegar à bolina no desejo da doação mútua, sem cedência a meras e vãs ilusões.
Meu querido amigo, Poeta Triste, de todo o coração te desejo mil venturas.
Que cresçam de vós bênçãos de louvor mútuo, poemas de eterna felicidade, sorrisos cúmplices, danças faustosas e a embriaguez espiritual, como filhos predilectos.
Atenta, Poeta, deixa de ser triste, para quê chorar desditosas odaliscas de momento?
Renasce a tua singela alma de poeta e encanta o mundo de cantos de amor!

Abraço eterno, deste teu amigo boémio, cuja vida se fina sem culpas nem desculpas.
Beija, por mim, as mãos da tua venturosa donzela.
Teu, sempre,
Cyrano

Mera reposição.
 
Carta a um Triste Poeta

Perda

 
Perda
Paulo Gondim
23/01/2015

Assim são as sobras de um grande amor
Apenas cinzas do que antes fora chama
Mergulhados na mágoa do abandono
Cada um de nós esquecido em nossa cama

Somos apenas simulacro de uma vida
Fantasmas apenas em noites sombrias
Perambulamos por nossas lembranças
Esquecidos de nossas fantasias

Perdemos o alento em nossas almas
O que ficou de nós não tem sentido
Andamos agora por vias paralelas
Pois tudo o que sonhamos foi perdido
 
Perda

Tua ausência

 
Em meus dias sobrevivo buscando-ti
olhar perdido ao horizonte incansável
em meu coração apenas ilusão de ver-te
onde te escondes ?volta meu amor
vem aquecer minha alma que congela
sem tua presença não sobreviverei
o vazio que me invade deixa apenas
tristeza em meu olhar
quero sentir o calor de seus abraços
o atlântico me impede de ir ao seu encontro
se ele soubesse o tamanho de nosso amor
uniria continentes pra presenciar esta união
 
Tua ausência

Hoje

 
Hoje escorri pela cama e
virei poça no chão,
o chão de mata-borrão
me sorveu inteira,
evaporei
no calor de uma noite sem você,
me lancei ao ar,
continuei sem rumo,
nada mudou!
 
Hoje

Devolvido

 
Devolvido
 
Não sei mesmo o que fazer em relação

ao amor.

Quando ele acontece(a dois) é sempre

unilateral.

Amo ou sou amada. Nunca, amo e sou

amada.

Almas gêmeas só na ficção.

Como dizem, no começo é um mar de

rosas, aos poucos, o espaço vai sendo

ocupado pelas lamentações.

Passamos muito tempo juntos,

murmurei enquanto lhe acenava com a

mão...

Parecia um livro na caixa de devolução.

Foi bom enquanto durou!
 
Devolvido

Ricardo

 
Caros amigos.

Alguém me sabe dizer se o senhor Ricardo ( mais conhecido por Trábis) desapareceu, se ele finou ou se simpesmente ele não liga nenhuma aos poetas que por aqui publicam
(eu publico, mas não sou poeta )
É que eu enviei-lhe varias mensagens desde do mês de Agosto e não tive a honra de receber ao menos uma resposta que fosse.

Sendo assim e condiderando este senhor, tenho andado preocupado com a sua ausência.

Obrigado

A. da Fonseca
 
Ricardo

QUEBRADA...

 
Se deixar de amar é morrer,
então morri.
Se chorar é quebrar,
estou quebrada pela dor
do teu desprezo.

Angustiado coração trespassado
pelas juras em vão
dum sentimento
por ti falhado

Nada temos em comum.

Desmembrada mente,
incapaz de sonhar quimeras
a dois.

Noites vazias pulsam no meu âmago.

Saudade repartida
em tons de nostalgia
onde se evaporam meus sonhos
dia após dia.

Perdi-me na imperfeição do amor.

Na alvorada cortante
bate incerto meu coração
descontente.

mariamateus
 
QUEBRADA...

"independe-se!"

 
 
"Fora de casa sois pinturas; nos quartos, sinos; santas, quando ofendeis; demônios puros, quando sois ofendidas; chocarreiras no governo da casa e boas donas do lar quando na cama."

(Otelo) Ato II - Cena I

da boca. do laço
em trapos e passos devassos
em suma
na corda
em forma de pólvora
por impacto
do simples impacto
proposto resultado de re-volta
em hora do pouso
exposto
ao fogo do corpo
em nuvens depostas
em tempo
de frente, tão sendo,
templo.
tão sempre..
alegoria de conflito
aço-crivo
tela-paragem, é.
esta mensagem:

- não vi..
- não-é.
- não te sei.
- não-fé..

da cura.
avulsa, ripada, risonha
prostituta, expulsa
daqui, e
assim
(desonra)
meu fim, atrevo-me
descrente, por culpa, em.
presente consulta
(não é..)
não-fé.
da mesma razão
por ensejo, porque vejo, e
não te sei..

e,

não. te tomo
ou te reclamo
quando penso
que te amo
mas não
quero.mais.(te)ser..

- não ouço.
- não-corpo.
- não exijo-te(mais..)
- vai!!

aqui.
o teu rosto/corpo/nome(todo).

deposto.

em.

declínio de carta.
de crime, e
de
fim.

longe(tão longe.. e)
de mim.

sim,
- aparta-me..

- e.

c
.a
..i!
 
"independe-se!"

VAZIO

 
VAZIO
Paulo Gondim
08/12/2014

Acho que me acostumei com você
A gente sempre se encontrava na mesma hora
Isso, quando você resolvia aparecer
Mas aparecia, mas logo também ia embora.

Um dia, dizia que me amava, e até jurava
Outro, me enchia de dúvidas e até me acusava
Como sempre, de nada que tivesse feito
Sempre foi assim esse seu jeito

Mas como tudo que se acostuma esfria
Você foi se tornando distante, fugidia
E, quando percebi, nem mais aparecia
Se escondia na noite, nem vinha com o dia

E foi aí que também me acostumei com sua fuga
Como a idade nos faz acostumar com cada ruga
Somos agora, do que fomos, meros fantasmas
No vazio frio que atormenta nossas almas.
 
VAZIO

Bela Fantasia

 
Bela Fantasia
Paulo Gondim
23/01/2015

Fizeste de meu corpo tua morada
Adentrando aos confins de minha mente
Dilaceraste minhas entranhas
Chegou e se fez dona imediatamente.

E me deixei envolver por tuas caricias
Como pobre vassalo de teus desejos
Fui vitima mortal de tua lascívia
Envenenado pelo sabor de teus beijos

E assim nosso sonho se fez real
Ignorando dogmas e virtude
Mas durou pouco. Esvaiu-se
Pela tua falta de atitude

Restou só a mágoa. Ficou a perda
E esta realidade dura e fria
Um adeus desastrado e insosso
Foi o fim de nossa tão bela fantasia.
 
Bela Fantasia

quando for

 
 
mar. de lava-fictícia
primeira corda repente
cada. causa coincidida
quimera de mim, ausente

oh, prado de cenas-lisuras
minhas cartas, minhas vénias
ao contato fio de ruptura
aos. meus olhos de ti, (e)à venda

porque alegro-me em crer
ao desafio do fogo por ritual
parte pecado e parte-carnal

porque prego-te em meu ser
ao precipício do corpo, e pontifico
margem da fé e do meu início
 
quando for

CARTAS DE MALQUERER II (REVISTO)

 
Já nada me admira! A chuva cai porque o céu está infestado de nuvens o sol brilha porque a retina capta as emissóes de luz como um espelho as flores despontam porque a raiz prende-se à terra e dela colhe a seiva o mar continua a ocupar um espaço maior e a mostrar a mesma insensibilidade glaciar que sempre o caracterizou – tu terminaste a relação com o mesmo à-vontade com que nela exististe.
Há muito que o ansiavas... Li-o nos olhos traídos pelos gestos de afecto e carinho que as tuas mãos excitadas faziam. Convenci-me de que chegara o fim e como um condenado se apresta para a execução demonstrava a mesma sórdida alegria que um pai exibe no funeral do filho. Enlutei a alma de cardos vesti-me de urtigas e como bom samaritano ainda estendi a mão trémula e insegura para te apoiar. Precisavas de um motivo... Dei-to. Foi fácil encontrá-lo no alforge da tua imensa estupidez. Quando as tuas mãos abertas me apertaram contra ti não sentiste os cacos do meu coração rasgado lançar um grito aflito e uma lágrima escorregar pelo rosto como a insígnia de uma angústia incontrolável? Voltei-me e frente a frente senti Judas beijar-me antes da forca ter proclamado o desfecho da traição.
Foste claro como é claro que a noite é escura quando me disseste que as coisas ficariam assim... Que coisas? Que haveria que ficasse como dizias? Se já limpara o gume do punhal para ceifar a nova lágrima caída na antecipação do vazio que me guardava num poço de máculas com que outra arma me feriria? Se te referias à combustão dos gases que projectam lavas de paixão sobre nos e um rasto de canteiros e projectos se sucedia como consequência da felicidade diz-me como suspender a actividade do vulcão? Que quantidade de água seria suficiente para sarar a ferida causada pelo teu olhar profundo mas indiferente? Esforço-me por entender todos os motivos vão que me estropiam a mente como o grito desesperado das almas condenadas lançado num infernal fosso sem misericórdia.
Concordo que tentes o acto desesperado de apoiares a outra relação traída pelo meu direito de te amar como o peixe suspenso na cana do pescador reclama esgrimindo no ar o direito ao sal. Claro que entendo amor! Habituado que foste às solas doss que te vergavam de ultrajes e apontavam caminhos sem nexo como se a tua vida fosse um labirinto e a única saída umas asas de cera na rota do sol tornou-se imperceptível o braço estendido que valorizava a essência de um interior repleto de raios de estrelas e que animava o âmago de ti mesmo como um dinâmo. Oh... como compreendo!
À beira do mar do sofrimento espero como um eremita o maremoto que inundará a cidade desta estúpida dependência de te ter a meu lado e numa caridosa oração lançada ao abismo imploro à angustia o naufrágio do aperto que me corta a respiração numa ilha esquecida dos mapas. Como piloto da nau do silêncio procuro um cais abandonado numa estrnha terra deserta e aí acampar sobre o teu nome numa tenda de passado. Sim... Saudades de ti! Saudades sem dor. A vida ensinou-me que é impossível sofrer pelo que já sofri e que não existem intervalos na mágoa. Por isso quando me perguntaste o que sentia pela cratera onde as tuas rudes palavras me projectavam respondi que um sismo não era uma flor. Um traz consigo a fúria da devastação e do pavor; o outro um sorriso de fascinação e o prenúncio da primavera. Quando te sorri quis acreditar que as estruturas da minha devoção estavam firmes e que a coragem embandeirada no bico de uma cegonha como troféu eram força suficiente paqra te dizer vai... fico bem... A comédia que encenámos foi tão comovente que acreditámos no bem estar provocado pela despedida e até rimos de tudo o que não era para rir com a mesma alegria com que um faminto gargalha quando ouve numa tv de montra que os países ricos destroem o alimento que o mata de escassez! Vai... fico bem.
Há dois dias que oiço o som da tua voz... O telemóvel que dorme comigo à cabeceira confidencia-me que não ligaste. Ainda bem. Enquanto escalava os Alpes aguçados de frio disse que nunca o faria. Vendo bem para que quero ouvir o trinar da tua voz? Ah... já me lembro! Disse que te amava. Não interessa... O amor é ave de arribação que nidifica nos desatentos e inebria os incrédulos. Não tem expressão... É uma ave! Estou bem... Talvez desfile nas festas popuçares quando os casais assumirem o calor das fogueiras como seu e fizerem promessas de sentimentos que apenas uma Arruanda de bondade poderá sublimar nas intenções do Povo que a habita. Com eles dançarei sobre todas as fogueiras acesas nas escadarias de pedra da alegria e festejarei à minha maneira esta forma de estar só ciente da tua partida consciente de que nunca mais voltarás e de me recusar a esperar por ti. Porque voltarias? A fruta com o pasar do tempo perde qualidade e sabor. Os beijos que exultavam a sensualidade na minha pele e como um perfeito bisturi ma abriam à paixão transformaqr-se-iam na meticulosa teia de uma viúva negra onde não passarias do breve macho que amaria pela última vez a insensível fêmea. Não! Não preciso dos teus beijos. Além disso qualquer um beija mais e melhor que tu. Se o rouxinos na tua voz esgrimia serenatas aos meus ouvidos ávidos de ti quantos não se assemelham a belos cisnes? Quem precisa ouvir a tua voz...?
Há dois dias que sinto o vibrar manso e quente do teu corpo junto ao meu... Leio no rascunho das longas noites insones quando os braços nos envolviam num sereno aperto de desejos elevado aos píncaros do tesão e mostravam a corola vermelha do pólen depois de abertas as pétalas ao espanto e um manso rio corria pelas ferventes veias até desaguar na foz da entrega a jovialidade de todos os sentimentos descritos num tratado de psicologia para além da quimica que nos unia e hoje nos repele. Adorei! Conclusão fatal dos apontamentos retidos no consciente. Na fusão molecular dos nossos sentidos um mesmo céu riscava de vida as petanas cerradas depois de terem guardado o infinito numa caixinha de íris e ensejos. Dentro do teu peito bátegas de ansiedade vibravam como cristais em movimento por mim e múltiplos segredos lançava-os aos quatro ventos na esperança de ver o eco repercutido numa rosa-dos-ventos feito à medida do querer. Agora que me encontro mergulhado na piscina de um iceberg num sistema solar de distâncias e dores concluo com alguma decência que todos os corpos primam pela mesma temperatura pois é o garante e o sustentáculo da vida. Como não és diferente de nenhum outro ser e partilhas a mesma afinidade fisiológica com todos os mortais sou levado a crer pelos rituais anatómicos do homem em evolução que deverá ser fácil encontrr quem substitua o pólo glaciar do tempo que nos separa por uma batida cardíaca excitante e profícua. Irei experimentar. Mais do que isso é ser fruído pela expectativa da viagem astral dentro dos limites ilimitados do desejo e ao invés de procurar na lágrima de ti o calor que aos poucos esfria é ter a graça de ser possuído por uma energia em ebulição que me arrebata a carne e enlouqueça a mente. Não poderei usufruir das tuas mãos ásperas no veludo da minha pele quando conquistavam e dominavam os nervos mas a quimica do tacto é apenas sugestão mental por isso basta imaginar um jardim para acreditar que todas as flores têm o mesmo aroma difundido pela universalidade dos diferengtes odores. Outras mãos farão mais e melhor. O corpo...? Tantos existem como o teu...! Todos têm leito caudal e foz. O mesmo sal os doseia o mesmo fogo os sustenta. São apenas diferentes...
Há dois dias que inalo o teu perfume... Aprendi nos constantes banhos de multidão que cada um tem o seu odor. Deduzi que seria difícil encontrar alguém com o teu. O mediano pêndulo das necessidades quando um álibi de sombras inscreve na vida novos valores esclarece a facilidade com que nos habituamos a novos odores. Somos animais de hábitos! Talvez a graça fresida nessa qualidade natural. Repara amor... um novo aroma equivale sempre a um novo ser. Depois de analisar a foto que guardava dentro da carteira da paixão um incrível medo de te confundir embrulhou de pruridos a língua que afagava os teus lábios e aspirava a tua pele. É impossível... Não confundirei. O teu bálsamo flagelador extinguir-se-á como um incendio quando não tem por onde queimar e a combustão é interrompida pela hostilidade da água. Descobrirei noutro ser o romance que desvendei no nosso paraíso recolhidos sobre a macieira do Éden quando tu representavas o papel de Adão e eu a Eva que estendia o braço e te oferecia a maçã. Sou um vulcão como disseste sobre os auspícios das nossas luas. Um vulcão meu amor não se extingue com a pedrinha de gelo que gransportas num frapé de plástico aquecido pelas mãos. Serás eternamente a gotícula húmida a encharcar o passado que quis fosse o futuro e que hoje não passa de uma sexta-feira santa à mercê de pregos e lanças.
Há dois dias que sinto a falta do teu sexo... Entre um delírio e outro amarroto a roupa interior que outrora deixávamos espalhada pelo chão quando o tempo de nos possuírmos escasseqva na avidez de sermos uma unidade e nos entregávamos como duas aves ao abandono do desejo. Se cerro as pálpebras um imenso álbum de recortes detalha cada pormenor dos movimentos descoordenados e incompreensíveis com que debatiamos o amor sobre os lençois com o fanatismo próprio das causas indefensáveis. Viajámos na proa dos navios que ainda hoje buscam ilhas encantadas nos mares quinhentistas seguros de encontrarem uma Dulcineia exposta na janela de um coqueiro e assim evidenciarem a heroicidade obtida num combate de vento onde a minha entrega representava a matéria do saque. A fantasiosa orla bordada a algodão do paraíso que construímos para nós era inacessível à maior parte dos abismados que apenas encontram no medo da aventura a justificação para a incapacidade de viverem o deleitoso prazer e atribuem à demência a qualidade da competência de amar. São sentimentos que o tempo depurará até que reste apenas a essência de algo tão grandioso e disponível como manancial eterno do transcendente vício de nos termos. Também é uma questão de tempo. Qualquer um pode fruir deste sereno ribeiro que procura em cada veia uma tatuagem de compreensão e protecção. O sexo é uma aula de contabilidade. O eqilibrio manifesta-se na relação directa entre o que se dá e recebe. Sobressai do balanço que ninguém ousa fazer o fervilhar da paixão na panela do fulgor quando o sangue explode no artifício de um fogo provocado pelo exigirmos tudo um do outro. Além disso um pénis é somente um instgrumento de prazer à mercê da imaginação. Se penso nele como um raio de sol e a excitação profana a carne logo me transformo num esvoaçar planado sobre serras e mares. A filigrana de seda de tudo quanto no sexo nos atrai quando o poderoso íman confunde as carnes sedentas de nós pode revestir com as mesmas cores agresivas e sensuais qualquer um. A intensidade com que possuías provinha do przer que te proporcionava. O resto meu bem foi um espectáculo de marionetas num palco de papel. É fácil concluir que todos os motivos que exacerbavam o teu desejo por mim serão aqueles que servirão para elevar ao mesmo oásis qualquer alma liberta das teias impostas por ignaras sabedorias e que no mais profundo de si retenha o desejo de um cavalo alado num céu infindo. Quantos já não remeteram a escrvatura do preconceito para a miséria dos infelizes e se soltaram pelas cidades apinhadas de amor?
Tivesses a noção das minhas palavras...!? Soubesses em que portal do mundo me encontro...!? Talvez fosse mais fácil falar de um nós que esmoreceu como o ocaso se repte dia após dia numa sequência constante e temporal. Considero que o terrível Ivan da minha fantasia te possa hoje povoar de recordações nubladas pelos meus abraços ou pelos meus segredos ditados ao ouvido tão promíscuos quanto eu. São esses pequenos momentos que me transportam à tua insónia e sem que possas pronunciar o meu nome nem soletrar o meu desejo a insígnia da ventura tatua o sorriso com o brilho do olhar faminto de apreciar a compleição maravilhosa do corpo que foi o teu. Poderás negar os beijos que grocámos ao raiar da aurora naquela praia que os contece numa pira de bronze incendiada pelos nossos corações? Ou o sexo que atirámos às ondas na macia pura e leviana areia como duas partes de uma mesma concha que ao abrir-se soltava a gema lúcida de uma pérola viva? O passado revive todas as fantadias e são elas que projectam a minha silhueta nas noites revoltas quando a cama não te dá sossego nem a noite te acalma. Gravaste o meu rosto num rochedo de alucinadas maravilhas e até que o vento passe e limpe as arestas perfeitas desse desenho ainda muitas penas irão esvoaçar sobre as nuvens escuras onde também derramo as minhas sulfurosas penas vazias de sentido.
Livre como a liberdade quando o limite é o universo quero-me disponível para amar como foi predito por Afrodite na alcova de palha onde me embalaram nas noites de verão. Livre ainda que não saiba que fazer com tamanha liberdade! Não permitas que est ansiedade pássaro apavore o sonambulismo dos teus teores pois escrevi nos novos e velhos muros da cidade o requiem dum romance em forma de parábola cómica para que todos os que os cruzem o leiam e riam como me rio agora. Uma comédia que se repete paixão após paixão no acutilante desespero de quem nada tem a esperar. A nossa é só mais uma. Vamos rir dela...! Porque não? Rir é saudável! Façamos de conta que vivemos num circo onde eu represento o papel de palhaço e tu a criança despreocupada sentada num banco de madeira frente ao palco. Talvez seja isso mesmo... Diversão. Porque não? Um palhaço também é gente! Tem sentimentos caprichos dores... como eu! Nesta extenuante guerra de vencidos aprendi a ser feliz porque od loucos são felizes. Quem sabe não serei louco? Mas isso sempre o fui... Que acrescentaste à minha loucura?
Nada mais tenho a dizer... Quando a saudade vier direi que se enganou na morada. Veio à minha procura mas eu moro para lá dos prados e dos desertos onde apenas os insatisfeitos fazem moradia. Mentiria se omitisse que algumas vezes dentro do peito uma réstia perdida de esperança me brame que virás como tudo o que vem porque nunca partiu. O rosto deixa transparecer uma espécie de satisfação ou vitória semelhante aos audazes guerreiros quando bramem uma bandeira branca e no cimo do pontiagudo estndarte uma pomba estrangulada. Fico animado quando a expectativa da sorte futura se aninha na felicidade e a esperança permite que dê mais um salto no abismo seja ele qual for onde posso voar com os pássaros acima das nuvens e descubro no telheiro de uma casa o ninho que me está destnado.
Amor... Até nunca mais!

antóniocasado
14 Abril 2009
incluído no projecto "Escrito ao Luar"
 
CARTAS DE MALQUERER II (REVISTO)

Veneno

 
 
Um tempo eterno
veneno que consome dias de trevas
Suplico-te minha doce vida
de volta.
Eterno seja a noite que pulsas
meu sangue quente
Transborda pelos poros
o que deveras sentes
a dor de ver-te partir.
Me queiras esta noite
beije-me enquanto danço
A barca que foge para o mar
de longe acena um adeus
triste de um amar.
e o barqueiro sorri enquanto chora
seu amor...
Apague de minha memória o teu corpo
que tento não desejar...
Fujas de mim
sou doença
que mata
sou letra morta
que se aposenta
tire de mim este tormento
e neste momento
sua adaga em meu peito
remove sentimentos antigos
libertando-me
deste sofrimento
que é não poder contigo estar.
 
Veneno

SOBRA

 
SOBRA
Paulo Gondim
29/002/2016

Ainda hoje me cobram e muito
Por uma obrigação que já pago
Anos a fio só me doando,
Só ida, nada de volta
Numa via única, torta
Numa vida sem vida, morta

E continuam cobrando.
O débito não tem fim.
Tudo o que fiz foi pouco
Querem apenas tudo de mim

E continuarei doando
A água do poço não se esgota
Alimentá-la-ei, assim querem
Com a ganância de sempre posta

Descobri que todo o esforço foi em vão
E já no adiantado dos anos, o desgosto
O dissabor da vontade esquecida, ameaças
Rancor, caras feias, bocas arregaladas
Dentes afiados, palavras ferinas
Foi o que ficou do conjunto da obra
Restou-me apenas alguma sobra.
 
SOBRA