Poemas, frases e mensagens de RosaNegra

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RosaNegra

"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música."
Aldous Huxley

No pico das estrelas [1]

 
Recrio o castelo nos alicerces do céu:
Anulamos as nuvens num colchão de molas
A neblina que quebra é apenas meu véu
Num incenso de temas, decorado de rosas

Saltamos, pulamos entre o sexo dos anjos
Lambuzamos o mel no pico das estrelas
Idolatramos ao cio e a voz dos arcanjos
Somos almas análogas, guaridas, cometas

Oferecemos os dedos e também os anéis
Anilhamos brilho, olhos-de-sol e dedos
Somos bailarinos em nuvens de corcéis

Lágrimas perfumadas ninfas num decote
Destilamos na pele baldeamos nas fronhas
Conciliamos sorte de luas travessas risonhas.
 
No pico das estrelas [1]

Diz-me

 
Diz-me a cor dos meus olhos…
O meu nome…
A minha luz…
Diz-me o que sabes de mim…
o pronome e a minha cruz…
Diz-me tudo o que souberes…
Diz-me o que fui e o que seria…
Diz-me o silêncio e a alegria…
Diz-me a noite…
Diz-me o dia…
Diz-me o sonho…
Diz-me a morte…
O começo e a sorte…
Diz-me!
…Diz-me!
…Ventania…
Vento de mar e maresia
Ponto Norte e Ponto Sul
Onde o mar é mais azul
Pássaro de luz, - utopia!
 
Diz-me

Sou a mesma!

 
Eu não mudei
Apenas aceitei
Sou a mesma!...
Que te olhou nos olhos sem mentiras
Que te amou num tempo de doçuras
Sou a mesma!...
A miúda, a mulher
A culpada
A que não desculpa
A que não vês
A que inventas
A que se esconde
A que gosta do silêncio
Sou a música do momento
Sou a que morro daquele abraço
Sou o átimo do grito
Sou a calma do vento
Sou a que mudei
Sou a mesma!...
A que se cala
A que nada quebra
Sou um avatar sem espera
A que desiste
A que nada insiste,
Alegre e triste
 
Sou a mesma!

Era mais fácil

 
Era mais fácil apagar-te
Como se sopra uma vela
Era mais fácil esmagar-te
Pisando na cinza torrela

D´um cigarro fumado a dois
D´uma madrugada singela
D´uma cama sem lençóis
Esquecida em alguma viela

Como vou conseguir apagar;
Flama que sempre assim arde
De noite, de manhã e de tarde

Dentro de mim como alarve
Consumindo-me só com ela
Perecendo-me cega de amarela
 
Era mais fácil

Belisquei

 
Belisquei o sentimento adormecido
Revirei a minha história assim calada
Num momento fui só eu, e aquela estrada
Sem viatura num caminho entorpecido
Separei-o, por entre os vidros a embaciar
Onde escrevi as palavras "sem destino"
Segui caminho com as pálpebras em falta de ar
Capotando a minha dor nesse caminho
 
Belisquei

Não queiras saber...

 
Não queiras saber dos olhos

Quando deles eu sorrir

Carregam salinas de escolhos

Mares profundos

Do sentir

Palancos atando o peito

Armadores

do carpir



Mar imenso

A prantear

Bem cá dentro

A imergir
 
Não queiras saber...

Distraído com a paisagem

 
Enquanto no pasto morrem as vacas o pastor na maior das calmas fuma um cigarro.
 
Distraído com a paisagem

Negrinha

 
Por que se anda aos escondidos?
Quando ausência ofusca o sol,
Negrinha no seu alarido...
Brincando de esconde, esconde...
Dia-a-dia em seu rompido
Espreita o tempo, se está bem?
Não sabe quando nasceu
Troca o mês e o que vem
Quem sabe se já morreu
Essa ausência que passou
Se foi para muito longe
Ou se ainda cá ficou
 
Negrinha

Soltem-se-me as gargalhadas

 
Não sei bem se do fígado
Se do estômago,
De onde for, que seja!
Soltem-se-me as gargalhadas

Não sei se dos dias de sombra cheios de sol
Que se soltem…
Que se soltem dos saltos pela manhã
Duma bolacha mergulhada numa chávena de café fina
Que se soltem…
Da imbecilidade doentia
Dos pensamentos que nem os dos primatas
Das vaidades sociopatas
Soltem-se-me as gargalhadas
Das conjeturas estrelares do ócio
Em ópios de poesia

Solta-te…
Se tiveres aprisionado,
Nem que pareças um Urubu.
 
Soltem-se-me as gargalhadas

Aurora

 
Que se nutra a mais bonita
Pois se intitula de feia
-Estrelas lhe brilhem deleita!

…Porque a noite escureceu
No mar por onde se deita
Despida já morta e desfeita.
 
Aurora

Sem ambição

 
Os meus versos não ambicionam os mais bonitos,
A minha vida já muito pouco tem de vontade,
Pela vida fui perdendo o som dos gritos,
Gosto da calma que me leva sem maldade.
Guardo aqui os tantos versos que não escrevo.
Para espólio escrevo o que sinto e a verdade.
Acredito que toda a vida tem um preço de relevo,
Que o meu preço seja o de te amar de verdade.
 
Sem ambição

Aflige-me

 
Aflige-me quando não sei de ti
Nestas horas tristes e pobres
Que nos restam.
Aflige-me não tocar nas tuas mãos.
Atravesso esta tristeza que me deixa débil…
Ao encontro da melodia que me faz recordar os teus lábios.
Estanco as lágrimas!...
Recapitulo desesperadamente por dentro, nos nós da voz,
O pouco do sonho que já foi vida.
 
Aflige-me

Esqueci-me

 
Esqueci-me do teu beijo demorado
Esqueci-me daquele encontro de ansiedade.
Daqueles olhos s(em) grilhetas
Colados aos teus lábios intemporais.
Esqueci-me do tanto e do tão pouco...
Até do que não chegou a ser pouco de mais
Do teu sol ardendo à lua e do meu corpo aniquilado
Esqueci-me da tua chegada,- do meu desejo!
Até do peixe levedado na água do mar
Esqueci-me do teu vulcão em lava ardente
Fluindo no precipício chegando à urna
Esqueci-me da beira do rio a te esperar
Da rosa já fenecendo solitária e tua
-Esqueci-me de ti!
-Esqueci-me de mim!
Não sei porque ainda te escrevo?
 
Esqueci-me

Desculpa

 
Desculpa!
Penso que por segundos me esqueci,
Foi um impulso,
Um simples impulso.
Tenho a certeza que não volto.
Vou ficar por aqui,
Por aqui mesmo...
Aqui neste meu canto, sossegada,
Por momentos esqueci;

Até me esqueci,
Daquilo que nunca vou poder esquecer .
 
Desculpa

A mentira

 
Esconde-se
no fundo do mar
Num coração de estrela
De lágrima a chorar

É peixe esquivo de arrebol
Oculto no sal
Lusco-fusco ao sol
Pestanejando
a alma
 
A mentira

Estranho

 
Por mais estranhos
Não consigo estranhar
Nesta estranheza os estranhos
Que se estranham por estranhar
Tudo o que é estranho
Então entranho a poesia estranha
Que me entranha por me entranhar
Nas entranhas das entranhas,
Dentro dos ossos
Nos momentos de ócio
Onde moras tu
 
Estranho

Sem nexo

 
Aqui me escondo
Para que me possa esquecer
Vou escrevendo coisas com nexo
Outras sem nexo
Para ninguém entender
Aqui me escondo
E mostro o ser
Sem jogo
Baralho cartas
Dou cartas
Guardo cartas
Verso ou inverso
Para me entreter
 
Sem nexo

Eixo

 
Somos como a terra, quando ardemos de amor giramos com a certeza que o universo está à nossa volta.
 
Eixo

A sós comigo

 
Eu não vivo no passado
Nem por ele eu me fustigo
Ontem tomei o meu banho
Olhando bem para a água
Ela me mostrou o meu corpo
Na nascente e na barragem
Ontem olhei para a água
Falando a sós comigo
Percebi o que é a lei
No silêncio e no ruído

Esta sou eu que me amei
Liberdade é, o meu abrigo!
 
 A sós comigo

Versos rasgados

 
Os versos rasgam-se das mil dores
Das fragrâncias a motejo de guardados
Andaram num coração cheio de flores
Reprimidos e por vezes alienados

Os versos despem-se de mil segredos
Ocultos das chamas dos maus-olhados
Sem remorsos e sem males desejados;
Desviam-se do mundo já condenados

Versos que foram rosas, hoje são violetas;
Meias tristonhas, chorosas e magoadas,
Ainda hoje recordam as tocadas borboletas

…Nas tisanas das suas regas encantadas
Fantasias de de(lírios) enamorados
No sol crescente dos mares iluminados
 
Versos rasgados