Poemas, frases e mensagens de DianaGomes

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de DianaGomes

Crónica de Uma Sociedade Egoísta

 
Não esperes que alguém mude por “outro” alguém. O ser humano é um ser tremendamente egoísta, que só inicia algum processo de mudança se daí advier algum benefício próprio, dado que também, convenhamos, não é fácil deixar o seu tão habitual e conhecido “mundo estável” por algo desconhecido. Mudanças induzidas por intenção alheia, são meramente fictícias, meramente “conquistatórias” ou imbuídas de algum intuito sedutor. O ser humano vive a olhar para o seu próprio umbigo, fazendo dos que o rodeiam, alguns dos quais chama de amigos, passatempos que vão e vêm, num uso descontínuo, em proveito das suas próprias necessidades. O que hoje até pode ter muito interesse e ser algo que de bom grado se quer em nossa vida, amanhã acaba a tornar-se um empecilho, daí que nada mais lógico do que “deitar fora”… Talvez um dia, quando o meu “eu” precisar eu vá buscar à reciclagem. Vivemos num mundo da era rápida e tecnológica, na era da insatisfação, na era dos sentimentos virtuais, das relações despersonalizadas. Vivemos num mundo do instantâneo. O que agora escrevi, passado 2 segundos detecto que foi um erro, não importando, contudo, os sacrificados desse erro; os amigos que me ampararam quando precisei já não são amigos porque não se adequam com os interesses que adquiri neste vai e vêm de mudança que ocorre em função do meu próprio interesse. Tudo o que nos rodeia só pode ser visualizado sob o prisma do benefício próprio, da utilidade pessoal… esqueçam a sociedade, ela é apenas um meio onde seres da mesma espécie têm o azar, ou a sorte, de se cruzar e estabelecer um diálogo de sms que pode evoluir ou não, mais uma vez, em virtude dos meus ganhos pessoais. Há dias de azar, talvez sextas-feiras treze, talvez outro dia qualquer… Perdemos a capacidade de olhar nos olhos, de ver os que nos rodeiam… perdemos o sentimento de pertença… vivemos na era do egocentrismo… somos carrascos e sacrificados da sociedade do “eu”, da ausência de valores, da ausência de destinos… não nos importamos com as vítimas que fazemos em nosso benefício pessoal, basta apenas ignorarmos os que magoamos pelo caminho desta forma eles deixam de povoar a nossa consciência imoral e agnósica. No entanto, sabemos comportarmo-nos como vítimas sós e incompreendidas do mal comum dos que padecem vivências marcantes… aí, não esquecemos o que sofremos, o que nos dói… mas é apenas uma memória temporária, que como sempre acabamos por usar em benefício próprio, como forma de desculpabilizar o nosso comportamento errado, porque afinal fomos vítimas de experiências traumáticas, fomos cobaias de uma sociedade sem escrúpulos, da qual fazemos parte. Não conseguimos usar as experiências vividas como forma de crescimento pessoal, como forma de menos menosprezarmos os habitantes do nosso mundo, ainda que estes possam ser tão temporários como o desejo do nosso capricho egoísta…
O ser humano está a tornar-se a passos largos num caixote de lixo amoral, vive apenas para o fútil, desistiu de investir em si próprio e nos que o rodeiam, vive obcecado com a escalada para a ascensão social, para o consumo imediato que o deixam vazio em poucos segundos…
Falta-nos voltar às origens, à simplicidade das coisas, dos sentimentos… falta-nos dar oportunidades a nós mesmos e aos outros, de agir por um bem comum, de apreciar a beleza das coisas naturais… de desmitificar o culto da beleza artificial, da era do betão, do coquete só porque ficam bem na foto, das relações a troco de nada…
Por isso, queria agradecer àqueles que me permitiram crescer e chegar até aqui, àqueles que mesmo quando o meu egoísmo me “fechou” os olhos e o coração, não desistiram de mim… quero agradecer àqueles para os quais não fui apenas um passatempo ou uma passagem que não foi suficiente para preencher o vazio, quero agradecer porque me permitiram acreditar que há sempre um amanhã melhor se todos juntos nos permitirmos….

17/02/2009

Diana Gomes
 
Crónica de Uma Sociedade Egoísta

Ser poeta é...

 
Ser poeta é ser alguém capaz de amar,
É pintar o vazio de palavras,
É sonhar mais alto e mais além do que as fronteiras da ilusão.
Ser poeta é desenhar os sentimentos com palavras,
É descrever um mundo à parte,
É navegar sem rumo no mar da poesia.
Ser poeta é ser alguém capaz de sonhar,
É ser alguém com a esperança dentro de si;
Ser poeta é caminhar por caminhos longos e perfumados,
E neles deixar um rasto de sonhos perdidos em palavras.
Ser poeta é ser alguém como eu e tu,
E ao mesmo tempo ser alguém especial.
É ser alguém capaz de transpor as barreiras da magia.

15-02-96
 
Ser poeta é...

Existem tragédias que são verdadeiras libertações

 
Hoje li uma frase que me fez pensar… “existem tragédias que são verdadeiras libertações”

Há momentos que são indescritíveis em palavras…
Há histórias que começam por acaso, que nos fazem sonhar, viver, acreditar, que nos mostram que quando amamos os nossos limites são indefiníveis e muito além do que o que julgávamos… Há situações às quais nos prendemos porque acreditamos que em qualquer instante tudo o que nos faz infeliz irá mudar porque lutamos, porque investimos, porque nos prendemos apenas aos sonhos, acreditando na essência humana, na veracidade dos momentos, na idoneidade dos que voluntariamente interceptaram o nosso caminho e a quem voluntariamente entregamos a nossa alma…
Mas…
Depois de sofrermos, de acharmos injusta a vida, de perdermos o controlo de todo o nosso mundo, depois de exaustos das lutas, quando paramos sem conseguir definir um trajecto, finalmente conseguimos ver mais além… conseguimos olhar para o lado, refazendo-nos da cegueira que tantas vezes nos tapou a alma, descobrindo novos horizontes, analisando o passado e finalmente deixando para trás o que não quis seguir connosco…
Aí conseguimos reencontrarmo-nos com o ser que abandonamos no caminho, redescobrindo o nosso eu…
Aí já conseguimos apreciar um sorriso, já conseguimos ver os olhos que brilham e que nos fazem vibrar, conseguimos identificar os verdadeiros amigos, que por vezes foram esquecidos em lutas desnecessárias, conseguimos descobrir que há mais vida além das desilusões, que há mais sonhos e seres que podem colorir o nosso universo…
Por isso espero corar muitas vezes diante de sorrisos que me fazem sonhar, olhar profundamente para olhos que partilham o seu mundo, abraçar longamente quem não tem medo de partilhar afectos…
O oposto do negro é o branco que nos ilumina e traz clareza… por isso “existem tragédias que são verdadeiras libertações”!

Diana Gomes
10/05/09 22:31h
 
Existem tragédias que são verdadeiras libertações

Grito

 
Olho distante o passado,
Sinto o vazio presente,
Sinto o sangue que fervilha,
Numa vida ausente.

Sigo veloz o caminho,
O vento gelado na face,
O grito preso que parte,
As amarras impostas que prendem…

O tempo corre infindável,
Num ciclo negro sem fim,
Perco o destino que quero,
Embarco sem rumo, perdida de mim!

Choro o passado,
O presente,
Exausta na batalha,
Sem qualquer porto de abrigo,
No campo do inimigo,
E mais uma bala penetra num coração já ferido!

Penetra lentamente,
Saboreando cada instante, cada momento vivido,
As lutas, as vitórias, as derrotas…
E solta-se o grito abafado de um corpo já vencido!

13/10/08
01:34h

Diana Gomes
 
Grito

Enquanto a noite não traz a manhã…

 
Enquanto a noite não traz a manhã,
Deixa as estrelas sorrirem…
Presenteia-as com a tua presença,
Ilumina a escuridão com o teu olhar,
Permite que os sonhos vagueiem…

Enquanto a noite não traz a manhã,
Deixa que o silêncio grite…
Nega à saudade a ausência,
Sussurra o teu sorriso ao vento,
Permite que o Amor acredite…

Enquanto a noite não traz a manhã,
Deixa-me ficar junto a ti…
Escuta os meus versos perdidos no tempo,
Abraça as lágrimas que não foram em vão,
Permite que te adore em segredo – não, eu ainda não desisti!

05/11/08 16:35h

dedicado a alguém especial
 
Enquanto a noite não traz a manhã…

Quando me recordares…

 
Quando me recordares…
 
 
Ainda que eu agora esteja ausente,
Que seja apenas a memória de um passado inexistente,
Quando me recordares, relembra-me com a palavra “amor”!
Ainda que o teu passado seja o segredo que escondes dentro de ti,
Quando me recordares, relembra-te que partilha não é censura ou recriminação!
Ainda que a amizade permaneça no silêncio,
Quando me recordares, relembra-te que mesmo o silêncio pode significar o respeito pela decisão do outro!
Ainda que tantas vezes tenha exigido,
Quando me recordares, relembra-me como alguém que exigiu mais de si mesmo!
Ainda que tantas vezes me tenha enfurecido,
Quando me recordares, relembra-te que toda a fúria foi apenas um incentivo a uma luta interior em teu nome!
Ainda que nunca o tenhas percebido,
Quando me recordares, relembra-me como alguém que tentou chegar até a ti,
Longe das farsas, dos comportamentos sociais esperados,
Longe de toda a convenção,
Chegar simplesmente até a ti,
Sem as barreiras que impões para ocultares as fragilidades que inundam a alma de todo o ser humano!
Ainda que possa não parecer,
Quando me recordares, relembra-te que apesar da distância a amizade permanece!
Ainda que o meu sorriso não esteja presente,
Quando me recordares, relembra-te que um dia ele existiu só por ti!
Ainda que me tenha afastado, que te tenha esquecido,
Quando me recordares, se algum dia te recordares, relembra-te das palavras carinho, verdade, vontade!
Ainda que tenha lutado por te apagar da memória,
Quando me recordares, relembra-te que tudo o que senti foi real!
Ainda que o futuro nos afaste de vez,
Quando me recordares, relembra-te que um dia ainda que por breves instantes foste capaz de me inundar de felicidade!
Ainda que tantas vezes as saudades me fossem matando,
Quando me recordares, relembra-te que o nosso pior inimigo são os nossos medos ocultos e renegados,
Ainda que tantas lutas tenham sido em vão,
Quando me recordares, relembra-te que apenas a vontade de acreditar e de lutar por nós próprios é que nos conduz à felicidade,
Ainda que quando rodeados de gente sintamos a solidão,
Quando me recordares, relembra-te que quando nós próprios nos abandonamos dificilmente alguém consegue chegar até nós,
Ainda que saiba que amanhã serei meramente cinza,
Quando me recordares, relembra-me que nada nem ninguém é insubstituível,
Relembra-me que há apenas pessoas que povoam o nosso universo sentimental e nos invocam momentos únicos e sentimentos inesquecíveis!
Ainda que tenha sonhado, sorrido e chorado,
Quando te recordo, abro a arca dos meus tesouros, vejo a esmeralda perdida, recordo as lutas e aprendizagens,
E sei que amar não é um sentimento unilateral, que jamais pode ser compensado por forças dispares…
Aprendi que amar é ceder e retroceder, é lutar e cansar, é ganhar e perder…

Diana Gomes

07/04/2009 22:11h
 
Quando me recordares…

Noite

 
A noite chegou!
Trouxe consigo o silêncio de um gesto abafado,
Um murmúrio calado,
Um sentimento sem fim…
Trouxe uma ausência presente de ti…
Uma agonia que brota dentro de mim!
Não há pontes,
Não há cadeias,
Há um espaço aberto,
Uma distância fictícia…
Um mapa com estradas que não existem,
Um labirinto de um eu que não chega até ti!
A noite chegou!
Trouxe consigo a dor de um vazio qualquer…
Um sonho que o destino não cumpriu,
Um medo que o desafio não venceu!
Corro contra o tempo como se dependesse dele a minha vida,
Abraço o sonho como se dependesse dele o ar que respiro.
A noite chegou!
Não me trouxe o que lhe pedi…
Tu não estás aqui!
Cada estrela que vejo, simboliza o sonho que perdi…
O não contra o qual lutei…
O fracasso que conquistei!
A lua simboliza a força que ganhei e perdi,
Como um ciclo contínuo e eterno, do crescente ao decrescente!
Não consigo chegar até ti!
Tudo o que fiz foi em vão…
Mas em vão não é o sentimento que me move…

Do não irei construir o sim,
O sofrimento transformá-lo-ei em alegria,
Do cansaço vou obter forças,
Da derrota, vou crescer e conquistar a vitória!
Resistência é um caminho,
Persistência uma meta,
O sorriso o porta-estandarte
E a loucura uma bandeira!
Se o sonho comanda a vida,
O amor torna-a possível!
A noite chegou!
Mas não vou ter mais medo!
Com ela vem a manhã,
Cessam as trevas e nasce a luz!
Com os raios de sol,
Regeneram-se as forças,
E por ti meu amor,
Vou lutar até ao fim!

Diana Gomes
25/08/2008
00:37 h
 
Noite

Véu do Céu

 
Entre os rochedos de uma praia deserta,
Sinto envolver-me a maresia discreta,
Sinto o cair da penumbra secreta,
Como tear que tece do céu,
Um véu de luz e de trevas, só meu!
Como ancoradouro que espera no cais,
O regresso de quem não volta mais…
A dor calada que levas,
O grito contido no peito!
A angústia do amor imperfeito!
O luar que o tear não teceu,
A magia que entre nós não aconteceu…
É este véu que me cobre,
Que me sufoca de negro,
Que me nega o teu segredo…
Que me prende junto a ti!
É a aurora distante,
O sonho iminente,
Este amor tão presente,
Que me impulsiona a viver,
Que me faz acreditar,
Que sempre que uma lágrima é perdida no mar,
Cai desse véu se uma estrela,
Que me ilumina o caminho na terra,
Para encontrar o luar!
Então entre os rochedos dessa praia, outrora deserta,
Vão existir segredos de um amor que venceu,
Vão ecoar as vozes dos nossos corpos fundidos num ‘EU’!
O mar vai espelhar os anjos tecendo uma nova aurora,
E o céu, com o seu véu, vai deixar nossa alma coberta,
Com o sonho que a vontade alcançou…

Diana Gomes
22/09/08
10:30h
(Tema proposto por Pedro V.S.)
 
Véu do Céu

Saudade

 
Tenho saudade do passado,
Presente
E futuro.
Tenho saudade...
Do inexistente,
E do tempo minuciosamente estudado.
Tenho saudade do que não vivi,
E de quando sorri.
Tenho saudade,
Daquela doce liberdade,
Que me trazia a ideia de felicidade.
Tenho saudade,
Do que não descobri,
Das pessoas que não conheci,
Porque a saudade teimou em fazê-las partir.
Tenho saudade,
Da vida que vivi e não sonhei,
Da vida que sonhei e não vivi.
Tenho saudade,
Do grito calado que soltei,
Do vôo que simplesmente não alcancei.
Tenho saudade,
Dos tempos em que o vazio não me ocupava,
E em que o amor ainda me deslumbrava.
Tenho saudade,
Do tempo em que ainda havia beldade.
Tenho saudade,
Do tempo em que o desencanto não me possuía.
Tenho saudade...

04-03-98
 
Saudade

Pulsar

 
Um coração que bate,
Num peito demasiadamente estreito,
Um coração que sente
Um sentimento imperfeito,
Um coração que pulsa,
Em busca de algo distante.
Um coração que pulsa,
Um pulsar por outros não sentido,
Um coração que chora,
Incompreendido.
Um coração que mente,
Fingindo que não sente,
Um coração perdido,
Num pulsar incorrespondido,
Um coração que pulsa,
Sem saber porquê,
Um coração que espera,
Espera mas não crê.
Um coração que morre a cada instante em que não te vê;
Um coração que vive na incerteza certa,
De um coração que se dá,
A alguém que o não recebe,
Um coração que dói,
Dói mas com prazer,
Um coração que ama,
E ama com sofrer,
Um coração que pulsa,
Que pulsa para não morrer,
Que pulsa para saber,
Se um dia vai poder,
Pulsar para te ter.

27-11-99
 
Pulsar

Meu Sol

 
O sol sorriu de manha,
Vendo a vida que florescia.
Veio a noite devagarinho,
Perguntou porque sorria…

De escuro vestiu o céu,
Levando a luz que raiava,
Levou para longe de mim,
Meu amor que me iluminava!

Sem sol que a vida raiasse,
O sonho gelou de medo
Por não ter quem de si cuidasse!

Sem o sonho não há vida,
Sem a vida não há amor,
Volta depressa meu sol para me trazeres teu calor!

05/03/11
00:47
 
Meu Sol

Procuro-te

 
Procuro-te entre os espaços vazios da saudade,
Espero-te nos recantos onde só chega o amor,
Mas em vão é todo o tempo,
Em vão é a luta que decorre dentro de mim…
Procuro-te… não te consigo encontrar,
Amo-te neste silêncio que dói,
Na escalada da montanha que não consigo atingir,
Onde já não há forças,
Onde as tréguas da jornada se tornaram ainda mais desgastantes,
Onde a luta é tão desigual…
Procuro-te… só te achei quando não procurei…
Quando te encontrei perdi-me em ti,
Abandonei-me sem poder decidir,
Fui conduzida por este sentimento que de dia para dia me vai destruindo,
E sem perceber como, tornei-me na ausência, na indiferença…
Já perdi todas as armas deste combate,
Nenhuma me conseguiu trazer-te,
Agora sentei-me no caminho,
Desejando unicamente deixar de sentir,
Esperando, por vezes, que o ar que respiro me falte!
Não posso dizer que vivo,
Existo apenas, porque uma força maior assim o quis,
Ainda que não compreenda o motivo…
Procuro-te… encontro apenas o vazio de alguém que voluntariamente se ausenta,
Fui a sombra de um sonho,
Persegui-o até a exaustão,
Resta-me o sabor amargo da derrota,
Do sal das lágrimas que tantas vezes caem de forma compulsiva…
Da incompreensão da história que não protagonizei…
Do filme da vida que não vivi…
Cada sorriso é uma representação da felicidade que me escapou,
Cada olhar, imperceptível a quem o vê, o desalento de uma existência desnecessária…
Cada corrida contra o tempo é apenas a ilusão de que podemos controlar algo,
Cada pedido de ajuda é um grito abafado que em surdina se pede.
Procuro-te… apenas te encontro dentro de mim,
Onde a memória dos sentimentos teima em preservar-te,
Ainda que saiba que é em vão…
Procuro-te… mas sei que tenho de deixar-te seguir o teu caminho,
Por mais forte que seja este sentimento que não pedi que existisse…
Ainda que soubesse que por ti seria capaz de atravessar o mais profundo oceano,
Mas tudo é em vão…
Procuro-te… como quem procura a sua pedra preciosa…
És o meu tesouro…
… mas eu perdi-te nas profundezas do meu Amor...

19/02/2008
18:26h
 
Procuro-te

Hoje é o dia

 
E se de repente algum acontecimento mudasse a perspectiva da tua vida?
E se houvesse aquele “click” de mudança, como a mola dos saltos de pressão negativa, que te fizesse ver a vida sob outro espectro?
A mudança não está naquilo que os outros podem “operar” em nós, mas naquilo que nós próprios somos capazes de actuar e modificar no nosso “eu”, num processo de crescimento e evolução (por vezes, com alguns períodos de regressão!). O contacto com os nossos semelhantes (tantas vezes opostos!) potencia a partilha de diferentes percepções, permite e influencia a forma como nos é transmitido um mundo diferente do nosso - o mundo criado por cada indivíduo para si, onde estão subjacentes as suas escolhas e consequentemente a forma como decidem viver.
O mundo enquanto local de coabitação de diferentes seres humanos parece ser um local comum, monótono… É a unicidade que cada um de nós possui que permite torná-lo um local por vezes estranho, assustador, outras vezes paradisíaco, inovador, ou simplesmente, quando não nos permitimos essa partilha, um lugar senso comum e dogmático.
Enquanto seres humanos herméticos, fechados no nosso eu egoísta e anti-social, tornamo-nos seres desprovidos de interesse, mecânicos, tristes e acomodados. Esta atitude tem repercussões a nível do nosso ser enquanto seres bio-psico-socio -emocionais. Daí que por vezes, quando nos permitimos um pouco de luz, criticamos a sociedade e dizemos, “estamos na era do egoísmo, do individualismo, da competitividade”. Já não existe vontade de mudança, já não se acredita nas relações humanas, em sentimentos primordiais que nos permitiam tornar este lugar, que é a nossa casa colectiva, como um lugar confortável, que nos criava o sentimento de pertença.
Mas, felizmente existem alguns momentos que nos voltam a fazer sentir vivos, que nos acordam da acomodação a que nos submetemos… momentos comuns, momentos de partilha espontânea, em situações pouco esperadas… momentos que deixamos os outros penetrarem na nossa vida e mudarem os nossos horizontes…
São momentos em que deixamos a nossa acomodação e acreditamos ser capazes de inovar de deixar para trás aqueles sonhos pelos quais lutamos infrutiferamente e que nos recusávamos a abandonar pelo medo que a perda nos pode causar… sonhos que de certa forma contaminavam o nosso eu e o deixavam num marasmo doentio…
Hoje é o dia… em que percebi que mais do que o tempo que as pessoas possam permanecer na nossa vida, o importante é o que elas partilham connosco, o que deixam em nós e o que nós fazemos com o que nos ensinam.
Por isso, embora tenham sido breves os momentos, obrigada por teres mudado a forma como percepciono o meu mundo!

Diana Gomes
14/08/2010
 
Hoje é o dia

Longe do mundo

 
Longe do mundo,
Longe de ti,
Sorrio sozinha,
O Amor que perdi!

Longe do mundo,
Distante da vida,
Prossigo na estrada,
Buscando a saída!

Longe do mundo,
Perto de mim,
Sem ti a meu lado,
Encontro o fim!

Longe do mundo,
Nas trevas fechada,
Procuro a chave,
No silêncio, calada!

Longe do mundo,
Do teu Universo afastada,
Rumo sozinha,
Nesta escalada!

Longe do teu mundo,
Encontrando o meu lugar,
Relembro o esforço perdido,
Neste inútil batalhar!

Longe do mundo,
Onde tanto quis ficar,
Aprendo a viver sorrindo,
Tentando-me enganar!

Diana Gomes
29/11/08 13h
 
Longe do mundo

Aprendi...

 
Aprendi…
Aprendi que a cada erro tem de existir um recomeço,
Uma caminhada,
Um luto,
Um vazio que nos leva ao nada!
Aprendi que um sim, às vezes é não,
Que uma espera pode conduzir-nos a um abismo maior,
Que chorar não é fraqueza,
Que não exprimir não significa não sentir!
Aprendi que o tempo significa o valor que lhe damos,
Que os momentos,
São pedaços de uma história que tentamos colorir,
Aprendi que as vitórias e as derrotas,
Dependem do tempo e circunstâncias que vivenciamos,
Do esforço que acreditamos investir na nossa existência.
Aprendi que amar, acreditar e lutar
Fazem sentido quando vivenciados a dois,
Quando amar é conjugado no mesmo plural.
Aprendi que uma força isolada não consegue mover o universo,
Que apenas forças unidas para o mesmo objectivo
Conseguem mover as montanhas da falta de tempo, dos medos, das angústias…
Aprendi que acreditar em algo torna-nos capazes de superarmos todos os embates,
Que não é a dor que nos dilacera,
Mas sim a falta de sonhos, a falta de rumo…
Aprendi que podemos criar todas as oportunidades,
Podemos transpor as barreiras que nos achávamos incapazes de vencer,
Mas se nos tiram a “estrela” que nos guia,
Ficamos na escuridão da solidão …
Hoje aprendi que não posso sentir pelos outros…
Não posso lutar em nome dos outros…
Não posso exigir nada de ninguém…
Não é a tristeza que me magoa…
Nem o sabor amargo da incapacidade de superar o impossível…
O que me anestesia é a insensibilidade em que estou,
E o vazio dos sonhos que perdi…
É saber que vou ter de esquecer…
É saber que a vida vai continuar e tudo ficou como uma miragem…
Aprendi que a vida não é uma colecção de fotos felizes…
E que nem todas as histórias tem o final “e foram felizes para sempre”...
(Sim eu ainda gostava de acreditar nessas histórias…)

26/11/2009
18:26h
 
Aprendi...

Subi ao alto de mim para mirar o meu EU

 
Subi ao alto de mim para mirar o meu EU,
Vi historias, sonhos, sorrisos e lágrimas,
Vi amigos, família,
Vi batalhas, vi vitórias e derrotas…
Tentei perceber quem era EU…
Procurei, analisei…
Não me vi….
A minha história parou quando tu surgiste!
O meu Eu deixou de o ser… passou a existir só por Ti…
O meu Eu eras tu…
Mesmo quando distante e ausente…
Mesmo quando sofria e chorava…
Mesmo quando voluntariamente me afastava…
O meu eixo gravitacional eras tu…
Nada existia por mim,
Só por ti… que eras sol, lua
Alegria, magia
Passado, presente futuro,
Uma bola de neve crescente…
Com a qual quando me comparava era apenas uma bactéria, quase inexistente,
Isolada, sem colónia…
Eras tu o meu habitat!
Tive de ganhar resistência,
Tive de sentir dor para continuar a existir,
Procurando tudo incessantemente,
Só para retornar ao teu aconchego quente…
Tornei as minhas lágrimas imunes a qualquer réstia de dor,
Minha tortura penante, me analgesiou…
Tornei-me um espectro mórbido,
Do Eu que um dia fui…
E buscava, apunhalando-me, a droga que me embriagava…
Tornaste-te o meu vício, o meu opiáceo secreto…
A tua abstinência era insuportável na minha memória,
Ressacava a cada não, contorcia-me de amargura a cada espera…
E qual dependente em tratamento,
Fui-me afastando de ti…
Desejando não te ver, ouvir, sentir,
Para não experimentar toda a viagem agoniante até ao inferno!
Mas… de nada valeu…
A minha cura não se instituiu só pela tua ausência,
Pela distância…
Porque mesmo morrendo a cada segundo,
Eu sabia que tudo o que um dia senti era inapagável…
E que para mim voltar a viver só seria possível contigo ao meu lado…
Como esse é um fim que não me está destinado limito-me a existir e…
A mirar o meu Eu do alto de mim…

18/04/2009
15:30h
 
Subi ao alto de mim para mirar o meu EU

Doces olhos tristes

 
Teus olhos tão doces,
Viraram olhos tristes;
Deixaram de espelhar o tempo,
O tempo em que sorriste.
Teus olhos tão doces,
Viraram amargura,
E deixaram de transparecer o tempo de doçura.
Olhos que o Natal já não seduz,
Porque ficaram tão turvos?
Será que a canção que alguém canta,
É diferente da que vos encanta?
Doces olhos tristes...
Não fiquem sem aquele brilho apaixonado,
Porque se quem amais não vos ama,
Lembrai-vos que existe uma vida que vos chama.
Doces olhos tristes,
Olhos que um dia foram doces,
De uma doçura sem mágoa,
De um coração ainda não despedaçado,
Porque vos deixaste levar...
Não fora o amor e o sonho a comandar a vida
Que não existiriam olhos tristes,
Tão tristes...

21-04-99
Diana Gomes
 
Doces olhos tristes

E o ciúme e a saudade...

 
E o ciúme e a saudade,

Vão murmurar quando a luz não mais brilhar,

Quando a lua não mais sorrir,

Quando o mar já não puder assistir à tua felicidade!

Quando eu já não te puder ter,

Porque um Fado determinado te fez partir,

O ciúme vai gritar,

E a distância vai doer!

O despertar vai ser diferente,

A angústia vai estar presente,

O momento outrora nosso,

Vai ficar perdido no tempo,

Num silêncio infinito!

E o ciúme e a saudade…

Essa revolta calada contra uma força superior,

Contra um destino que poderia ter sido melhor!

E o ciúme de me teres abandonado sem explicação,

De teres partido sem me levares,

E a saudade do que vivemos,

Do que ainda iríamos viver,

Dos sonhos que ficaram por cumprir,

Ficará eternizado numa varanda à noite,

Sem luar…


23/01/03


Diana Gomes
 
E o ciúme e a saudade...

Poema ao destino...

 
Vou pintar de verde o meu destino,
Na esperança que um dia ele entoe um hino,
Não um hino qualquer,
Um hino de vitória,
Um hino de alegria,
Por um amor que não naufragou,
Por uma amizade que não acabou.
Porque me encheu de esperanças,
Como um sorriso, uma palavra, um abraço amigo,
Porque me derrubou sonhos,
Como o mar encapelado,
Que empurra o barquinho que vai sem rumo;
Porque com os sonhos derrubados,
Prossegui, aprendi e talvez venci;
Porque as amizades que terminaram,
Já não voltam como em tempos,
Se é que voltam;
Porque por trás de tudo o que sou, existirá sempre o que fui;
Porque à frente virá o que poderei ser,
E o que serei;
Porque o destino brincou,
Com amores passados e esquecidos,
Com amores presentes e não sentidos;
Porque o destino foi o que escolhi,
Mal, bem quiçá?
Porque as opções que tomei,
Por certo foram as que mais me ensinaram,
Pois as outras não vivi;
Porque além daquilo que sinto, ou finjo sentir,
Haverá o que eu gostaria de sentir,
De descobrir.
Porque não sei o que sou,
Ou porque o sei e mais ninguém sabe.
Porque o destino, já não é o q foi, é o que virá,
E virá pintado de verde...

17-01-99
 
Poema ao destino...

Esta noite

 
Esta noite não pude perder-me em ti…
Senti a imensidão das muralhas que nos separam…
Senti a impotência das lutas que em vão me moveram,
Senti que simplesmente te perdi…

Esta noite necessitei que as amarras do teu Amor me prendessem,
Precisei que estivesses junto a mim,
Que escutasses o som das lágrimas que correram sem fim,
Precisei que me abraçasses e que os meus medos se perdessem…

Esta noite, foi só mais uma noite vazia…
Foi uma noite escura e fria…
Em que o Adamastor não foi vencido,
E em vão foi todo o caminho percorrido!

Esta noite, assim como tantas noites, senti que nada posso mudar,
É absurdo lutar!
Este silêncio destrói-me,
Este vazio de Ti dói-me…

Esta noite, senti o cansaço vencer-me,
Senti a desilusão abater-me,
Senti que todo este tempo fui a sombra de uma luta perdida,
Que se nega a aceitar que está vencida!

Esta noite, foi mais uma noite a vencer…
As saudades foram a minha companhia,
No funeral de um sonho que não consigo esquecer,
Amo-te tanto que me nego a aceitar que te vou perder…

24/09/08
14:55h
 
Esta noite

Diana Gomes