Poemas, frases e mensagens de Betha Mendonça

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Betha Mendonça

Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)

 
Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)
 
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Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)
by Betha Mendonça

Esse não pretende ser um trabalho científico.É fruto da observação desta amadora presunçosa sobre a diversidade, boa em qualquer ramo da atividade humana, nos sites de literatura na grande rede.

Na escrita onde as matérias primas dos textos são imaginação, conhecimento e criatividade; a heterogeneidade de padrões, pensamentos, atitudes e outros são excelentes fontes de aprendizado. Tentarei dar face a alguns desses grupos ou tribos:

Religiosos – têm fé exacerbada e inabalável.Falam de crença, luz, esperança. A graça Divina e os poderes no Ser Supremo estão de alguma forma presente nos seus trabalhos que enchem os olhos e coração de quem os lê de paz.

Góticos – costumam usar avatares assustadores e/ou deprimentes.São profundos. Dizem das mazelas do nosso interior e da humanidade. Transitam no céu e inferno, na crença e descrença com a velocidade do Trem Bala. Suas obras, em alguns despertam consciências adormecidas, em outros (mais sensíveis) o desejo do suicídio imediato, que é controlado com a leitura dos escritores religiosos.

Comadres – são flores de criaturas. Falam da natureza, de sentimentos e sensações femininas. Aos mais letrados soam piegas e sem nenhum talento.São literalmente amigas do peito.De vez em quando têm umas rusgas seguidas de pedidos de desculpas e lágrimas.De tanto que distribuem carinhos e beijinhos entre si, nem são consideradas escritoras por alguns de seus pares que acham que essa Tropa deveria estar em sites de relacionamentos e não de literatura.

Intelectuais – escrevem como em hieróglifos.Suas letras são complicadas, com teor carismático, metafísico, difícil ao entendimento dos reles mortais.Só eles e sua inteligência acima da média conseguem compreender e discorrer sobre suas grandes obras. Não ousam sujar seus literatos olhos em trabalhos, que segundo sua ótica e medida ,não possuam pelo menos dois dedos de profundidade.Alguns têm cocientes de inteligências, sapiência e egos tão grandes que deveriam abrir sites de literatura só para eles. Nesse seleto grupo também existem os compadres que fazem entre si homenagens em formas de versos e prosas.

Novatos – são escritores que vão do medíocre ao mais puro brilhantismo. Chegam com suas letras onde já existem tribos antigas e mesmo que escrevam um texto no nível de grandes autores da literatura mundial têm leituras que não atingem nem dois dígitos. Depois de algum tempo engrossam um dos grupos já formados e vêem chegar outros que passarão pelas mesmas provações.

Populares ou Estrelas – de tão famosos no sítio na maioria das vezes nem precisam escrever um “A”. Postam um espirro e explodem o contador de acessos! Têm números espetaculares de comentários a dizer sobre o quanto o espirro é importante para limpeza da árvore respiratória, de quanto foi rítmico, belo e bem colocado aquele espirro. Alguns se emocionam e vão às lágrimas.

Ainda existem outros agrupamentos: os omissos, os mureiros, as fifis... Que são tão importantes dentro do contexto de um sítio literário internético quanto os já citados e serão matéria de outro ensaio.

Aos que se perguntam como ela pode ser tão crítica e pretensiosa, e, vir aqui “catalogar” estilos e pessoas?
Simples: olhei para dentro de mim e encontrei no meu interior um pouco de cada um deles e delas!
 
Tribos de Escritores de Sites da Internet (rebostagem - ¬¬)

É Errado Tentar Escrever Com Técnica?

 
É Errado Tentar Escrever Com Técnica?
by Betha M. Costa

Livre como o pensamento é a escrita. A não ser que se engarrafe a imaginação e a lance ao mar do esquecimento...

Admiro quem escreve por instinto. O autor (a) joga o que lhe vem à mente em palavras ao papel (ou tela do computador) e ao final apresenta um belo bem escrito texto. Parabéns aos que têm esse dom maravilhoso de escrever apenas com a inspiração e sem transpiração!

Admiro quem se preocupa em saber sobre o que escreve. Quem cuida da ortografia, gramática, procura conhecer os estilos literários. Quem componha por inspiração e transpiração!

Todos estão certos sobre o que querem para si, seus textos e passar aos seus leitores.

Inaceitável é que em um local – que pretende difundir literatura – exista quem exalte a ignorância. Quem ache até bacana desconhecer os estilos literários, por que é "charmoso" mandar às favas essa xaropada toda de "rótulos": prosa (conto, crônica, artigo, ensaio...) ou poema (soneto, rondel, indriso, haicai, poetrix...). Para que toda essa prepotência? Somos todos amadores, não é mesmo?

Ah, bom!... Ser criativo não é ser ignorante. Ser rebelde não é fechar-se ao novo e ao conhecimento, e, de quebra ridicularizar quem sabe aliar com esforço o sentimento e/ou pensamento a técnica.

A liberdade poética, de criação e/ou de expressão é via de muitas mãos. Cada um use seus valores pessoais como lhe aprouver. Que componha como melhor lhe parecer. Contudo, que não seja difundido num “sítio de literatura” que é errado ou careta usar técnica para escrever!Cada qual com seu cada qual!
 
É Errado Tentar Escrever Com Técnica?

Sobre Ser Mulher

 
Sobre Ser Mulher
by Betha M. Costa

Mulheres só entendem o sol a amorenar sua pele, o vento a lhe sussurrar segredos aos ouvidos, as águas a acariciarem o seu corpo, enquanto a lua enlouquecida faz-lhe confidências de amor.

Mulheres entendem o cântico dos pássaros, o gargalhar da felicidade, o pranto dos desvalidos, a angustia dos solitários, o coro dos anjos na dança das marés, fases da lua e dos hormônios dentro de si.

Mulheres gostam da chuva que cai do céu e daquela que as molham por dentro, até transpirarem por cada poro o perfume envolto na aura mágica do êxtase.

O entendimento feminino vem da terra que semeia no seu ventre frutos de santidade ou pecado, e, do fogo da sabedoria que lhe incendeia na mente a essência do poder da vida: o barro da terra crescendo sob seu ventre por meses a fio, os seios pesados de alimento, o corpo crescido, a alma elevada até a explosão de novo ser.

Entender vem do saber-se inteira, tendo algo a completar-se a cada dia, na poeira da estrada que às vezes cega os olhos pela paixão por um homem que só é verdadeiro nos seus sonhos, por que o sonho mata a fome e a sede de desejo que lhe massacram corpo e a alma.
 
Sobre Ser Mulher

Poema e Poesia

 
Poema e Poesia
 
Poema e Poesia
by Betha M. Costa

Acabou a poesia que me sustinha a fé nos dias, e corria bicho solto pelas campinas do meu querer. Aquele que rolava em novelos de prazer pelas ladeiras dos sentimentos, bolhas d’água e sabão, delicadezas a explodirem em festas no ar.

Triste ver um poema espalhado pela casa, mãos perdidas dos dedos pelos cômodos, sem poder na pena e tinta tomar vida.

E um grito canta da sala à varanda, uma música cai do piano, uma lágrima alimenta o aquário e a alegria sai pela porta da frente. Na soleira um sorriso sem viço sobre o tapete de boas vindas.

Tudo por causa daquele nome retido na boca, que feito um livro guardou as palavras, e, levou consigo os meus versos. Sem ele não existe poesia que valha um poema.

*Imagem Google
 
Poema e Poesia

Carta de Despedida Número 03

 
Carta de Despedida Número 03

Belém, 15 de janeiro de 2009.

Despeço-me do castanho dos teus olhos que me enfeitiçaram de afetos e temores. Sou ave para quem o céu é muito azul para pouca asa.

A imensa distância que de mim te separa, não me permite ir além do fulgor que emana do teu olhar, e, das frases de amor que ouço dizeres para mim de onde não te vejo, mas sinto como se aqui...

Tenho que me despedir do castelo de cristal - aquele que julguei ser de diamante - sem suspeitar-lhe a fragilidade. Em pouco tempo tornou-se cacos sobre onde eu caminhei com passos lentos a ferir e sangrar os pés.

Solto as amarras do laço rubro e florido que por momentos atou nossos destinos. Para ti não era para sempre... Enquanto julgo que nem o éter é tempo suficiente para que eu esqueça àquilo que és e foste para mim!...

Predestinada a vôos mais baixos, prefiro que me cortem as asas antes que eu não chegue aonde sei que não estarás.

Bater adeus é cansativo! Tenho punhos e braços doloridos de tantos acenos que a vida me levou a dar. Se nessas mãos cheias de tantas palavras, ainda me restarem forças e eu conseguir lançar da pena um punhado de versos, tentarei te escrever um último poema de adeus...

by Betha Mendonça
 
Carta de Despedida Número 03

Atrás do Espelho

 
Atrás do Espelho
 
Atrás do Espelho
by Betha M. Costa

Muitas vezes eu adormeci em calma sobre um rio de lágrimas. Despertei com as mãos envoltas nas dores mais antigas e passei o dia com o olhar coberto de risos.

Por vezes ocultei a melancolia atrás do espelho do banheiro. Prendi ao guarda-roupa perfumado com cheiro do Pará uma ou duas esperanças ressecadas.

As tristezas cerzidas por grosserias, desrespeitos e achincalhes gratuitos, criaram teias de gelo nas minhas cordas vocais. Se pagas, elas me fariam mulher rica em adjetivos lançados ao rosto no propósito de machucar o âmago...

O silêncio tornou-se a minha resposta, pois perdi a noção do diálogo. Não tenho gosto em degelar palavras a quem não tem o interesse de bebê-las.

Muda. Comunico-me somente através do olhar com quem seja capaz e/ou sinta vontade de decifrá-lo.
 
Atrás do Espelho

Ritos e Mitos

 
Ritos e Mitos
by Betha Mendonça

Não tenhas dó deste reino sem rei nem rainha,
E nem do súdito cuja fé apaga-se ao sopro da vela,
Nem do nobre guerreiro com a espada na bainha,
Que não pode defender do dragão a doce donzela.

Não louves nem lances incensos sobre Deusas,
Pois muitas só seduzem homens em atos e fé,
Com rostos de Vestais e almas de Medusas,
Cada uma por dentro e fora é somente o quê é.

Erros e crenças, paz e desavenças são humanos.
Como o fogo queima, a água molha e vento areja,
Limpa ou deixa a mácula do pecado que te beija!

Sê mar sem temer bater na pedra doutro lugar,
Nem fazer parte do rio onde navega Caronte,
Não vale blasfemar, sem ter moeda para pagar.

**Imagem Google
 
Ritos e Mitos

Sobre o Que Aprendi da Vida

 
Sobre o Que Aprendi da Vida
by Betha Mendonça

O que aprendi da vida ela não me ensinou. Aprendi de ver, sentir, cheirar, tocar... Através do desbotar das cores lavadas pelas lágrimas e da pintura a óleo e ar do sorriso. Não a vida não me ensinou nada: eu que aprendi na marra e no murro! No viver em cima da navalha, no corte com sangue e nas cicatrizes indeléveis. Nos caminhos e atalhos dos pensamentos. Nos momentos que não vivi, mas sonhei. Nos que vivi e foram pesadelos.

Não, não me digam nem perguntem da vida! Porque ela nunca me teve. Eu que a tive a meu modo esquisito de levá-la na dança, neste baile deslumbrante, cheio de prazeres em voos de trocas de pernas. Nos saltos a riscar o chão. Nos tropeços e pisar de pés sem tempo de tomar chá de cadeira. Aproveitá-lo até que o salão fique escuro sem nenhum ruído. Até que o silêncio cubra tudo com seu manto de veludo roxo, sob um véu branco, abaixo do tampo de vidro rodeado de madeira.
 
Sobre o Que Aprendi da Vida

Suicida

 
Suicida
 
Suicida
by Betha Mendonça

Na abóbada do inferno,
Não há vocábulos poéticos,
Dói no corpo frio eterno,
Há signos proféticos,
Invernos do Mal interno...

Eu escorro entre as paredes,
Como tinta desbotada,
Trago na boca sedes,
Da vida que me foi negada.

Jogam "areia" de gelo,
Nos meus olhos fechados,
E do cabelo ao tornozelo,
Eu pago os meus pecados.

Não se apiede de mim, rapaz!
Na vida não tive palmas,
Não ganhei louros da paz,
Sombra ao peito das almas:
Tive felicidade voraz e fugaz.

*Imagem tumblr
 
Suicida

Jardim Secreto

 
Jardim Secreto
 
Jardim Secreto
by Betha Mendonça

Fico sentada aqui na varanda
Olhos de ver a grama crescer
Parada diante da vida que anda
Lágrimas regam o entardecer

A noite chega nublada e branda
Ventos e chuvas de bem-querer
À terra que mui molhada manda
Ao Jardim Secreto florescer

As folhas e galhos em demanda
Pedem às flores tudo esquecer
E unidas se abracem em guirlanda
Para perfumar o anoitecer

*Imagem Google
 
Jardim Secreto

O Luso Poemas é Grande Pasto

 
O Luso Poemas é Grande Pasto
 
O Luso Poemas é Grande Pasto

Àqueles que gostam que os outros dêem nome aos bois, na sua maioria costuma não agir com propaga.

Uma manada de bois – seguida por algumas vacas – anda a infestar o site com a podridão que tem dentro de si e espalhar como praga suas imundícies bovídeas, que só ampliam a cada instante o Buraco da Camada de Ozônio.

No site-pasto ver-se de tudo. Todos têm direito a livre mugido e expressão, o que não significa livre opressão de algumas manadas sobre outras ou de manadas sobre certo boi ou vaca.

O grupo contra a letra maiúscula e pontuação encolhe-se nas minúsculas, mas tem as mãos prontas para tacar uma vírgula, ponto de exclamação ou interrogação, ante as mínimas reticências de quem ousa (e no geral) escreve melhor que si.

Há quem escreva português e quem escreva brasileiro, por que o tal Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ainda não chegou (chegará?) a esse pasto dito literário.

Na escrita há gado brasileiro travestido de português e português de brasileiro. Esses enganam a si próprios e as suas raízes para aparecer. Por um naco da atenção - daqueles que se julgam os touros da literatura - mugem até com sotaque diferente. Mas, não se enganem: pela pata se conhece a vaca (ou bovino)!

by Betha M. Costa, vulga Crazy Cow.
 
O Luso Poemas é Grande Pasto

Deixa (sonetilho)

 
Deixa
by Betha M Costa

Deixa que a vida se perca,
Em canções do vasto mundo,
E pule sem dó a cerca,
Desse coração sem fundo.

Coração de sorte pouca,
Eu cada instante mais louca,
Infantil e sem pudor,
Teça um novelo d’amor...

Que a natureza romântica,
Desgarre com a semântica,
Os planos dos meus vinte anos;

E um dia inteira eu te diga:
Os versos que rabisquei,
Descansam com quem amei.
 
Deixa (sonetilho)

Hoje Estou...

 
Hoje Estou...
 
Hoje Estou...
by Betha Mendonça

Triste como quem dorme profundo,
Voa através de lindo sonho colorido,
E desperta para desastroso pesadelo.

Lúcida como se a beira da morte,
Passasse diante dos meus olhos,
A minha vida inteira em filme.

Perdida como uma louca desvairada,
Trancafiada na cela de um sanatório,
Em quem os remédios surtam em efeitos.

Feia como a Rainha Madrasta Má,
Que é belíssima pelo lado de fora,
E tem coração negro noite sem estrela.

Fria como se deitada entra as flores,
Dentro de uma grande caixa de cristal,
Sem príncipe para beijar-me a boca.

Partida como uma tangerina ruim,
Que de tão azeda, junto com os caroços,
Cospe-se inteira ao lixo mais próximo.

Hoje eu estou triste como não devia,
Porque a pura e plena alegria,
Não é a veste para todos os dias!

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Hoje Estou...

Chá de Acadêmicos

 
Chá de Acadêmicos
 
Chá de Acadêmicos
by Betha M. Costa

Lugares e mais lugares... Luares!Sentei-me junto aos grandes e tomei consciência do quanto sou pequena.Não gostaram quando entornei minha chávena de chá sobre a mesa.Mandaram os serviçais limparem tudo e apagarem os rastros de minha presença.

- Mesa paga de poucos comensais não é para qualquer um! - fui alertada.

Desobediente e impertinente de nascença, trago a rosa púrpura ao peito. Marca do degredo por mim mesma aposta. Mesa posta, comensais com seus lugares marcados e menu aceito como bom repasto; é para quem come e engole sem discutir o que lhe é servido.Não há mim que não tenho paladar acadêmico e num frêmito, sem dobras na língua, tenho apetite voraz por vários estilos.Além de observadora e questionadora contumaz, falo aquilo que me apraz...

Não quero minhas palavras tolhidas por quem nem sabe como foram por mim colhidas. Quero o deguste verdadeiro, com as devidas críticas positivas ou negativas, sobre pratos expostos e copo cheio de bom vinho da liberdade a me elevar aos céus. Os chás com seus sabores doces ou ácidos não foram feitos para mim!

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Chá de Acadêmicos

Por Trinta Dinheiros

 
Por Trinta Dinheiros
 
Por Trinta Dinheiros
by Betha M. Costa

Vendi a minha vaga no paraíso,
Aluguei morada duplex no inferno,
Maculei a ferro e fogo meu sorriso,
E de lágrimas congelei no inverno.

Lancei no vento tudo que preciso,
O ser eterno, eu risquei do caderno,
No dourado espelho vi-me Narciso,
Vivi tudo do mais belo ao moderno...

Acima da montanha consagrada,
Tropecei num anjo feio, furta-cor,
E escorreguei sem fé pela estrada...

Três vezes neguei-me acompanhada,
Até entregar meu amado Senhor,
Por reles trinta dinheiros... Mais nada!

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Por Trinta Dinheiros

Diet & Light (Praça da Alimentação)

 
Diet & Light (Praça da Alimentação)
 
Diet & Light (Praça da Alimentação)
by Betha M. Costa

Depois de "bater perna” por três horas no shopping, eu e meu filho fomos dar na Praça da Alimentação.A essa altura eu estava para ter uma cara branca ou siricotico de tanta fome.Onde dava a vista, as mesas todas ocupadas.Pés, aliás corpo todo doído, vi uma lanchonete onde havia lugares vagos e cai na bobagem de dizer:

- Filho, tem lugar ali naquela lanchonete!Vamos pra lá?

- Por favor, mãe!Ficar em lanchonete na Praça de Alimentação? É programa de índio!

- É mesmo?Eu nem sabia que as aldeias indígenas estão tão modernas... Retruquei irônica.

- Ah, a senhora sabe!...Esse é o lugar onde a gente vê e pode ser visto, mãe!Disse abrindo os braços como quem abraça a todas as mesas da Praça.

- Mas...Mas...Eu só quero sentar e comer!
Choraminguei.Não faço questão de ver nem ser vista!

- Eu faço!Olha ali uma mesa vagando!...E o menino correu feito atleta olímpico ao lugar. Por pouco não senta no colo de uma senhora que tinha uma enorme verruga na testa.Instalado e sorridente ele acenava vitorioso me chamando pra sentar.Arrastei-me nos saltos e sentei.

- E aí? O de sempre? Perguntou.

- Sim o de sempre: uma pizza mista brotinho, cheesebuguer com batatas fritas e coca-cola pra cada um.

- Beleza!Deu-me um beijo e foi buscar nossos pedidos.Aproveitei para olhar o ambiente quando ouvi ao meu lado:

- Menina!Não acredito!Há quanto tempo!E dou de cara com uma colega do tempo de ginásio. A mulher linda, magra e ar jovial como uma modelo.

- Nossa! Que bacana!Como tu estás bem!Exclamei com uma ponta de inveja.

- Tu também estás ótima, retrucou com um olhar, que fez eu me sentir uma elefantinha rosa com bolinhas brancas.

- Senta aí que estou esperando o meu filho!
Convidei a contragosto.

- Obrigada!Eu vou ali ao japonês pegar um chá verde pra mim e... Antes que ela terminasse a frase pedi que tomasse conta das minhas coisas. Corri para fila da lanchonete e falei para o Bruno:

- Filho, suspende o meu pedido!Para mim um café expresso com adoçante e água mineral.

- Mãe?A senhora está bem ou a fome devorou seus miolos?

- Garoto eu estou ótima, só não quero que aquela minha colega anorética ache que sou comilona!...

- A senhora É comilona!

- Shiiuuuu!Não repete isso e faz o que mandei! Retruquei voltando para a magricela.

Quando ela ia levantar para pegar o nojento chá verde, surgiu outra colega da mesma época. Graças aos céus tinha aparência normal e sentando com a gente exclamou:

- Garotas!Que bom encontrá-las!

- Puxa! Tu estás muito bem, falou para mim.Tu
mudaste muito depois das cirurgias!Dirigiu-se admirada a magrela.

- Cirurgias? Indaguei com brotoejas de curiosidade.

- Pois é... Ela estava enorrrrrrme! Fez redução de estômago. Com as plásticas e lipos subseqüentes ficou esse espetáculo de mulher.

- Han... Esperem um pouco que já volto!Alcancei o Bruno na vez do pedido:

- É o seguinte: além do de sempre, me trás um sorvete de tapioca!

- Sério?A sua colega vai ver que a senhora é gulosa...

- Também vai morrer de inveja!Com aquele estômago tamanho “pp” não pode comer nem uma batata frita!
Respondi feliz da vida.
 
Diet & Light (Praça da Alimentação)

Feliz Nem Infeliz

 
Feliz Nem Infeliz
by Betha Mendonça

Não fui feliz nem infeliz,
Delicada nem rude,
Fiz menos do que quis,
E muito mais que pude...

Se fraca ou de atitude,
Ninguém seja meu juiz:
Não fui feliz nem infeliz,
Delicada nem rude!

Com mãos sujas de giz,
Mente em inquietude,
Do viver sempre aprendiz,
Senhora de pouca virtude,
Não fui feliz nem infeliz.
 
Feliz Nem Infeliz

Luso-brasileiros Poemas

 
Luso-brasileiros Poemas
 
Luso-brasileiros Poemas
by Betha M. Costa

O Luso Poemas é um site literatura portuguesa para o qual migrou um monte de brasileiros, como muitos portugueses migram e vivem no Brasil, e, muitos brasileiros vivem em Portugal.

Na vida virtual normal temos uma rusga aqui e outra ali. Um muxoxo aqui outro ali, devido comentários que não agradam a lusos e/ ou brasileiros. Uns ameaçam arrumar as letras e ir embora, outros realmente o fazem e outros são “convidados” a o fazerem. Tudo certo: migração é tão comum aos pássaros quanto às pessoas!

Independente de sermos brasileiros ou portugueses, negros, brancos, índios ou amarelos, judeus, cristãos, budistas ou mulçumanos... Sermos GLST (gays, lésbicas, simpatizantes e transexuais), profissionais liberais ou empresários... Somos seres humanos: todos nós gostamos e merecemos respeito!

Xenofobia é doença que corrói os sentimentos e mata os melhores afetos. Devemos ignorar aqueles que querem incitar a desestabilização das relações e afetos luso-brasileiros. Quando mais lenha lança-se na fogueira maior ela fica... Se não for alimentada ou jogado areia ou água... Ela apaga!

Sempre vai haver brasileiro que faça piada ofensiva aos portugueses e vice-versa. Sempre vai haver quem julgue que um europeu vale mais que dez americanos e vice-versa. Sempre haverá quem julgue um português analfabeto valer mais que um doutor brasileiro e vice-versa. Sempre vai haver quem ache que o Brasil é um subúrbio da América ou que Portugal é um subúrbio da Europa.

Amadores, aprendizes, profissionais... Nós somos escritores e estamos aqui (independentes das nossas origens) para expor nossas composições à apreciação de milhares de pessoas que acessam o site. Não faz bem a ele, a nós e aos leitores textos pseudo-intelectuais ofensivos a uma classe ou país, por que quem melhor der seu recado e escrever sobre aquilo que o leitor busca (e se identifica) é quem vai se sobressair.

Não adianta críticas ácidas a autores lusos ou brasileiros consagrados ou não. Bate-boca em texto, guerra para mostrar que tem mais poder dentro do site. Há cada um de ver o que deseja para si e sua escrita e tocar sua vida para frente. Há pavões que usem da polêmica para aparecer... Há quem não tenha tanta força para tal, e, se queime ao insuflá-las e/ou acompanhá-las. Reflitamos!
 
Luso-brasileiros Poemas

AA (Amores Anônimos)

 
AA (Amores Anônimos)
by Betha M. Costa

Palavras mal soletradas profanam um totem sagrado, desconversam e não confessam o quê os ouvidos desejam, porém temem uma hora ouvir. Assim, são lançadas a endereços incertos, cartas de amor abrasadoras. Protegidas, letras entrecortadas, não entendidas e subentendidas, palavras que bailam aos céus dos alfabetos como estrelas silenciosas.

Sustenidos em notas musicais não escritas, nas pautas das dúvidas diárias, as superstições perguntam: vale a pena ou não gritar o “eu te amo” preso na garganta? Impossível responder. Do futuro o espelho não sabe. Até o presente a ele é nublado, por que mulheres e seus sentimentos são enigmas maiores que o da Grande Esfinge.

Você até pode escrever-lhes, falar-lhes o que sente. Procurar por uma em especial nas esquinas da sua memória de poeta. Julgar que ela existe. Mas, a musa não passa de um sonho que você inventou para amar. Tudo o que a vida lhe ensinou cabe dentro de um poema que não foi feito para ela. Só a morte é conclusão. A letra desconhecida, o Universo sem palavra escancarada à verdade.
 
AA (Amores Anônimos)

Smartphone

 
Smartphone
 
Smartphone
by Betha M. Costa

Cheguei na loja. O funcionário atrás do balcão estava ao smartphone. Olhos hipnotizados e dedos tão rápidos no teclado quanto um virtuose de piano. Cumprimentei:
- Boa tarde!
- Boa tarde! O que a senhora deseja?
- Ah! Eu aguardo o senhor desocupar aí do celular!
- Não! Pode falar! Não tem problema!
- Então... Eu quero ver modelos de copos para personalizar e distribuir de brinde na colação do meu filho...
- Estão todos ali naquelas prateleiras a direita! Apontou o homem com o queixo, sem tirar olhos e dedos do smarth. Não crendo no que acontecia, eu prossegui para saber até onde ia aquele personagem inacreditável:
- Ei! Os copos são muito legais! Têm cores e formatos diversos...
- Ééééé... Respondeu a falar para dentro de si mesmo o sujeito, sem mexer um músculo.
- Olha! Até cheiros diferentes!
- Ééééé...
Eu fiquei zangada com o despreparo do camarada que demonstrava nem ouvir o que eu dizia, e, não dar a menor bola para minha demanda. Resolvi apelar para testar:
- Tem uns com cheiro de xixi de neném, outros cor de diarreia, outros até lembram o perfume de cravos de defuntos e mofo, né?
- Ééééé... Assentiu o patetão. Boquiaberta eu me segurei e prossegui:
- Quero cem litros dessas rosas vermelhas do tipo conto de fadas! Mas, com cheiro de dentes podres... Pode ser?
- Anhan! Pode! Pode! Anote tudo nesse bloco aqui no balcão!
- Ih! Esqueci de trazer o logo. Posso mandar por telepatia para o senhor?
- Poooode! E desgrudando uma dos mãos do celu, a outra e os olhos ainda lá; ele me passou um cartãozinho com os dados da empresa.
 
Smartphone