Poemas, frases e mensagens de Ricky

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Ricky

Sobre a Homossexualidade - Resumo -

 
Quanto à Homossexualidade tão apontada e condenada ao longo dos tempos por gentes, Credos, Religiões e sociedades, sinto-a como um patamar de evolução a atingir para quem a experiencia.
Aceitando que tudo o que nos acontece é para ser vivido no sentido de sermos seres melhores, a experiência da Homossexualidade, não é, a meu ver, mais do que uma proposta que fará desses seres ou pessoas individualizadas, porque se afirmam no querer dos seus corações, ou seres que, se autodestroem por serem fracos frente aos preconceitos do mundo.
Eu diria que Homossexualidade é uma experiência quase limite. Ou te tornas feliz indo ao encontro de quem és e como és ou te autodestróis diante da tua próprio cobardia face aos outros. E o mundo não merece sacrifícios destes!
Cristo quando veio à Terra trouxe pela primeira vez à Humanidade a consciência do Amor como liberdade, afirmando e vivendo-a como lei, na relação com o próximo.

"Amai-vos uns aos outros ..."

Ele não descriminou quem nem como se deveria Amar, simplesmente mandou Amar. Só ama quem é livre, despojado de conceitos e preconceitos sem fazer acepção de pessoas ...
Homossexualidade não é doença ou loucura, é apenas uma forma de felicidade "codificada" nos genes físicos e Espirituais de alguns seres humanos. Esses que assim o precisam para a sua evolução. E quem o determina? Não é por certo o próprio mas quem o Cria - Deus, a Vida, o Universo, o Cosmos ...
O que ocorre é que quando as pessoas se identificam demais com a sua dimensão exterior afastam-se das suas Almas, as suas verdadeiras identidades, aquilo que sentem. Criam barreiras, obstáculos, paredes que cilindram o Amor.
Porque os padrões convencionais, as normas e as condutas que não passam de rigidez obscura e ultrapassada "ensinam" o que é certo fazer neste mundo, ainda que, o que seja certo fazer vá contra o Amor. Pobre de quem se deixa arrastar por culpar, julgar amedrontar ou por se sentir culpado, julgado ou amedrontado. Está preso na pior das prisões, dentro de si! Por castrar ou ser castrado!
Cada vez que um ser humano culpa outro por ser diferente está a mata-lo! Está a matar nele a Lei do Amor só porque ama de outra forma. Está a matar Deus no seu semelhante porque Deus está em nós! A ignorância é o verdadeiro pecado ao cimo da terra!
Homossexualidade não é uma opção é uma orientação. Realidade sem escolha tal como a heterossexualidade. Proposta de aprendizado e crescimento interior através de um diferente contacto intimo, profundo e sexual com outro ser. Uma diferente mas legitima forma de aprender a Amar e demonstrar o Amor. E que importam os corpos se as Almas se encontram, se sentem, se aproximam, se amam?! Se as Almas são eternas e os corpos temporários, nós somos eternamente a nossa Alma e temporariamente o nosso corpo. Somos o dentro e não o fora. O fora é um palco apenas! As criticas, objecções e culpas são apenas socais, exteriores, coisas do ego e da personalidade que pouco tem de sincera.
A Alma não tem sexo nem idade. É vida em nós e isso é universal...
Quando as Almas se encontram, independentemente das pessoas serem ou não do mesmo sexo, os corpos adaptam-se. Porque o que importa é o processo de aprendizagem amoroso que pode ser feito a dois tempos. O Amor é igual na essência mas pode ser diferente na forma de expressão. O que não deixa de ser igualmente digno e Amoroso. É assim na homossexualidade!

Quanto a Deus, Ele é Pai. Pai de todos. Pai de cada um. Então que Pai, sendo Deus, poderia renegar um filho por ele se diferente, tendo Ele próprio, Pai, permitido e aceite essa diferença na Vida do filho quando o gerou?!
Acredito sobretudo em Deus e não no que os homens dizem que é Deus! Eu nunca escolhi ser homossexual e nunca em momento algum me senti preterido por Deus por sê-lo! Sempre senti em mim que até isso era Obra das Suas mãos...
Cada um é o que é e como é como Condição de nascença!

Acredito no Amor, sobretudo que ele pode ser mais forte que o preconceito. Mas acredito também que ele só pode vencer na diferença quando os seres que são diferentes vivem na recta da coragem, dispostos a tudo para se afirmarem na verdade de quem são e como são, frente à Vida, frente aos outros, frente ao mundo. Seres sem medo, obstáculos ou barreiras, dispostos a romperem com tudo para se unirem a si mesmos num acto de pura fidelidade interna. Ninguém pode ser fiel a ninguém em circunstancia alguma se antes não for fiel a si próprio além de todos os constrangimentos! Seres livres que tudo fizeram para se libertarem, autênticos, transparentes, "loucos" aos olhos do mundo mas verdadeiros aos olhos da Vida, íntegros aos olhos de Deus. São esses "loucos" que podem um dia mudar o Mundo!

Ser ético e coerente é aceitar incondicionalmente os outros como são e respeita-los na diferença, no fundo, amarmo-nos a nós próprios nessa mesma diferença! Homossexualidade significa isso mesmo, amar na diferença. Amar! Sobretudo aprender a Amar transformando os desejos instintivos que queimam o corpo em consciência libertadora. Amar integrando esses desejos, desejar o Amor e não amar o desejo! Na verdade, o percurso interno e externo de qualquer heterossexual.

Deixem-se de etiquetas ou logótipos, a Vida vale muito mais do que tudo isso, o Amor é bem mais profundo do que qualquer padrão social, convenção politica, económica ou religiosa! A Vida é para ser vivida e não castrada por culpas do socialmente correcto.
Cristo, esse Ser Universal, foi o primeiro homem ao cimo da terra que rompeu amarras sociais em nome do Amor quando protegeu e defendeu os considerados socialmente indignos. Ele mostrou ao mundo que o Amor, qualquer que seja a sua forma de expressão, não se condena, porque exactamente é Amor...

Digo-vos, não é fácil ser diferente mas é muito inspirador!

Em Deus
Ricardo Maria Louro

Évora
 
Sobre a Homossexualidade - Resumo -

Silencios e Punhais

 
Quando frios nos separamos
entre silêncios e punhais,
solidões e vendavais,
soubemos que nunca nos cruzamos!

Minha Alma pálida, sombria se fez,
gelado gesto o teu abraço,
aquele que me deste, ultima vez,
triste corpo em meu regaço!

E fracassaram as promessas!
Do que agora estou sentindo
só tenho uma certeza, que não regressas!

Hei-de para sempre lamentar-te,
e se um dia vieres ao meu encontro,
após tardos anos, sei que ainda hei-de amar-te!

Ricardo Louro
no Estoril
 
Silencios e Punhais

Meio - termo

 
Não interessa que o Homem se responsabilize pela sua Existência sem se debruçar sobre a sua Essência.
E não interessa que se debruce sobre a sua Essência sem se responsabilizar pela sua Existência!
Estamos e vivemos num mundo dual entre o Espírito e a Matéria, entre a Vida e a Morte, entre o Bem e o mal!

Ricardo Louro
no Chiado
 
Meio - termo

Sobre a Homossexualidade ...

 
(Uma analise Yungiana sobre a homossexualidade. O ponto de vista da Alma, o sentir de cada um...)

Quanto à Homossexualidade,
tão apontada e condenada
entre as gentes, Credos, Religiões
e Sociedades,
sinto-a como um patamar de Evolução
para as Almas que a experienciam.

Vidas de aceitação, integração
e compreensão de si e dos outros
no sentido de uma profunda e nova
reestruturação Psíquica e Emocional.

Não é fácil ser diferente!

A Ciência Esotérica ensina
que as Almas não têm idade, sexo
ou apegos materiais.
Elas são o profundo sentir
de cada ser Humano,
o canal que nos religa ao Divino
em nós, à Casa do Pai.

A Alma não tem tempo,
ela permanece atemporal,
fora do tempo comum
que gere este mundo,
o Eterno Presente.

O que ocorre, é que quando a Alma
baixa à matéria, é revestida,
em cada nova Vida,
de um diferente corpo físico
que se deteriora com o tempo
e que é possuidor de um dado sexo,
vive numa dada sociedade,
num dado tempo.

É a "Prisão" do Espirito!
Prisão necessária à Evolução da Alma.
O retorno à Liberdade perdida
ocorre com a morte, a passagem.
E um novo ciclo se inicia.

"A Alma Humana é como a Água,
vai e vem ao Céu para depois tornar
à Terra em Eterno ir-e-vir ..."

Afirmou certa vez o Poeta
e Filosofo Alemão Goethe.

É esta a dor,
mãe de todas as dores
que transportamos:

sabermo-nos Eternos pela existência
da Alma e vermo-nos fisicamente
morrer a cada dia que passa
pelo envelhecimento do corpo físico.

Mas atendendo que a Alma já vem
de muitas Vidas, traz inerente
um percurso de conquistas e dramas
de todas as experiências que já viveu, sendo que, nesta Vida,
a ultima em que se encontra,
está no ponto actual dessa viagem
onde se vê Incarnada na matéria
para Evoluir pela via da Consciência,
o Espirito.

Uma nova oportunidade!

O que pode acontecer,
e que parece estranho ao comum dos Homens,
é como podem pessoas do mesmo sexo envolver-se intimamente.
Ou como pode um Homem ser mais feminino
e uma Mulher mais masculina.

Acreditando que já fomos homens
e mulheres "noutros tempos",
noutras Vidas, as Almas levam para
cada Vida as memórias de quem foram, por isso, pode ocorrer haver num corpo masculino
uma Alma com muitas memórias femininas
ou vice-versa.
Assim ocorre também na atracção sexual
entre dois Seres do mesmo sexo,
eles até podem ter memória
de já se terem relacionado noutras Vidas!

Mas quando de novo se reencontram,
vêem-se "presos" em corpos físicos diferentes
dos que tem memória
de já ter tido. Claro que tudo isto ocorre
de uma forma inconsciente. Porque de lá
vem todas as memórias que nos habitam.

E assim surgem as barreiras ao contacto
das suas Almas.
Barreiras que no fundo são apenas sociais.

Mas se assim ocorre, parece haver
uma estranha contradição
na "programação" genética e Espiritual destes Seres,
afirma o homem comum.

Mas esta é uma afirmação
que sinto ser incorrecta,
porque se assim ocorre,
se assim o são,
e aceitando que tudo o que nos ocorre
é para ser vivido no sentido
de sermos seres melhores,
e que cada um de nós nasce da mente-de-Deus,
esta é mais uma experiência que fará desses seres,
ou seres individualizados porque se afirmam
pelo querer das suas Almas
ou seres que se autodestroem
por serem fracos frente aos preconceitos
do mundo.

Vejo na Homossexualidade
uma experiência "quase-limite",
sem meio-termo de equilíbrio.
Ou te tornas feliz indo ao teu encontro
ou te autodestróis
diante da tua própria cobardia.

E o Mundo não merece sacrifícios destes!

Sinto que esta diferença em tudo tem a ver
com o percurso individual das Incarnações
de cada um,
porque a viagem da Alma afinal é continua.

Tudo parte de uma intenção Divina,
intenção sagrada no percurso de cada Ser,
porque no fundo,
o Projecto é o mesmo para Todos,
mas cada Ser, tem o seu tempo,
o seu ritmo, os seus obstáculos,
e tudo varia.

Este Planeta é uma Escola
onde vimos ganhar Consciência de Unidade
pela divisão através das dores e da integração
daquilo que nos vai acontecendo.

Devemos em cada Vida pagar o Karma
e atingir o Dharma,
tornarmo-nos Seres mais Conscientes
e Unos, de Coração aberto para a Vida
e para os outros.

No fundo, fazer aquilo que o Cristo nos ensinou,

"Amarmo-nos uns aos outros ..."

E Amar os outros significa aceitar e Amar
as suas diferenças.

Aceita-los incondicionalmente percebendo
que cada Homem, por ser uma Alma,
vale mais do que o seu pior acto,
do que a sua pior escolha ou erro
no decorrer das suas Vidas.

Não é o caso da Homossexualidade,
não é doença ou loucura,
é apenas uma forma de felicidade
codificada nos genes físicos e Espirituais
de alguns Seres Humanos.
Daqueles que assim o precisam
"naquele" passo do caminho.

Todos nós já fomos Homens e Mulheres
noutras Vidas,
e o que determina essa característica
é a Personalidade de cada um (corpo físico)
que cada Alma toma nas várias Incarnações.

Todos nós já fomos YIN (femininos)
e YANG (masculinos),
e ambas as polaridades habitam cada Ser.

Se a Alma é isso que em nós sente,
ela é isso que em nós transporta
o ADN Memorial que nos habita,
a nossa herança emocional.
Herança de muitas Vidas resultado
de todas as experiências vividas
e não integradas, mas também as aceites
e dignificadas com que lidamos a cada dia que passa
e que vivemos no passado.

O Consciente e Inconsciente de cada um…
Tudo somos nós e nós somos tudo!

Assim, o corpo físico,
não passa de um veiculo
para a Alma se deslocar.
Ele é filho da Terra,
apenas uma imagem física
que muitas vezes nos limita
e que vindo do pó
um dia ao pó terá que tornar...

Quando as pessoas se identificam demais
com a sua dimensão exterior,
afastam-se das suas Almas,
a sua Identidade Maior.
Ao afastarem-se das suas Almas,
afastam-se de todas as outras Almas,
criam barreiras, obstáculos, paredes,
escudos à dimensão Cristica
dos seus Corações, o Amor.
Aí, prevalecem os padrões sociais,
normas, condutas rígidas e obscuras
que activam culpas, julgamentos e medos.
E a Vida bloqueia, as pessoas adoecem
e muitas vezes morrem.
Ou então, as "pedradas" feitas culpas
que lançam contra os outros,
bloqueiam-nos, adoecem-nos e matam-nos.

E Cada vez que um Ser Humano culpa outro
está a mata-lo! Está a matar a Lei-do-Amor
que o Cristo trouxe à Terra,
está a matar o próprio Cristo,
a Vida no seu irmão,
está a "pecar" por ignorância contra Deus!

... porque "Deus é a Vida e a Vida é Deus."

Vida que somos cada um de nós,
sua parte integrante.
Homossexualidade não é uma opção,
é uma orientação.

Realidade sem escolha,
tal como a Heterossexualidade,
transformada em proposta de crescimento
interior pela experiência,
nesta Vida ou mais Vidas,
desse diferente contacto intimo,
profundo e sexual com o outro Ser.

Uma diferente forma de aprender a Amar!

O que importam os corpos
se as Almas se encontram, se sentem,
se aproximam, se Amam?!

Se as Almas são Eternas
e os corpos temporários,
nós somos a nossa Alma
e não o nosso corpo.
Somos o dentro e não o fora!

As criticas, objecções e culpas
são apenas sociais, exteriores,
porque a Alma não culpa ninguém,
a Alma só quer Amar.

Quando as Almas se encontram,
independentemente das pessoas serem
do mesmo sexo ou não,
os corpos encaixam, adaptam-se.
Porque no fundo, o que importa
é a Evolução Balança de dois Seres
que juntos aprendem a dimensionar
a Vénus, ainda que na diferença.

O Amor é igual na Essência
mas pode ser diferente na forma
de expressão…

É assim na Homossexualidade!

Deus é Pai, Pai de Todos,
Pai de cada um.
Que Pai, sendo Deus,
poderia renegar um filho
por ele ser diferente,
tendo ele próprio permitido e aceite
essa diferença na Vida do filho?!

Condição-de-Nascença!

Acredito no Amor, sobretudo
que ele é mais forte que o preconceito.
Mas acredito também,
que ele só pode vencer na diferença
quando os Seres que são diferentes
vivem na recta da coragem,
dispostos a tudo para se afirmarem
na verdade de quem são e como são,
frente à Vida, frente aos outros,
frente ao mundo.

Seres sem medo, obstáculos ou barreiras,
dispostos a romperem com tudo
para se unirem a si mesmos.
Livres, autênticos, transparentes,
"loucos" aos olhos do mundo,
Verdadeiros aos olhos da Vida!
Mas só os "loucos" poderão um dia
modificar este mundo,
são eles que o mudarão.
Ser Cristão é aceitar incondicionalmente
o irmão, Ama-lo na diferença,
no fundo, amarmo-nos a nós próprios
nessa mesma diferença!

Homossexualidade significa isso mesmo,
Amar na diferença.
Amar! Sobretudo aprender a Amar
banindo o desejo que ainda pode mover
o Ser Humano.
Amar integrando esse desejo,
desejar o Amor e não Amar o desejo!
No fundo, o percurso interno
de qualquer heterossexual...

Deixem-se de etiquetas ou logótipos,
a Vida vale muito mais do que tudo isso,
o Amor é bem mais profundo
do que qualquer padrão social,
convenção politica, económica ou religiosa!

A Vida é para ser Vivida e não castrada
por "culpas" do "socialmente correcto"!

Cristo foi o primeiro Homem ao cimo
da Terra que rompeu amarras sociais
em nome do Amor quando protegeu
os considerados "socialmente indignos".
Ele mostrou ao mundo que o Amor,
qualquer que seja a sua forma
de expressão, não se condena,
porque exactamente é Amor!

RICARDO LOURO

para a União das Almas
na Luz da Consciência
 
Sobre a Homossexualidade ...

Saudade, vazio e dor

 
As tristezas que me doem São saudades ...
Ó vida, dizei-me, porque tanto me enganais?!
Foram dadas no silêncio das idades
por olhares de quem não torna mais!

E porque partem todos os que amamos
deixando no vazio quem nunca esquece?
Pobre de quem fica pela vida mendigando
esperando o novo dia que amanhece!

Saudade, vazio e dor ...
Aquilo que esperei está tão mudado
que esqueci no peito o que é amor!

Não há esperança p'ra quem perde alguém que ama!
Má fortuna, dor ardente, tempo errado,
um grito de silêncio que por nós ainda chama ...

Ricardo Maria Louro
Em Monsaraz
 
Saudade,  vazio e dor

Cheguei ao Fundo

 
Cheguei ao fundo
das ilusões que não tenho.
Das esperanças que perdi
dos olhos que não viram
das loucuras que senti!
Cheguei ao fundo ...

Cheguei ao fundo
das palavras que esqueci.
Das coisas que vivi
dos sonhos que partiram
das vezes que menti!
Cheguei ao fundo ...

Cheguei ao fundo
dos amores que não tive.
Dos que tive e que não quis
dos que quis e que partiram
da vida que vivi!
Cheguei ao fundo ...

Ricardo Maria Louro
Em Évora
 
Cheguei ao Fundo

Lágrima Celeste

 
Lágrima Celeste
 
Há uma lágrima Celeste
no teu rosto a deslizar
das palavras que disseste
junto às ondas do mar:

" - Sou Gaivota debandada
à deriva pelos Céus
à procura numa estrada
d'encontrar os olhos teus!"

Tua lágrima Celeste
não é lágrima do Mundo
é ternura que te veste
cada hora num segundo.

E o silêncio que fizeste
não apaga ao passar
essa lágrima Celeste
no teu rosto a deslizar ...

Ricardo Maria Louro
Para Celeste Rodrigues.
À doce amizade que nos une.
 
Lágrima Celeste

Em Busca de Liberdade

 
Horas magras, doídas, obtusas
batem na torre da Igreja,
horas tristes, veladas, confusas,
no Coração de quem sofre, Deus os proteja!

Gente fria, frustrada, sem Paz
à deriva pelo mar da existência,
gente dura, sofrida, incapaz,
sem Amor, em decadência!

É esta a raiz da minha gente
neste Alentejo tão fechado
onde ninguém vê o que sente:

e Eu, sempre tão diferente, sempre sem Ar,
fugi à foice, ao machado,
fui ser Livre, fui Amar ...

Ricardo Louro
Évora
 
Em Busca de Liberdade

Voz

 
Certa vez, num tempo que não é daqui,
escutei perto de mim uma lânguida voz!
Alguém que antes nunca ouvi,
e que terna me disse:"Não estás só!"

Não era deste mundo
essa voz de oiro e de cetim,
tocou-me forte, bem fundo
e levou-me além de mim ...

Então prosseguiu:"As pessoas não
nos pertencem, fazem parte de nós!
Somos Unidades de Vida!" E tocou-me na mão ...

"Somos pedaços de Amor que algures se encontrarão,
à luz de um novo tempo, de vida e esperança
num Universo de Cristal e pura gratidão..."

Ricardo Louro
no Estoril

A Maria Flávia de Monsaraz.
 
Voz

Estranho e Sombrio

 
Talvez houvesse um amor
esquecido no coração
mas só havia dor
e gritos de solidão.

É tão negro o que pressinto
quando passo àquela rua
que ao sentir o que não sinto
sei que a dor não é só tua.

E se uma lágrima caida
trouxesse luz ao teu olhar
faria desta vida
um lamento ao passar.

Mas levo o corpo fechado
o teu retrato na mão
e num gesto calado
um punhal no coração.

Ricardo Maria Louro
Em Évora
 
Estranho e Sombrio

Eu, Évora e a solidão …

 
É noite … Évora faz silêncio.
Caminho-a na penumbra,
meio triste, meio esquecido …
Sozinho, em direcção, não sei de quê – vou!
E vou em vão! Ou não! Talvez vá, bem sei …
Mas indo irei eu a parte alguma?!
Não sei! A parte incerta irei, por certo!
Mas irei … irei … Que os meus cansaços
não me turvam, nem me toldam,
nem dominam! Irei! Irei!
Caminhando pela umbra … vou além …
onde não cheguei ou alguém foi.
A avenida, o Hospital, carros a passar,
um caminho sinuoso por passeio,
árvores sem copa, folhas, tantas folhas -
secas - pelo chão … que piso!
Triste quadro. Minha vida. Pobre vida.
Eu, tão grande, “doente”, a pé, só,
por caminhos, tristes, sem tectos,
caminhando sobre folhas, secas,
esperanças fugidias … sou eu! Sou eu!
Um ser obsoleto! Alguém que sobra!
E é noite, cerrada – madrugada, infeliz.
Só eu e nada, Évora e a minha solidão.
Eu, meu coração, Évora e este “chão”...
E piso a noite, passo,
num passar que pisa a solidão.
E piso a vida, vou,
num ir que parece ser em vão!
Mas vou … E nunca, nunca aprendi a existir!
Esta dor de fora fáz-me exacto por dentro! Só ela!
E isso que vos importa?! Nada! Digam-no!
Das mãos de Deus o aceito, de vós o aceitarei,
sem reservas ou lamentos,
que tudo tem seu jeito! Terá?!
Quem sabe?! Tenho que ir …
se o quero saber, terei que ir …
deixando p'lo caminho os “corpos” de toda gente.
E dói-me o meu destino …
Não posso esperar por ninguém!
Pois não posso estar morto quando a morte vier!
Quero que ela mate em mim um vivo!
Por isso, vou, e deixo os “mortos” no caminho.
Os meus mortos!
Que estando vivos, são mortos! Mortos!
Meu caminho é por mim, é em mim,
por mim fora, de mim a mim …
E quem quererá ouvir ou entender
este espírito de coragem?!
Quem?! Onde?! … Se eu próprio o não entendo!
Se eu mesmo o não desvendo e desprezo!
E vou … indo … em frente …
Sequer olho para traz, que a saudade,
rói meu pensamento,
transformando coragem de ir, só,
em medo, ausência e lamento!
Não serei a estátua de sal das escrituras …
E não olho … não olho … e vou … e irei … sempre …
Em frente! Só! Em frente!

Ricardo M. Louro
em Évora

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=286862 © Luso-Poemas
 
Eu, Évora e a solidão …

A Prece de Ricardo Louro

 
Senhor, chegou a noite inquieta e hostil
e só deixou em nós os restos da vontade.
Senhor, chegou a noite e a dor é vil,
tanta é a dor e a tormenta, a saudade.

Mas há ainda uma esperança, não findou!
Que desperte. Adormecida está a Alma!
A chama não é morta, apenas se ocultou ...
Senhor, chegou a noite e a dor é calma ...

A verdade é nevoeiro, é impulso,
e Portugal é chama sem aragem,
nevoeiro sem verdade, apenas luto!
Chegou a noite e Portugal é só miragem ...

Senhor, acorda as naus que pairam sobre as águas,
desperta a Alma desta Pátria em vão dormida,
as velas e os mastros, as proas dissecadas ...
Senhor, minha Terra é uma noite perdida!

Ricardo Louro
No Chiado em Lisboa

Poema baseado na "Mensagem" de Fernando Pessoa.
 
A Prece de Ricardo Louro

Versículo da Despedida

 
É verdade meu amor que foste breve
mais breve que o cansaço à tua espera
teus olhos são gelados como a neve
prende-los nestes versos quem me dera.

É verdade meu amor que já nem penso
nas palavras que disseste ao meu ouvido
já não sinto a tua ausência já nem tento
encontrar outro caminho estou vencido.

Trago a dor e a solidão de quem não sofre
num vazio que fica em toda a despedida
sou mais triste que a tristeza que há na morte
sou mais louco que a loucura que há na vida.

Ricardo Maria Louro
 
Versículo da Despedida

Só Isto

 
Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?!
Um filho do vazio sem tecto nem chão ...
Ser confuso sem saber se resisto
até que a morte me queira dar a mão!

Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?!
Alguém que nada tem e nada é ...
Pois sigo o meu caminho e persisto
embora tenha mais cansaço e menos Fé!

Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?!
Este tormento inútil e infinito
de soluços que tenho por castigo?!

E nada pode ser o meu abrigo!
Ninguém consegue ouvir o quanto grito!
Será que vim ao mundo p'ra ser só isto?!

Ricardo Maria Louro
 
Só Isto

Corpo-de-Memória

 
Arde em mim ainda um Passado muito ausente.
Corpo-de-Memória, d'outro Tempo, vergastado,
vencido, ardiloso, penetrante, que consente,
que meu Ser esteja ainda, entre ferros amarrado!

São raivas da infância qu'inda ranjo entre dentes.
Eram cães, ladrando perto, deixando-me atormentado ...
Monstros, ilusões, sonhos e delírios - obtusos e dementes -
"índios educados" qu'inda vivem meu Passado ...

Mas há-de isto chegar ao fim!!!
Não sou nada! Não tenho nada!
Nem Pai nem Mãe! Nasci de mim ...

Porém, avançar é tudo o que me apraz,
nasci do Nada sendo Tudo e venci. Alma abandonada,
que agora, encontrada, já respira Paz! ...

Ricardo Louro
no Chiado
 
Corpo-de-Memória

Louco sem chão

 
Meu corpo de esperar-te envelhecido
sente a mágoa de um destino solitário
do meu peito, o teu olhar, em vão perdido,
como um crente rezando diante d'um sacrário.

Não vejo nada, só a tua ausência,
e vou no mundo, passo a passo, no vazio,
no mistério, na esperança e na clemência
da morte me afogar na dor de um rio.

E tudo passa, tudo acaba, que loucura,
que destino, amar e ser esquecido,
por alguém que parte sem ternura.

Por ti, de ti, em ti - saudade!
Em mim, de mim, por mim - perdido!
Um louco, sem chão, pelas ruas da cidade ...

Ricardo Maria Louro
Em Évora
 
Louco sem chão

Contra o Tempo

 
E a vida foi passando
o destino foi correndo,
minhas dores crescendo,
com elas amei, com elas sofri.
Minha ângustia ficou
meus sonhos morreram,
tudo passou, só eu não morri!
E tudo me deram
sem principio nem começo
sem virtude nem fim ...
Pelas noites bebi medo,
bebi sonhos e magia,
desecanto, dor e solidão.
Perdão Senhor! Perdão!

Ricardo Maria Louro
Em Évora
 
Contra o Tempo

Évora à noite

 
Évora! Cidade onde nasci
e onde minh'Alma pereceu.
Terra de palavras agudas
e olhos que culpam
onde meu Coração se perdeu.

Évora! Ruas negras, escuras, escusas
sem nada ... de calçadas incertas
e vozes caladas que tanto sentiram
o penar dos meus passos.
Terra de pedras e punhais,
de farpas e de foices
onde sinto ainda o peso da solidão!

E só à noite, quando os Credos recolhem
e os Ecos se calam...aí Sim!... Évora...
posso ver o teu olhar, o teu encanto,
o teu perfil!

Não era tua a voz que gritava,
eram as vozes das gentes,
empedernidas, austeras!

Ah Évora, como é bom ter-te na noite,
no silêncio do teu olhar, no sussurro das tuas águas,
no calor das tuas ruas, nas Brumas da tua Alma!

Oh Évora, encanto dos meus olhos
que embala os meus sentidos...caminho-te...
meu berço de Paz na quietude criança...
e se um dia partir, sei!

Levarei em meu regaço tua Alma,
teu jeito de Flôr Bela,
teu olhar de menina e moça
num mês de Abril!

RICARDO LOURO

(praça do Geraldo,
durante a madrugada,
quando as gentes eram ausentes.)
 
Évora à noite

Fonte Cerrada - Maria.

 
Aquela gota de água que caia
deslizava serena como a tarde
dos olhos tristes de Maria
num Cálvario de saudade ...

Fonte que ninguém buscava,
água que ninguém bebia,
gota humilde que passava,
gota leve que caia ...

Cerrada fonte, sò e triste,
gota breve que jorrava,
solidão, somente, que persiste,
toda a gente se afastava ...

Fonte aguada d'olhar triste,
água pura, noute e dia,
gota fria que não viste
nos olhos tristes de Maria ...

Ricardo Louro
em Èvora

À Virgem Santa Maria e a todas as Marias...
 
Fonte Cerrada - Maria.

Quando a Cruz

 
Quando a Cruz
 
Quando a cruz, ao alto, foi erguida,
e nela, suspenso, Jesus Cristo,
no Céu, um trovão, rasgou a vida,
nunca, nada assim, se tinha visto.

Havia tanta dor junto a Jesus ...
Sua mãe, vestia luto e solidão,
pois ao alto, seu filho, numa cruz,
como um triste condenado, sem razão.

E na tristeza de tão perdido olhar,
trazia sete dores numa mão,
e no peito, sete espadas a brilhar.

Quando, pelo Céu, o trovão soou,
as espadas, no seu peito, eu vi entrar,
eis quando nessa cruz - Jesus - expirou!

Ricardo Maria Louro
 
Quando a Cruz

Ser Poeta é exilio
num pais de condenados
um tormento infinito
de mil olhos rejeitados!

Ricardo Maria Louro