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O casaco, o feriado, e o ursinho

 
O casaco, o feriado, e o ursinho

A vitrine da loja coberta por uma fina camada branca de gelo, escondia dos olhos cansados do rapaz, que tentava sem sucesso, olhar através dela, os itens do mostruário. Envolto num casaco de lã, e quase sufocado com um cachecol preto, o rapaz, parecia até mais gordo do que realmente era. Tentando vencer o frio, enfiava as duas mãos enluvadas nos bolsos do pesado casaco; seu hálito saía como nuvens de vapor, e seu nariz estava vermelho como de um palhaço.
O inverno ainda não tinha chegado, mas, o mês de junho já sofria o frio intenso.
Miguel, se aproximou mais um pouco da parede de vidro enevoada, separando por poucos centímetros seu rosto do vidro.
Estreitando os olhos, conseguia enxergar do outro lado um ursinho de pelúcia rosa, abraçado num coração vermelho que trazia na orelha direita o selo de 9,99.
O rapaz contemplava o ursinho, quando, num ranger de dobradiças velhas, a porta se abre, revelando uma moça bela; vestida numa camisa de algodão amarela – uniforme da livraria- e uma calça legging preta; então pergunta, forçando um sorriso, mesmo sentindo as maças do rosto avermelharem pelo frio.
_posso ajuda, senhor?
_Não sabia que vocês estavam vendendo brinquedos? _Disse o rapaz, com o rosto ainda colado no vidro, sem se importar com a vendedora que o encarava.
Apertando os braços contra o corpo, tremula, a garota trocava o peso de um pé para o outro, fitando-o sem entende-lo.
_Não senhor, estamos vendendo apenas os livros _ seus dentes batiam um contra o outro, enquanto a voz saia entrecortada. Direcionando o olhar para a vitrine; lembrou-se das promoções que a loja estava oferecendo.
_Ah, o senhor fala do urso!? Faz parte da promoção; na compra de qualquer livro daqueles – ela apontava para uma pilha dentro da loja - o senhor leva um ursinho desses para a sua namorada.
_Mas o urso está com preço.
_Sim, é verdade. Mas este preço se refere aos livros... espere um momento. _ Entrando de novo na loja, pegou o brinquedo que estava de mostruário e arrancou a etiqueta de sua orelha – agora sim!
_Custa só 9,99 mesmo, né?
Impaciente e tremula de frio a vendedora falou irritadiça.
_Sim, senhor. É claro. O senhor não quer entrar, para ver melhor?
Miguel, sentiu-se um pouco constrangido , ao notar que a moça, lutava para conter os golpes do ar frio daquela tarde, enquanto falava com ele; quis perguntar, o motivo dela não está agasalhada, mas preferiu apenas assentir com a cabeça e segui-la até a loja.
Lá dentro, pilhas enormes de livros, estantes compridas cheias de clássicas obras enfeitavam o ambiente e enchiam os olhos do jovem.
A livraria era a única da cidade, mas era a primeira vez que ele entrava nela para comprar alguma coisa.
Começou a olhar cada titulo que permanecia empilhado no centro da loja.
_Na compra de qualquer um desses livros , o senhor leva um ursinho daquele!
Lá dentro, a vendedora havia perdido a aparencia aflita do rosto; dando lugar ao do alivio por sentir seu corpo se aquecer novamente dentro da loja abafada.
Passando a mão sobre um livro, de capa ilustrada; pegou-o e começou a folheá-lo; Miguel amava aquele autor, e sentiu-se grato por encontrar um titulo dele em promoção.
Vou levar um desses. Disse, com um ar satisfeito.
_Muito boa escolha, machado de Assis é realmente sensacional.
_ Pode se dirigir ao balcão, eu vou pegar o seu brinde. _Miguel, nada disse, mas seguiu para o caixa indicado.
Outra mulher mais velha, de cara emburrada, falava ao telefone, quando o rapaz se aproximou. Ele colocou o livro no balcão e esperou.
_...Escuta aqui, minha senhora, aqui é uma livraria, não a casa da sua vó; se não quer nenhum de nossos livros, então não tenho como ajuda-la; passe bem! Tchau! _O rapaz, pareceu meio desmantelado com a ação da atendente.
_É cada sem noção que liga aqui! _ desabafou a velha _ não sei o que essa gente pensa; onde já se viu, pedir para que eu narre as historias de cada titulo. Francamente. Virei algum Cide Moreira, por acaso?
Antes que o rapaz respondesse alguma coisa, a velha continuou. _ Estou vendo que uma jovem irá ganhar um belo presente hoje. Ótima escolha. Isabelle! Onde está o brinde do rapaz?
Aquela mulher era mesmo uma figura, Miguel, não sabia se ria, ou se sentia-se ultrajado com os modos da Senhora.
Saindo de uma porta que ficava nos fundos da loja, Isabelle trazia um ursinho idêntico ao do mostruário.
_Aqui está, senhor.
Seu rosto, estava levemente corado; Miguel supôs, que talvez fosse constrangimento por causa da velha.
Obrigado! Foi a única coisa que disse, enquanto via a vendedora se afastar. A velha, da mesma forma , fitava Isabelle, enquanto tomava uma ar pesaroso.
_Menina tão boa! _Suspirou.
_Hã?
_Estou falando de Isabelle._a velha parecia irritada com a desatenção do rapaz. _Tão trabalhadora. Gostaria tanto de ver a pobrezinha ganhando algum presente. Talvez um ursinho, assim, como este que o senhor está levando. Mas como ela vai ganhar se nem namorado a coitada tem. Imagina só, toda vez que algum casal entra aqui, e adquire um dos nossos produtos que está na promoção, ela fica suspirando pelos cantos, desejosa por um amor que lhe faça companhia nesse dia dos namorados.
Sem a menor ideia do que dizer, o jovem apenas assentia com a cabeça, enquanto sacava o dinheiro.
_Obrigada._Disse derrotada.
Indo em direção a saída, parou um instante, e encarou a garota que organizava alguns livros numa estante qualquer e se aproximou.
_Fique com o meu casaco. Está muito frio lá fora.
A moça ficou sem reação, mas aceitou o casaco.
E assim o moço desconhecido, se afastou calado e abriu a porta transparente, partindo para o frio do outono.
Caminhando pela rua, Miguel, sentia seu corpo gelar, de tal forma, que nem um pesado exercício iria faze-lo aquecer. Tentava de todas as formas, arrancar da mente o pensamento de ter sido estupido, ao ter falhado no que realmente queria naquela loja. O moletom que usava, não era suficientemente capaz de protege-lo do gelo da tarde, de modo que, ele caminhava pela rua encolhido. Eram quatro horas da tarde, e a cidade continuava movimentada, de vez em quando, topava com algum casal que caminhavam abraçados, indo para algum lugar, afim de comemorarem o dia deles. Miguel, apertou o passo para casa.
Enquanto o jovem se afastava para longe, a garota que se chamava Isabelle, olhava-o ir embora.
Um meio sorriso involuntário surgiu em sua face.
_ Obrigada. _disse baixinho.
E fechando de novo a porta, voltou para dentro, sentindo o forte cheiro do perfume impregnado no tecido. Apertou com força sobre o corpo, sentindo a maciez e a quentura agradável.
Desde a parte da manha, a garota havia se martirizado, por ter ido para o trabalho sem alguma roupa mais pesada, convicta de que o dia seria de calor; pobrezinha, assim que o sol havia alcançado o topo dos prédios, um vento gelado havia soprado com força, trazendo consigo densas nuvens carregadas, que foram suficientes para fazer garoar durante o resto da tarde e mudar radicalmente o clima.
Quando a noite chegou, a bela moça, agradeceu em silencio mais uma vez o rapaz que lhe havia emprestado o casaco, ao mirar a rua, agora vazia e silenciosa, que era tomada por uma fina garoa intermitente. Pensou consigo mesma, se o dono do agasalho iria realmente voltar para pega-lo de volta.
O dia dos namorados estava chegando ao fim, para alguns, havia sido um dia especial, com jantares românticos, luzes de velas, e declarações, mas para Isabelle, era apenas mais um dia qualquer como outro. Caminhava devagar, respirando lentamente, sentindo os pés gelarem dentro das meias. Enquanto fazia seu trajeto, ficou pensando no rapaz, que era bonito de aparência, também ficou imaginando o que a namorada deste, iria dizer ao receber um ursinho de pelúcia enquanto outra havia recebido o próprio casaco do sujeito. Pensando assim, começou a acreditar que seria muito provável o rapaz aparecer no dia seguinte pra buscar sua roupa. Assim, se apressou para casa, perdida em pensamentos.
Quando o dia enfim chegou, Isabelle estava na loja, desta vez, vestida com uma pesada blusa de lã que lhe cobria até o pescoço.
O dia todo ela havia mantido seus olhos sempre atentos para a porta que abria trazendo um cliente novo a cada meia hora, para sua tristeza, nas dezoito vezes que algum freguês entrou, nenhum era o que ela esperava ansiosamente.
Isso se sucedeu durante uma semana, em todas elas, Isabelle acreditava que Miguel iria aparecer para reivindicar o que lhe pertencia. Mas nada aconteceu. No fim das contas, começou a pensar de que o favor que o rapaz havia prestado, deveria ter suscitado alguma briga por ciúmes, entre ele e sua namorada.
Isso a deixou um pouco perturbada, e até mesmo triste, pois jamais desejaria ser o motivo da separação de algum casal, além do mais, no dia dos namorados. Assim, sempre que as horas e os dias passavam, ela desejava que o rapaz aparecesse, para agradecer, e dizer que sentia muito se alguma coisa havia acontecido por causa dela. Mas ele nunca aparecia.
Quando Isabelle, já não estava se importando mais com ele, ou com o casaco, a porta da loja se abriu mais uma vez, era noite de sábado, ela como sempre organizava uma pilha de livros, e uma menina de aproximadamente seis anos, havia entrado.
A moça, meio irritada pelo barulho, virou-se para ver quem era o cliente espalhafatoso, então viu a figura do rapaz que semanas atrás havia sido gentil. A criança, segurava a mão dele e fitava ela com seus olhinhos meigos.
_Olá _ disse ele dando um sorriso.
O coração da garota, de repente pareceu querer saltar pela boca. Nem ela sabia o que estava acontecendo, apenas sentia-se completamente feliz e nervosa em rever aquele homem.
_Olá. Disse meio sem jeito, tentando desfaçar a alegria que lhe corroía por dentro. Até que enfim, ele havia aparecido!
_Eu vi buscar meu casaco. Eu deixei com você há alguns dias atrás...
_... dezesseis dias! _ Interrompeu.
_Que?
_ Eu disse, dezesseis dias. Esse foi o tempo que seu casaco ficou comigo. _ Isabelle, tentava sem sucesso ser carismática, coisa que de fato não era. _ Só um minuto. Vou buscar.
Enquanto corria para dentro da porta que ligava para o estoque, o rapaz, apenas olhou para a pequena menina que segurava sua mão, e deu uma piscadela.
Em minutos, Isabelle voltava, com o escuro agasalho, que ainda tinha o cheiro do perfume dele.
_Tome, aqui está. Ah, e obrigada. Quebrou muito meu galho.
Miguel, olhava no fundo de seus olhos, encarando-a. Parecia admira-la em silêncio, então tomou coragem para falar.
_ Você vai fazer alguma coisa hoje a noite. Gostaria de tomar um café comigo e minha sobrinha?
Foi então que Isabelle, percebeu a presença da linda menina que a encarava com sua aparência ingênua. então começou a compreender, aquele dia em que ele havia passado pela primeira vez lá. Nunca tinha existido nenhuma namorada, o ursinho sempre havia sido para a garotinha, e o livro com certeza ela para ele mesmo. Seu coração acelerado, pareceu pulsar ainda mais forte, um peso enfim tinha saído de suas costas. Pois, então nada de ruim havia acontecido. Nenhuma briga. Nada.Não existia namorada.
_Eu trabalho a poucos metros daqui, e sempre passei nessa rua. Todos os dias eu te via trabalhando, mas nunca tive coragem de te pedir para sair e nos conhecer. Quando enfim, enchi-me de coragem, inventei a desculpa de comprar um livro, aproveitei para ganhar o ursinho que daria para minha sobrinha _ olhou para a menina ao seu lado _ Mas, na hora que ia te convidar, a coragem havia ido embora, então lhe emprestei o casaco, para poder voltar e aqui estou, depois de muitos dias. _ confessou.
Isabelle agora estava de boca aberta.
Miguel, ainda a encarava, seus olhos pareciam duas pedras negras.
Um silencio se propagou no ambiente, quando o rapaz, percebeu que a moça nada iria dizer, deixou o semblante cair.
Me desculpe, eu sou mesmo um idiota. Me desculpe. então começou a se afastar, pegando a sobrinha no colo.
_Espere! _interrompeu a garota. _Eu gostaria muito de poder tomar um café com você, aliás, com vocês.
_verdade mesmo? _ Miguel parecia não acreditar.
_Sim, a verdade é que desde o momento que você entrou pela aquela porta, senti meu coração bater mais rápido!
E assim os dois jovens, com os olhos carregados de alegria, olhavam-se esperançosos, acreditando numa possível historia que se iniciava naquela livraria. A noite então caiu de vez, a loja foi fechada e ambos saíram conversando e rindo muito. Miguel com a sobrinha no colo, e Isabelle ao seu lado.
A velha do caixa, que em nada se intrometia, foi a ultima a sair. Olhando para os dois que se afastavam, disse para si mesma.
_Eu sabia que este rapaz iria voltar. _então trancou a loja e começou a caminhar devagarzinho pela rua, sentido oposto, cantarolando uma cantiga velha que os casais do seu tempo costumavam recitar uns para os outros.

Fim.
 
O casaco, o feriado, e o ursinho

SOBRE COMENTÁRIOS

 
Comentar é uma arte, como tal, requer cuidados. Poucos sabem valorizá-la, usufruir dessa oportunidade. Através de um comentário conciso e inteligente, surgem oportunidades de se adquirir e repassar conhecimento. Não a desperdicemos, com apenas, postagens de GIFs e similares... Dediquemo-nos a desenvolver os textos e contextos que, nos são apresentados, valorizando-os – é ótimo exercício -, chamemos a isso: investir, jamais perder tempo. Incentivo ao leitor, a desenvolver o seu senso de argumentação, de crítica; convido-o a interagir com o autor. Quando isso acontece, os dois lados tendem a lucrar. É assim na vida, através do diálogo, gostaria que o mesmo acontecesse, quanto aos leitores.
Diz-se muito com poucas palavras - é verdade - e, até sem nenhuma delas – concordo -, usando GIFs e/ou imagens.
Muitas vezes o leitor teme interagir com o autor, isso não deveria acontecer. O conhecimento está ao alcance de quem sente a necessidade de obtê-lo; no conforto do lar. A Internet é uma faculdade, vale a pena pesquisar. Desconhecendo-se um vocábulo, sugiro não deixar para trás; apressemo-nos em conhecê-lo e, colocá-lo em prática, para não esquecer.
Devemos, antes de todos, a nós mesmos a instrução; para que possamos repassá-la aos leitores. Presente por nosso esforço em proporcionar-lhes o nosso melhor.

EstherRogessi,Recife,25/09/2012

http://www.esther.recantodasletras.com.br/audio.php?cod=50742
 
SOBRE COMENTÁRIOS

Cem textos, cem!

 
Chegando aos cem textos
Por aqui
Só posso pensar que essa soma
É de grande valia
Expor meus pensamentos
Minhas idéias
Meus momentos...
Cem, sim
Uma marca esperada
Cem segredos
Mas sem amarras
Cem textos, com o coração
Sem inibições
Cem vitórias
Sem medo de falar
Mas sim, com o pensamento livre
Para expressar...
Nessa marca cheguei
Muito esperei...
Mas feliz com isso estou
Meus amigos finquei
Aqui deixo meu abraço
À todos que até agora me acompanham
E que por muito tempo fiquem
Nessa companhia gostosa
Quero ficar
Amigos são doces
Que adoçam o coração
E assim fazem a minha emoção
Brotar e escrever mais e mais...
Para vocês, doces queridos, amigos...
Uma chuva de mais cem textos
Pela frente
Aí, vou eu...
Procurando melhorar passo a passo
A minha colaboração
Nesse lindo site
Que já é do coração!

Homenagem aos amigos que me acompanharam por esses cem textos, até agora...Um abraço à todos, meus queridos...
 
Cem textos, cem!

Textos longos quem os lê ?

 
Frases curtas e objetivas
Cabem em nosso olhar,de uma assentada.
 
Textos longos quem os lê ?

Amor Imperfeito - Parte I

 
Imperfeito.
Era o que aquele amor era,
Eras a presa, eu a fera,
Era tudo o que querias que fosse,
Momentos tivemos, do mais amargo ao mais doce,
Mas não passaram disso mesmo... Momentos...

Querias que fosse o teu Sol?
Eu era...
A tua Lua?
Sem qualquer tipo de espera...

Onde falhou toda esta conexão?
Onde começou a discórdia no seio da paixão?
A rebeldia, a irreverência,
Todos construíram esta deprimência.
 
Amor Imperfeito - Parte I

No teu olhar cego

 
No teu olhar cego
 
No teu olhar cego
Encaro a minha insignificância,
No intuito do erro
Persigo as tuas feições.

Entro nos teus jogos
Mortais e sinistros
Para te proteger,
Mesmo necessitando morrer...

Recordando textos e
Folheando passados
Sinto as tuas
Sensíveis e delicadas mãos.

Tão carinhosas,
Porem tão impotentes,
Sem coordenação se afastam
Do homem ao qual não podes ver.
Ao qual sorris sem querer,
Ao qual ordenas sem saber
E, ao qual, indiretamente, fases sofrer.
 
No teu olhar cego

Amor Imperfeito - Parte II

 
A atracção que sentíamos acabou,
Acabou comigo, contigo, connosco,
Pôs fim ao amor que só um alimentou
E que fez de mim nada mais que um tosco.

Tudo o que disse é pura ironia,
A atracção? Só eu a sentia,
Só eu a fazia crescer!
E tu? Tu apenas a fazias desaparecer...

Decepção!
Não passaste disso e foste a maior,
A mais brutal, a mais marcante,
(E apesar de um dia teres sido a melhor,
Terminaste a jornada sendo a mais arrogante!)

Mas continuo sem perceber
O porquê de tudo ter acabado,
Apesar de tudo ainda gostava de te ter
Bem perto, mesmo aqui ao meu lado.
 
Amor Imperfeito - Parte II

TRECHOS INVOLUÍDOS DE POEMAS FUTURAMENTE ESQUECIDOS

 
TRECHOS INVOLUÍDOS
DE POEMAS FUTURAMENTE ESQUECIDOS

I. POESIA A PESO DE PENA

Sinto tanta coisa em tão parco espaço de tempo...
Sou plenamente consciente do fluxo de emoções que me assola.
Sou maravilhosamente incapaz de transmiti-las usando palavras.
Capaz disso eu fosse, dizer poesia não seria coisa que valha.

II. "QUEM ME ENSINOU A NADAR
FOI, MARINHEIRO, FOI OS PEIXINHOS DO MAR..."

Nada mais limitado e seguro que um peixinho no aquário. Nada mais liberto e perigoso que um cardume no mar. Todo o risco deste mundo está em se viver o coletivo. Todo o seu sabor também.

III. BRASIL, O PAÍS DO FUTEBOL

Afinal, que diabos nós poderíamos esperar de bom de um maldito burguês que joga golfe?

IV. PRIMEIRO TEMPO

Não acredito na existência efetiva do tempo desacompanhado de um relógio em funcionamento.

V. SABOROSO AMARGOR

Meus textos têm saído amargos como aquela verdura, como se chama mesmo? Espinafre? Mostarda? Chicória? Essas estão de bom tamanho para explicar-me o momento. Não é que, apesar do amargor, estou sempre a comê-las e apreciá-las?

VI. E NA PROCISSÃO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO...

Nos dias de hoje, em plena cidade grande, ouvir o ranger malemolente das rodas dos carros de boi é, mais ou menos, como o retorno de Tarzan a Londres vitoriana.

VII. TONTURA ASTRONÔMICA

carrocéis
de uniVersoS
corrupiam
o meu chão

VIII. SEGUNDO TEMPO

....tempo
........praga morrinha
........a carcomer
........o capim-flechinha
........do meu pasto
...............até...............sobrar
.....................NADINHA

IX. GUERRA METAFÍSICA

Brigam matéria e antimatéria
Por uma fartura farta de miséria

X. ESCONDE-ESCONDE

E a alma que eu tanto buscava
Ainda brinca de esconde-esconde
Alma danada...
Enfurnou-se aonde?

Gê Muniz
 
TRECHOS INVOLUÍDOS  DE POEMAS FUTURAMENTE ESQUECIDOS

Quem Ama...

 
Quem Ama, não exige... não impõe.
Não faz exigências absurdas e nem te pede pra ser algo que você não é, pois se te Ama, Ama o seu jeito de ser e tudo aquilo que faz de você ser o que você é.

Quem Ama, não castra... não cerceia.
Não te impede de viver e te acompanha seja aonde for. Fica feliz com as suas conquistas e não se sente ofuscado ou diminuído pelo seu sucesso, pois não vive à sua sombra, mas sim ao teu lado à cada passo do caminho.

Quem Ama, não abandona... não trai.
Não te deixa sozinho, pois está sempre por perto nas horas certas e incertas mesmo não estando presente fisicamente, pois quando Amamos de verdade, trazemos a pessoa Amada dentro de nós. Quem Ama não trai, pois se sente realizado, satisfeito e feliz com a pessoa amada e não precisa buscar fora o que tem dentro de si.

Quem Ama, não fere... não falha.
Não faz coisas estupidas e idiotas, pois ferir a pessoa amada, é o mesmo que ferir à si mesmo. Comete sim algumas tolices e discute por coisas bobas que às vezes, podem se transformar em algo mais sério, porém, o verdadeiro Amor triunfa sempre, pois aquilo que poderia separa-los, nunca será mais forte do que aquilo que os une. O Amor, não se rende e não se deixa enganar... senão, não é Amor... é alguma outra coisa qualquer, menos o verdadeiro Amor que habita no coração de quem Ama.

Denis Correia
27/09/2011-14:21

Este texto que fala do Amor e de tudo aquilo do qual só o verdadeiro Amor é capaz.
Espero que gostem e que me perdoem por qualquer coisa, pois este é o meu primeiro texto postado aqui e ainda estou me acostumando.

Conheça outros textos inéditos de minha autoria:

Blog Terra dos Sonhos: http://sonhosdesperto.blogspot.com

Recanto das letras: http://www.recantodasletras.com.br/autores/denis
 
Quem Ama...

Quando ESCREVO...

 
Quando ESCREVO...
 
Quando ESCREVO...

Deixo partículas de minh'alma...
Nos textos que se materializam...
Transportando os sentires do coração!!!
 
Quando ESCREVO...

É PAI QUE "GANDA" PILA QUE TU TENS!

 
Está muito na moda, hoje em dia, a problemática do homossexualismo e, tudo isso, devido não só a aprovação da recente lei que permite o casamento entre os ditos mas também pelas questões que têm surgido no seio da igreja e, pasme-se, relacionadas com padres.
Bom, mas outro problema que se tem levantado é sobre a adoção por parte de casais homossexuais de crianças. Não sabemos em que pé isso está entre nós.
Começamos a divagar sobre estes assuntos e esquecemo-nos do humor que era aquilo que aqui nos trouxe. Vamos, então, diretamente ao assunto:
A história passa-se num país onde já foi aprovada a adoção de crianças por casais homossexuais.
Um desses casais adotou um rapaz com 8 anos e entre os 3 resolveram que um seria o pai o outro a mãe. E isto porque a criança tinha vividos os 8 anos anteriores com os pais e se agora não tivesse pai e mãe isso poderia criar problemas no desenvolvimento do rapaz. Assim, um passou a ser o pai o outro a mãe.
Um dia estava o pai a urinar na casa de banho, o rapaz aproxima-se pé ante pé abre a porta e diz:
- É pai que "ganda" pila que tu tens.
O pai apanhado de surpresa não se deu por achado e respondeu:
- Isto que tu estás a ver não é nada! Quando vires a da tua mãe até cais para o lado!
Boa noite.
 
É PAI QUE "GANDA" PILA QUE TU TENS!

Nas muralhas da sociedade

 
Borda fora com os desajustados! Borda fora para quem não se enquadra nestes meandros infectados da nossa sociedade! As muralhas da nossa sociedade estão negras por dentro, e cheias de luz por fora! Mas, vivas para esta sociedade discriminatória, que se acha no direito de julgar seus próprios irmãos de jornada! Sociedade discriminatória, subproduto do seu criador que discrimina a sua própria natureza divina: o homem. Todas as coisas do homem são efémeras: quem criou os padrões sociais? Quem decretou que uns são melhores, ou que os outros são piores? Quem é esta sociedade se não esse subproduto com prazo de validade? E o que são os julgamentos, senão armadilhas da nossa própria inferioridade, ocultadas pelo alegado prazer que o ego nos faz sentir? Criamos as armadilhas para depois cairmos nelas! Somos pequenos, achamos que tudo podemos, quando somos nós, os responsáveis pelas nossas próprias desgraças.

Mas continua-se a pensar, ou querer pensar, que assim é que tem que ser. Que temos que lutar por uma vida, quando na verdade gostaríamos de lutar por outra completamente oposta. Mas, continua-se a fazer o contrário do que realmente queremos dentro de nós, porque as regras da nossa sociedade exercem essa enorme influencia nas decisões pessoais de cada um. “Não vou fazer isto, se não vão pensar o quê de mim?”, “Não vou fazer isto também, se não vai ser uma vergonha?”, “Não faço isso também porque tenho muito medo!”. Tudo tão errado! Medo é mais uma armadilha do ego! E como a insatisfação começa-se a instalar, inicia-se um processo ainda mais materialista. Segue-se o consumismo desenfreado. Depois as lutas pelo poder. O querer mais e mais, e nunca ficar por aí… E toda uma vida se torna numa invenção humana para adormecer a consciência, e ao mesmo tempo, fugir da sua própria essência. Mais um membro, mais um exemplo a seguir por esta sociedade egóica, que se acha tão evoluída!

Parem de fingir que são felizes...! Parem de tapar o sol com a peneira…! Parem com a hipocrisia...! Parem de ter medo de tudo! Fazemos e pensamos realmente como sentimos, ou ignoramos os sentimentos?! Fazemos o que podemos, ou podemos o que fazemos?! Não riam quando têm vontade de chorar! Alimentem a vida, não alimentem o ego! Ele é como a comida rápida, só engorda, não alimenta! O preço que pagamos pela nossa alegada “segurança”, é a infelicidade! Vale a pena? Vale a pena, pela segurança, ou pelo comodismo, abandonarmos a luta pelos nossos sonhos? Vale a pena ficarmos encarcerados num mundo sem evolução, sem horizontes? A escolha é de cada um!

Abençoados são, todos aqueles que saltam fora desta muralha por iniciativa própria! Abençoados, todos aqueles que não se revêem neste mundo tão desumanizado, tão virado para todo o tipo de materialismo! Abençoados, todos aqueles que se sentindo como peixe fora de água, preferem viver de esmola que viver no mundo de faz de conta, no mundo dos contos que fadas, que só existem na cabeça de iluminados que escrevem essas fantasias para as crianças não terem pesadelos durante a noite - pura ilusão! Abençoados, todos aqueles que vêm a realidade, e procuram a sua verdade, sem medo de serem felizes!

Já evoluímos muito, porém falta-nos evoluir no que realmente é mais importante, e ao mesmo tempo, no mais difícil! Quem quiser que pense.

2007
 
Nas muralhas da sociedade

Amor Imperfeito - Parte III

 
A dor, a mágoa, o desespero...
Estou assim.

Profundamente afectado por um desejo proibido,
Matando o sentimento mais apetecido
Como se de algo banal se tratasse...
Mas não há nada que o ultrapasse!

É a minha bússola do dia a dia,
A carta de marear que me guia
Como se o passado não tivesse acontecido...
Oh... Por vezes, quem me dera não te ter conhecido!

Para experimentar a mais horrorosa das torturas?
Ouvir letras, palavras, frases tão duras?
Não era certamente o meu tão esperado objectivo...
Parecia ser apenas um ser nocivo!

Tira-me esta dor, tira-me o sofrimento!
Tira-me deste amor, tira-me o tormento!
Estou enojado, cansado e saturado
Mas não sou o único!
(Em ti fiquei bem tatuado.)
 
Amor Imperfeito - Parte III

A FONTE DA NOSSA FORÇA É O SENHOR!

 
TEXTO IMPFAV

(2 Co 12: 10) Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de CRISTO. PORQUE QUANDO ESTOU FRACO ENTÃO SOU FORTE.

Quando o apóstolo Paulo declara, fortemente, “sentir prazer” no que, comumente rejeitamos – o sofrimento, nos instiga a meditação e conclusão, de que, a sua fortaleza espiritual é peculiar aos que, comungam profundamente com Deus. Não se trata de masoquismo, mas de suportar adversidades através da fé, em Cristo Jesus; de através do sofrer, do esvaziar-se do próprio eu, preencher-se do Espírito Santo e abundar em Sua força - PORQUE QUANDO ESTOU FRACO ENTÃO SOU FORTE e/ou, (Gl 2:20). Já estou crucificado com Cristo; e, vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim.
Sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus. Poderemos indagar: Qual a relação de fé, com a temática em questão?
É a fé que impulsiona o homem a prosseguir; mesmo que essa fé seja pequena, como um grão de mostarda ( Mt 17:20).
O que impulsionou Jó a prosseguir, a superar os apontamentos da mulher, e, dos “amigos;” a superar, ainda, a perda de todos os seus bens e a enfermidade que lhe assolou... Foi a sua fé.
Devemos, porém, exercer uma fé consciente, jamais levada pelo fanatismo; fundamentada na Palavra do autor e consumador de todas as coisas – Jesus.
O homem que não tem comunhão com Deus, ou, o conhece de ouvir falar; costuma atribuir a “força” que emana de si, e, que o impulsiona a seguir metas e, alcançar os seus objetivos a sua perseverança, perspicácia, autodeterminação, capacitação, a tudo e/ou a qualquer coisa... Menos a Deus.
Diante das grandes adversidades, do caos, dos problemas que o dinheiro não compra que, a medicina fica impotente; que homem algum e nem coisa alguma, pode soluciona... Esta “força”, é chamada de Deus – O Unigênito; o dono da vida e da morte; o Alfa e o Ômega; o Princípio e o Fim; o que antes de tudo ser, já era! O Santo de Israel... Jesus, o Poder, operante.
O homem que teme a Deus, a Ele atribui à honra, a glória, e a força que de si emana. Diante das adversidades, faz suas às palavras do apóstolo Paulo (2 Co 12:10) (... Porque quando estou fraco então sou forte.)
É no espírito quebrantado que, o Poder de Deus se revela mais intensamente, para que possamos testificar a veracidade de Sua pessoa (Gl 2:20). Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.
(... Não mais vivo eu Cristo vive em mim...) Isto, é renúncia, é se deixar preencher pelo Espírito Santo de Deus. Não haverá espaço para fraquezas, simplesmente, por se anular, para que Deus resplandeça.
Poderemos dizer: “Posso todas as coisas Nele que me fortalece.” ( Fp 4:13) Porque o poder de Deus se aperfeiçoa na minha fraqueza... Diga o fraco sou forte.


MISSÕES É PRECISO

Bpª Rogessi de A. Mendes

Presidenta IMPFAV
Presidenta União Feminina Estadual / CONIEIB-PE
Jaboatão Centro - PE http://impfavpeuniaofemconieib.blogspot.com.br
 
A  FONTE DA NOSSA FORÇA É O SENHOR!