Poemas, frases e mensagens de RaipoetaLonato2010

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RaipoetaLonato2010

Meus livros: Viagem para Castália, Pó de lua,Quirom, Humanus, Outros pós,Claro Espírito, Nau de Nuvem. Infantojuvenil: O palhaço que veio do céu, Zanzalau de Dona Raposa, A galinha gulosa, A Cegonha Branquineide, Poema das Letrinhas, A zebra Zinalda.

Muralhas de Sal

 
Dormem as palavras
nos lábios sem beijos;

Cantam prisioneiros,
os poemas escritos
nas muralhas de sal...

Em silêncio, as flores,
filhas do medo, ouvem
os tambores da paz.
 
Muralhas de Sal

Êxtase

 
havia amor trans
lúcido

sexualmente
puro e
permitido

havia músculos
pelos eretos
pele úmida

foram deuses
na hora cálida
e única.
 
Êxtase

Alva

 
mágoa agora não.
Digo não à nódoa
na longa alva.
 
Alva

A minha verdade

 
_____________
A minha verdade é absoluta.
Cabe nas meias compradas
para ir à missa.

À distância,
palavras seguem
cometas.

Mergulham poemas
dispersos na chuva.

Fixo a boca nos rótulos,
sopro todas as tintas
nas páginas do mundo.

Procuro no espaço
sermões e discursos.

Deus & filhos dormem.
Espanto mosquitos
com palha e seda.

A minha verdade
soa no infinito.

Quando falo,
ouvem atentos,
os santos mais altos.
 
A minha verdade

Nas coxias

 
sobrevivo nas coxias
dos teatros antigos.

pontuam saudades
nas poltronas vazias.

o som dos teus sapatos
espalha-se nas estações
do metrô.

sabes das minhas virtudes.

nos palcos, Virgínia Wolf,
Clarice Lispector e Simone
de Beauvoir, falam por nós.

o tempo não devora meus olhos...

meus personagens descem pelos
muros dos presídios e atrás dos
altares.

não deixo livros e filmes nas gavetas.
são mais úteis nos cantos da casa.

há encontros nas cenas abertas.
ouço a plateia no segundo ato.

Nas páginas dos meus romances,
mocinhos e bandidos não morrem.

há espelhos entre nós.
 
Nas coxias

No fio das horas

 
quero a sabedoria das horas
e a noite inteira, a devorar
os sonhos mais belos.

coleciono vestidos,
porcelanas e cristais
do Leste Europeu.

lava-me o corpo as águas do Nilo.
o vento desembaraça os cabelos.

canto um fado de Amália,
escrevo na poeira dos
muros de Berlim.

corto o fio das horas...

ouço o silêncio das lâminas
e o barulho dos trilhos nas
janelas.
 
No fio das horas

Stop!

 
A tarde voa.
Param os ponteiros
dos relógios comprados
na banca do camelô.

Meninos
desenham
estrelas.

Movimentam-se no céu:
desenhos e cores e
papagaios de papel.

Manhãs
desfiam
nuvens.

Renascem as folhas
na sombra dos quintais.
 
Stop!

Rua torta

 
lua cheia à meia porta;
na hora morna, longa é
a curva na rua torta.
 
Rua torta

Estrelas

 
Não vejo estrelas de Hollywood.
Elas usam cílios postiços, botox
no rosto e silicone nas pernas.

Vejo aquelas prateadas,
vermelhas, douradas,
verdes e amarelas.

Azul é o meu quintal.
 
Estrelas

O sonho dos poetas.

 
quando sonham os poetas.
os versos bordam estrelas.
acalma-se o mar.
 
O sonho dos poetas.

Lendo poemas de amor

 
.
.
.

Lendo poemas de amor, minha alma tonta e torta, despede-se do corpo trêmulo e flácido.

Meus dedos longos, não tocam o piano de Bach. Desintegram-se numa tarde de dezembro, quando apaga o fogo do sol.

Recordo a dança da chuva e embriago-me na poeira azul, assassina de estrelas .

Dilui o sal das lágrimas nas cores dos tapetes comprados em Bagdá.

Sou doido e lúcido. Adormeço. Ouço palavras sufocadas nos teus lábios.
 
Lendo poemas de amor

A Noite

 
A noite ensaia uma coroação de luz.
Anjos convertidos chegam aos céus.

O chão vibra sentimentos elevados.
As horas preparam-se para colorir
nuvens e montanhas.

A brisa é acalanto na face dos meninos...
Redobram as forças os homens de fé.

Chove poesia na tarde de outubro.
Chove. Alonga-se a tarde na boca.

Antes de dormir
conto as sílabas
do poema.

Multiplica-se a força do vento.
Somos os minutos no silêncio.
Divido dúvidas,
apago certezas...

N'outra vida,
viverás comigo
sem os sabores
da posse.

Expulso da alma o lamento.
Abraço relâmpagos, acalmo
tempestades.

Na cozinha,
aqueço o pão
e rezo
 
A Noite

Teus olhos

 
leio teus olhos...
vejo o azul nas almas.
nas calçadas, a chuva
acalma as manhãs.
 
Teus olhos

Hermético

 
O poeta escreve:
visto casacos de neve
e camisas de nuvens.
Quem ouvirá o poema?
 
Hermético

A palavra

 
a palavra
segue o som
e o exemplo
da flor:

entrega-se
ao vento

espera o fruto
nos dentes

a palavra
aquece corpo
da serpente,
num estalo
de dedos.

Bole na ordem,
revira os séculos,
renasce no caos.
 
A palavra

Um Movimento

 
movimentam-se
palavras e estrelas:
uma,
duas,
três
mil coreografias no vento

fios de espuma vestem poemas
correm séculos não apagam não morrem



nas linhas do tempo.
nascem morrem as águas
em ondas namoram o sol

nua no palco a deusa dança
no ar giram olhos e braços

um raio azul transpassa
a pedra o pulso o pulmão.
 
Um Movimento

Tombos

 
pom....bos
bam.....bos

tom.....bam

bam.....bos

{fazem}
cenas
...

no templo
a hora é clara
luz e sombra
no filme noir.
 
Tombos

O sono das palavras

 
A poesia guarda-se.
Ouve o som do aplauso
na ausência de beijos.

{Dormem as palavras}
 
O sono das palavras

Poema quase triste

 
quase triste
o poema passa
num instante

um tanto torto,
quase tonto

quase morno,
o poema escreve
pão água bolo
forno pele
e osso.
 
Poema quase triste

Ver

 
PoesiA VisuaL
Vir V er Viv er

ReveR ReviR

b)ater as teclas
e acordar poemas
e pombas

recordar asas
quase mortas

t)atuar o corpo
sem palavras
tortas.
 
Ver

A arte desenha almas no solo seco, no movimento dos mares e nas estrelas.