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Poemas, frases e mensagens de RaipoetaLonato2010

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de RaipoetaLonato2010

Meus livros: Viagem para Castália, Pó de lua,Quirom, Almas de Seda, Outros pós,Claro Espírito, Nau de Nuvem. Infanto-juvenil: O palhaço que veio do céu, Zanzalau de Dona Raposa, A galinha gulosa, A Cegonha Branquineide, Poema das Letrinhas, A zebra Zinald

Muralhas de Sal

 
Dormem as palavras
nos lábios sem beijos;

Cantam prisioneiros,
os poemas escritos
nas muralhas de sal...

Em silêncio, as flores,
filhas do medo, ouvem
os tambores da paz.
 
Muralhas de Sal

Êxtase

 
havia amor trans
lúcido, puro
e permitido.

havia músculos
pelos eretos
pele úmida

foram deuses
na hora cálida
e única.
 
Êxtase

A Noite

 
A noite ensaia uma coroação de luz.
Anjos convertidos chegam aos céus.

O chão vibra sentimentos elevados.
As horas preparam-se para colorir
nuvens e montanhas.

A brisa é acalanto dos meninos...
Redobram as forças dos homens.

Chove poesia na tarde de outubro.
Chove. Alonga-se a tarde na boca.

Antes de dormir
conto as sílabas
do poema.

Multiplica-se a força do vento.
Somos os minutos do silêncio.
Divido dúvidas,apago certezas...

N'outra vida,
viverás comigo
sem os sabores
da posse.

Expulso da alma o lamento.
Abraço relâmpagos, acalmo
tempestades.

Na cozinha,
aqueço o pão
e rezo.
 
A Noite

Poema do amor perdido

 
Senti o mundo dentro dos sapatos.
Deixaste as marcas dos abraços
nas velas do meu barco.

Navego no destino
das tuas viagens.

O tempo passa.

O vento sopra meus sonhos
nas cortinas do teu quarto.

Chegas farto de ausências
e voltas vestido de azul
e saudade.
 
Poema do amor perdido

Teus olhos

 
leio teus olhos...
vejo o azul nas almas.
nas calçadas, a chuva
acalma as manhãs.
 
Teus olhos

Hermético

 
O poeta escreve:
visto casacos de neve
e camisas de nuvens.
Quem ouvirá o poema?
 
Hermético

Poema quase lento

 
Tocamos adagio ao vento.
Sigo as horas, misturo
cores em movimento.

O som dos teus beijos
é cortado nos lábios e
nas lâminas dos cataventos.

Sopro a poeira nas alturas.
Meus olhos veem a chuva
nas terras de ninguém.

Morrem na boca as rimas pobres.
amores descem ladeiras além.

Nas esquinas, quebram telhas;
queimam flores de plástico.

Há fumaça no trem.
 
Poema quase lento

A palavra

 
a palavra
segue o som
e o exemplo
da flor:

entrega-se
ao vento

espera o fruto
nos dentes

a palavra
aquece corpo
da serpente,
num estalo
de dedos.

Bole na ordem,
revira os séculos,
renasce no caos.
 
A palavra

Um Movimento

 
movimentam-se
palavras e estrelas:
uma,
duas,
três
mil coreografias no vento

fios de espuma vestem poemas
correm séculos não apagam não morrem



nas linhas do tempo.
nascem morrem as águas
em ondas namoram o sol

nua no palco a deusa dança
no ar giram olhos e braços

um raio azul transpassa
a pedra o pulso o pulmão.
 
Um Movimento

Tombos

 
pom....bos
bam.....bos

tom.....bam

bam.....bos

{fazem}
cenas
...

no templo
a hora é clara
luz e sombra
no filme noir.
 
Tombos

Lendo poemas de amor

 
.
.
.

Lendo poemas de amor,
minha alma tonta e torta,
liberta-se de tuas mãos.

Lendo poemas de amor,
ensaio passos na chuva,
desapareço nas pontas
das estrelas de papel.

Separo o sal dos rios
nas cores dos tapetes
comprados em Bagdá

Ouço as palavras
sufocadas na tua
boca.
 
Lendo poemas de amor

Manhã

 
Céu azul manhã.
dançam os pássaros,
acordam o sol.
 
Manhã

Alva

 
mágoa agora não.
Digo não à nódoa
na longa alva.
 
Alva

Cenário

 
serras ossos fogueira
fumaça céu vermelho.

sussurros ventos luz
corpos papéis picados copos e espelhos
molhados

Vestidos
bordados
panos
de pratos
pintados
olha o olho
o chão.
 
Cenário

A minha verdade

 
_____________
A minha verdade é absoluta.
Cabe nas meias compradas
para ir à missa.

À distância,
palavras seguem
cometas.

Mergulham poemas
dispersos na chuva.

Fixo a boca nos rótulos,
sopro todas as tintas
nas páginas do mundo.

Procuro no espaço
sermões e discursos.

Deus & filhos dormem.
Espanto mosquitos
com palha e seda.

A minha verdade
soa no infinito.

Quando falo,
ouvem atentos,
os santos mais altos.
 
A minha verdade

Nas coxias

 
sobrevivo nas coxias
dos teatros antigos.

pontuam saudades
nas poltronas vazias.

o som dos teus sapatos
espalha-se nas estações
do metrô.

sabes das minhas virtudes.

nos palcos, Virgínia Wolf,
Clarice Lispector e Simone
de Beauvoir, falam por nós.

o tempo não devora meus olhos...

meus personagens descem pelos
muros dos presídios e atrás dos
altares.

não deixo livros e filmes nas gavetas.
são mais úteis nos cantos da casa.

há encontros nas cenas abertas.
ouço a plateia no segundo ato.

Nas páginas dos meus romances,
mocinhos e bandidos não morrem.

há espelhos entre nós.
 
Nas coxias

Tu

 
dissestes que voltarias
com palavras mornas

e sairias à francesa
sem provocar ruídos
na minha alma.

espero-te
em ondas de ternura,
sem artifícios.

traga resquícios do sol.

no entanto, músculos,
palavras e sentidos
são indefinidos.

chego às alturas,
e sinto a espessura
das mãos largas.

entrego-te a calma
e a construção
deste poema.

dou amor, esqueço
intrigas e confesso:

és o equilíbrio
O vício leve, breve
quase promíscuo.

és a oração que fecha
a noite e abre manhãs.
 
Tu

No fio das horas

 
quero a sabedoria das horas
e a noite inteira, a devorar
os sonhos mais belos.

coleciono vestidos,
porcelanas e cristais
do Leste Europeu.

lava-me o corpo as águas do Nilo.
o vento desembaraça os cabelos.

canto um fado de Amália,
escrevo na poeira dos
muros de Berlim.

corto o fio das horas...

ouço o silêncio das lâminas
e o barulho dos trilhos nas
janelas.
 
No fio das horas

Stop!

 
A tarde voa.
Param os ponteiros
dos relógios comprados
na banca do camelô.

Meninos
desenham
estrelas.

Movimentam-se no céu:
desenhos e cores e
papagaios de papel.

Manhãs
desfiam
nuvens.

Renascem as folhas
na sombra dos quintais.
 
Stop!

Rua torta

 
lua cheia à meia porta;
na hora morna, longa é
a curva na rua torta.
 
Rua torta


O amor movimenta-se entre nuvens ao som dos poemas gravados nas pedras e nas águas.