a porta abre-se
para o deflagrar da mesa
a mulher pousa as mãos
como pássaro em beiral
na toalha de linho
tece-lhe o coração
entre a memória dos dedos
no afago da broa
há alguém que canta
escuta-se
pelas paredes da casa
enquanto dobra o corpo de linho
e desvela a madeira
e o objecto diz-se
porque artefacto de memória
Xavier Zarco