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Poemas : 

Défice geométrico

 



Tubérculo surge.
A planta do lábio evasivo
na pofundidade da terra
debaixo da pele -
preciso,
fixa-se.

No perímetro de um grito
o despiste das palavras,
a folhagem que berra,
o vidro que corta a medula
onde ainda me travas.

Um pomar de ilusões,
rios de flores
assombradas pela sede,
o perfume das searas
ofuscadas
e o pólen carbonizado
na dormência interna
da fecundação.

Cai centeio sobre os ombros
varridos pela soberba
dos "importantes".

Não chegam cartas felizes
que me falem sobre o crescente,
a água morna e não fervente,
em sal misturado de esperança.

O pão é travesso,
a fome afunila o sorriso
a noite teima em ser demónio
na manteiga que derrete.

Lacrado é o sistema,
o quarto indiviso de uma maçã
presa ao ramo
que não descola o barco
da semente envenenada.

De amor também não falo,
porque me devora uma paixão
incontrolável
surda
inquieta,
oculta
e sobejamente solitária
que não posso revelar.

Na curva do mundo
traço linhas rectas moribundas
com o desejo (sofrível)
de que um dia
ambas as raízes frágeis
se cruzem
e se tornem profundas.

Quero o diâmetro.




rainbowsky






 
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rainbowsky
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 05/10/2014 04:53  Atualizado: 05/10/2014 04:53
 Re: Défice geométrico
«No perímetro de um grito
o despiste das palavras,
a folhagem que berra,
o vidro que corta a medula
onde ainda me travas.»


quase impossível dizer algo de um poema tão fabuloso cara! curti e tô levando