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Sonetos : 

Cheiros

 
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Acre, fundo e bruma, o aroma invasor
cercando os sentidos, minando raízes
de lembranças pardas, não sei se felizes
ou d’asas doridas em queda e queimor.

Acre, indefinível, o cheiro voltava
rasava-me a pele, subia ao infinito
como que a fugir de um logro maldito
ou desafiar-me à esquecida palavra:

Vida. Sangue vivo, útero de luz
marca ressequida, vestígio de sal
vinho consagrado à boca de mel

Sopro frio e fino cortando-me a pele
chama ardente e breve, lambendo o areal
duma praia ausente, onde me seduz

um cheiro sem nome, memória infiel.


Teresa Teixeira


* com estrambote
 
Autor
Sterea
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Enviado por Tópico
MariaSousa
Publicado: 19/08/2016 19:57  Atualizado: 19/08/2016 19:57
Membro de honra
Usuário desde: 03/03/2007
Localidade: Lisboa
Mensagens: 4096
 Re: Cheiros
Parei, li e gostei muito!

Beijinhos

Enviado por Tópico
Nininha
Publicado: 19/08/2016 21:33  Atualizado: 19/08/2016 21:33
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2016
Localidade:
Mensagens: 1717
 Re: Cheiros P/ Sterea
Olá Sterea;
Mais um que eu gostei!
De uma sonoridade maravilhosa! Que sabe, sabe!
Parabéns querida! Beijocas com admiração