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Poemas : 

Diario de bordo a bordo -IV

 
Quinta, XXV / I / XVII

O dia clareou cedo e os primeiros raios de sol envermelharam algumas nuvens no horizonte, deixando a mostra alguns pedaços do azul celestial. Mesmo assim chuviscou. Aniversario de Chico Cesar - para harmonizar-me com o universo duas compraz. Bocejos e bocejos. Mas estou bem melhor, aquelas neuras depressivas diminuíram - o estomago menos apreensivo. Essa semana aqui no atelier promete ser devagar. Deus é bom. Os Contactos continuam curtindo os capítulos do "Grande Caderno Azul" nos seus facebooks. Duas Freiras deram-me "Bom dia!" - um bom augúrio. Tres cachorros coçavam-se no terraço do Varandão Penha, onde dormiram, abrigando-se da chuva.
Dez centavos é o dinheiro que repousa na minha vazia porta cédula. Ontem jantei um bom ovo frito com arroz e feijão. Ainda timorato do fruto indigesto do grode etílico de domingo. Fui a fonte de Seu Biné, o vizinho encher um litro Pet com água da torneira. Sinto que as pilulas fizeram efeito, tenho que me segurar para não demonstrar que estou um pouco acima do chão. A cadela branca das tetas arriadas no seu banho de sol no degrau da casa em frente, o filhote bonitinho late do outro lado e o Papai Folgazão passeia por longe, vigiando-a e repelindo as visitas inesperadas de outros cães vadios. O filhote é meio arredio e desconfiado, tento acarinhado, mas ele corre. Um caminhão carregando dezenas de milheiros de tijolos com a carroceria adernando para a direita, o motor ligado e os pisca alertas ligados espera a sua vez para descarregar na calçada de Seu Bastos. O assovio tranquilo do Delegado aposentado, andando devagar e atento a todo movimento. Os bocejos e as coceiras são constante. Fechei um negocio com o PM para cortar e emendar um portão para a casa de seu cachorro. O iracundo carroceiro Rafael chicoteia violentamente a sua eguá com a carroça pesada, alguém comenta e ele disse: experimenta em ti. O pequeno carroceiro Junior trouxe os portões do PM.
A 'Com@" fez um bom efeito, deixando-me completamente relaxado e sem aquela tensão nervosa dos últimos dias. Vou prepara o meu repasto simples uma boa omelete de toucinho. Pronto, o cheiro do mesmo impregnou-se nas minhas narinas e na pele. Minha cunhada não reclamou nada, apenas me advertiu para não comer o resto do feijão que era para Professor.
Recolho-me a minha insignificância e fico aqui quieto no meu canto lendo os meus livros favoritos.
- Cadé o diretor? - E a pergunta diaria de Antenor toda vez que chega da rua.
- Larissa te levanta e bota o comer de Antenor que eu estou almoçando - ordenou a sogra sentada na cadeira de macarrão.

Ganhei oito reais, sendo cinco do PM e três de Dona Silvana, a senhora do Portão.
- Vocês são duas abusadas - reclama minha cunhada para as irrequietas meninas Clara e Adrielle que brincam na sala exígua. - Larissa, bota a farinha seca na mesa.
- Ainda tem aqui. - responde tranquilamente Larissa com sua vozinha impaciente.
- É que esse povo daqui dessa casa vivem cansado. Eu trabalho vinte e quatro horas e não me canso. - reclama - Olha o tanto de papel que vocês já rasgaram. Prestam atenção. O cretino não mandou o refrigerante. Clara, quero agua e um palito - Clarinha vai toda contente e pulando - Olha como esta essa merda aqui - aponta para a capa do sofá - Oh! Meu Deus vocês não sabem se sentar no sofá?

Cada dia Professor chega mais tarde, ontem foi as três e hoje foi uma hora depois, urinou edeitou-se pesadamente na cama, nem almoçou.
- Deve tá com o rabo cheio - vaticinou minha cunhada.
Dormi pesado, acho que foi o efeito das "compraz@" - ainda estou meio lerdo. Meu nobre amigo Arquimedes de Ponta Grossa, o professor de economia chamou-me atenção pelos palavrões que usei no capitulo que postei ontem. Penso seriamente em dar um tempo.

Voltei atrás e postei. Desta vez li, não havia nenhum palavrão.


 
Autor
r.n.rodrigues
 
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