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Diários de oficina & de pensão - XXIII

 
DIARIOS DE OFICINA & PENSÃO - XXIII

Quarta-feira, cinco de dezembro

Quatro cães vadios deitados dormiam tranquilamente na calçada debaixo da puxada da galeteria do canto da rua 19. A esposa de Seu Raimundo, proprietário do deposito São João das bebidas onde devo a ínfima importância de dez reais há bastante tempo acompanhava duas senhoras idosas na caminhada em volta da Praça das Sete Palmeiras, a cumprimentei sutilmente. Três operários fardados esperavam o ônibus da firma. O clima de 25 graus como nos verões ártico e siberianos.
Wilheim Reich foi condenado a dois anos de prisão por fraude, seu laboratório destruído e seus livros queimados. Encarcerado na Penitenciaria de Lewisberg na Pensilvânia, morreu oito meses depois.

- Dez e dez - Disse o negão Velino, com sua voz tipica de bom malandro olhando no celular. Estava contente, fizera as pazes com seu love, depois de uns dias separados - é uma ciumeira dos diabos.
A fôrma do bloquete pronta. Eu e Janos fomos apanhar os ferros da grelha do mercado na Aço Maranhão. Um ratinho de botica filha da puta roeu a fita isolante que reforçava o cabo do arco de serra.
- Olha ai o salgadinho ai! - Ofereceu um jovem moreno com a caixa pequena de plastico, parado no meio da porta.
- Não, obrigado - respondi-lhe. Duas horas atrás reforcei-me com dois pães e um enrolado de presunto com queijo.
Meu amigo Berg, ator e diretor teatral, acadêmico de Geografia prometeu pegar na biblioteca da UFMA a biografia do meu amado Dostoiévski. A boa velhinha franzina do Alto São Benedito veio buscar um trabalho há muito feito. Fiquei feliz, já estava sonhando o que iria fazer com esse bendito cinco reais e ainda pediu-me um pedaço de ferro - colocou tudo dentro de uma sacola:
- Depois eu te dou uma coisa que tu gosta muito - E saiu tranquilamente e eu fiquei com a cara de tacho. Mas tudo bem. C'est ma vie!
Troco de pilhas, mas fica a mesma merda. Janos levou a fôrma.

Tarde na Pensão

Mamei apenas uma lata de Glacial com os dois reais que ferrei do peixeiro Lucas, depois que remedi a grelha e fui vitima de pilherias dele:
- Papudinho, todo dia tu mede essa merda ai?

Decidi digitar somente o diario de oficina, que escrevo pela manhã, aproveitando o tempo ocioso, e e sempre ocioso, depois com o tempo o da pensão também.
"Coiote" levou dez anos para ser concluído - o personagem Flögel é o alter-ego do autor pirado. - para mim todo psiquiatra é um pouco louco, somente um pirado para entender outro pirado. O meu mal foi descobrir o maravilhoso mundo literário e através dele conhecer esses fabulosos homens que escrevem historias que nos enchem de conhecimento da alma humana. Y love Dostoiévski - para mim o melhor ao lado de Dickens, Balzac, Defoe, Cervantes e outros luminares da sagrada literatura.

 
Autor
r.n.rodrigues
 
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