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Poemas : 

Insulação

 
A alma de tantos lugares na mão fechada.
Segura a estrada e firme nos pés
Desbrava o lado escuro da última montanha.

Quis o chão moldar-lhe os passos
Embalar-lhe o caminho na madeira das árvores.
Atravessou-lhe uma ponte no peito
Rompendo a mortalha que encobria o sol.

Ergueram-se mais de mil braços de saudade
Pela extensão da margem dominada pelo canavial
Que adensava o espaço confinado à curvatura dos olhos
Distantes e, ausentes
E estes braços, abraçaram-lhe as feridas
E o sangue que cabia naquele rio de loucura.

O líquido, uma luz trémula
Secou-lhe por dentro a maçã, maldito.
Como lascas de xisto
A cortarem-lhe as veias enterradas na carne.

É interno.
Interno, é o caminho.


Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.

 
Autor
silva.d.c
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Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 01/07/2017 16:12  Atualizado: 05/07/2017 15:55
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 Sem s'tar s'tou


eis quanto e comum
eu sou ao ponto de ser
peculiar em mim o ridículo

Sem estar estou apenas
Cansado de estar cansado
Sorrindo sem estar contente

Sem estar s'tou noutro lado
Diferente e igual, sem estar
me vou sentando entre gente

Sinto-me pensar sem querer
Perdido sem me perder a ideia
de me perder é um desejo

um compromisso que assumo
tal como sonho o espaço
sem o ver sem i'estar sem o ter

como quem conheço desd'início
apenas plo sorriso
que podia ser d'alegria ou não ser

afinal que sorrir'alma tem
apenas cansaço eterno
minha ilusão terrena

nem outra coisa é preciosa
mais pra mim qu'esse alguém
nesta ausência total de gente

eis quanto e comum
eu sou neste triste circo
que tão pouco vida ou fera tem

procurando o que não encontro
sonhando o que não existe
sorrindo sem vontade a tud'isto

e a quem está cerca sem estar