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Diários de oficina- XX

 
DIARIOS DE OFICINA - XX

Domingo, dois de dezembro

A tampa ficou meio-centímetro menor, o dono com certeza vai reclamar.. Ontem a noite, Seu Biné le president do mercado local requisitou-me para fazer uma grelha. A manhã amanheceu com um sol resplandescente, enchendo-nos de esperança. Um curto-circuito na banca de hambúrguer de Zamba no começo da rua 16. O vendedor de carne de porco atendia uma cliente espantou-se com barulho. Um pretinho baixinho que enchia um carro de mão com entulho parou com a pá no ar. Na Praça das Sete Palmeiras, Seu Riba escorava-se num dos canos de sustentação do toldo da banca da conterrânea, observando os funcionários do sacolão de Berrete montar os tabuleiros na calçada em frente. Seu Eudes, verdureiro ambulante montava a sua em frente da Fribal. Na 19, D,J, um moreno forte amanhecera com uma garrafa de pinga, sentado na beira do meio-fio em frente a sua residencia conversava sozinho, gesticulando e balançando a cabeça ébria:
- Eu sou D.J., o gerente da Bike- Center - ao ver-me, acenou para mim; - Eh! Poeta, olha essa barba de responsa - acelerei os meus passos.

Seu Vavá o dono da tampa, passou e deu as instruções finais e vinte reais e seguiu para o mercado, na volta dará o resto e a levará.Paguei dois reais por uma cartela com nove Carbamazepinas para Delegado que suspendeu o grode, uma semana nele. Pintei a tampa e entro naquela neura de que vai errado. Seu Obina intranquilo e irrequieto, quer dinheiro para trocar as velas do"possante" e outras coisas. Consultou o saldo e a grana ainda não caiu na conta. Paguei os enrolados de presunto e queijo até quinta-feira. Seu Vavá levou a tampa, quando coloca-la, vai insultar-me - como cantava Carlos Gardel "por una cabeza" e eu por meio centímetro. Alckemena arranja-me um analgésico para as dores ciáticas. Entristeço-me quando penso na perda do livro "Comedia Humana" do escritor americano William Saroyan - talvez eu seja chato e repetitivo como um bêbado enjoado que repete sempre o mesmo assunto, mas esse é o meu ser, meu tipo enjoado de ser. Perder um livro é perder um pouco de mim. Lamentável.

No Residencial Aquiles a caminho da residencia de Janos, convidou-me para degustar um saborosa feijoada que a sua dignissima esposa prepara. Bebo a terceira lata de Glacial num bar da esquina, onde dois encabulosos dissecam a vida dos vizinhos.
No terraço da mansão de Janos, os cães não ladraram quando voltei com as quatro latas de Glacial. A esposa agoniada prepara as verduras para a acompanhamento. Ouço o mago do sax phone Charlie Parker. Janos desaparece e chega com as latas, a travessa com o suculento feijão. os pratos, as colheres, a farinheira. e os coloca na mesa. Lambo os beiços entorpecidos pela cerveja e caio matando.

 
Autor
r.n.rodrigues
 
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