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Poemas : 

Nas páginas do silêncio

 
Nas páginas do silêncio eram inscritas trovoadas
carregadas de vento, de uivos, de piares
e pios Homens,
fartos de olhares mudos.

Nas páginas do silêncio,
o verbo agrilhoava-se à acção, adjetivava o tempo,
quedo e preso,
e as horas eram leves incertezas.

Nas páginas do silêncio dobravam-se as memórias,
reclusas e moldadas, como barro,
e os lugares
eram onde os segundos ainda esperavam.

Nas páginas do silêncio pregava-se a igualdade,
o mesmo rugido não ouvido
atento a cada rosto,
e por todos multiplicado e dividido.

Nas páginas do silêncio cheirava a começos
e o perfume
selava as narinas de monstros,
como nos primeiros dias de escola.

Nas páginas do silêncio mora o descanso
prestes a terminar.

Para dar voz
ao poema.














Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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Enviado por Tópico
IsabelRFonseca
Publicado: 09/04/2019 10:42  Atualizado: 09/04/2019 10:42
Colaborador
Usuário desde: 25/05/2013
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Mensagens: 3132
 Re: Nas páginas do silêncio


um abraço poeta Rogério Beça

Nas páginas do silêncio cheirava a começos
e o perfume
selava as narinas de monstros,
como nos primeiros dias de escola.


Para dar voz
ao poema.



Excelente