Sem espanto
sei de sombras, ou do indiferente brilho
quando o brilho parece que não brilha,
ou não aparece.
Espanto
um pensamento que vem
para uma folha que cai
e vai.
Espanto
e como em bando foge
para aquela banda, inefável, sem nome
se consome.
Será perfume,
um arrepio,
será melodia que se dança,
repasto, alegria
que afasto.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.