https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

Rio

 




Corre em ti.
Uma mulher.
Com mistério.
Rio.
Ao tocar o mar.
A funda terra.
Rio, por vezes, por um fio.
Rio doce.
Rio em lentas águas.
Ou aluvião.
Rio, quando chegas.
À clandestina estação.
Rio, sempre.
Quando agitas as manhãs.
Rio com a fé da nascente.
Rio ao vento.
Ao canto, adentro.
Rio de flores.
Na jarra do ensejo.
Papoila!
Rio em ressurreição.
Nas colinas, em ti.
Rio.
Com a chegada aos lagos.
Olhos verdes.
Rio, na foz, devagar.
Com a chegada à tua margem.









Zita Viegas















 
Autor
atizviegas68
 
Texto
Data
Leituras
259
Favoritos
2
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
25 pontos
3
3
2
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 04/06/2020 01:05  Atualizado: 04/06/2020 01:05
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15514
 Re: Rio
E eu rio com a proximidade do teu mar. Beijo, querida Zita!

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 04/06/2020 05:52  Atualizado: 04/06/2020 05:53
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1922
 Re: Rio
"...Rio com a fé da nascente..."
E pronto.
Lá veio o comentário.
Efectivamente neste poema rio. E a bom rir.
"...rio ao vento..."
Esta ambiguidade na palavra, que nos faz balançar entre o nome e o verbo é difícil de não cair no lugar comum.
Acho que a maior qualidade deste poema é essa.
Sempre a correr, e "...na foz, devagar...", entre um e outro como a fluidez dum rio.
Mostras-nos as diferentes estruturas do mesmo, desde a nascente à foz, ao leito mais ou menos profundo, às margens que o limitam e fazem, interrompido, de modo surpreendente pela papoila, rubra, quente (no único ponto de exclamação para o leitor não duvidar do ardor).

Depois, estruturalmente ainda, em formato de esparsa longa, de métrica curta, a mancha gráfica também obedece à impressão fluvial. Com a margem direita não muito bem definida, oscilante...
Engraçado, se centrasses o texto a meio da página, não haveria simetria nas margens. Uma muito direita a outra ondulante. Parece que se relacionam duma maneira harmoniosa, mas sendo ambas muito diferentes...

Há muita emoção neste poema.
Muita felicidade, até.
Nunca esquecendo que os aluviões (adoro a metáfora para detritos que nos acompanham, falhas e defeitos) fazem parte do rio.

O rio como personagem é uma das personificações mais ricas. Nasce, cresce, e morre ao reproduzir-se na foz dando origem ao mar, aquele oceano imenso.

Mas trabalhá-lo de forma original é cada vez mais difícil.
E cá estás tu a mostrar que não há impossiveis.

Abraço Zita
Que bom ler-te