https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

do Mal servidos

 
Pediram-me um poema de encomenda
pagaram adiantado
dei o recado
a quem mos manda para o caderno

a folha ficou em Branco


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
Leituras
309
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
7 pontos
1
3
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
benjamin
Publicado: 06/06/2022 07:51  Atualizado: 06/06/2022 07:51
Super Participativo
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 159
 Re: do Mal servidos p/ R. Beça
.
Lembrou-me este, do Herberto ("Servidões"):

disseram: mande um poema para a revista onde colaboram
todos
e eu respondi: mando se não colaborar ninguém, porque
nada se reparte: ou se devora tudo
ou não se toca em nada,
morre-se mil vezes de uma só morte ou
uma só vez das mortes todas juntas:
só colaboro na minha morte:
e eles entenderam tudo, e pensaram: que este não colabore nunca,
que o demónio o leve, e foram-se,
e eu fiquei contente de nada e de ninguém,
e vim logo escrever este, o mais curto possível, e depressa, e
vazio poema de sentido e de endereço e
de razão deveras,
só porque sim, isto é: só porque não agora


Abraço!