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Poemas : 

Não há pontão no Guincho

 
Não há pontão no Guincho,
o mar picado só quer dunas.

Um meio só;

além do vento urtigado
a lamber os pés nus e os olhos cerrados,
o rubor das bandeiras.

O gelo salso do oceano
oferece a voz aguda
salpicada a temor,
ao voo planado do albatroz.

Das criaturas
à beira-mar plantadas...


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

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Praias de Cascais
 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
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198
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Enviado por Tópico
Valdevinoxis
Publicado: 28/07/2022 12:40  Atualizado: 28/07/2022 12:40
Colaborador
Usuário desde: 27/10/2006
Localidade: Aguiar, Viana do Alentejo
Mensagens: 2057
 Re: Não há pontão no Guincho
Bem trabalhado este poema. Gosto muito da forma como foi construído e da forma como as palavras batem certo.
As imagens deixam margem para leituras próprias.