Poemas : 

O brinquedo

 
Tags:  poesia social  
 
Jogaram um menino num poço.
Ele não sabia nadar.
Aquilo que um jogador de futebol faz
Para cabecear uma bola no terceiro andar
Ele fazia para respirar.
Os espectadores festejavam.
Não sei quantas bolas o brinquedo cabeceou.
Por estarem saciados
Ou para o festival não dar errado,
Puxaram o brinquedo da água.
Os risos rolaram pelo chão.

Depois todos foram nadar.
Ao lado do brinquedo ficou uma pedra,
Com a qual ele se armou
E nenhum outro menino percebeu.
Com os sentimentos que o esmagavam
Lançou o troço na cabeça de um deles.

Começou a corrida.
Enquanto eles saíam da água,
O brinquedo abriu uns trinta metros.
Mas havia meninos maiores, mais velozes.
Então, o brinquedo invadiu a área dos cansanções.
Na roça era comum ser sapecado por urtiga bebê.
Mas o cansanção deve ser coisa do demônio.
Não foi o bom Deus quem criou aquela planta.
Os perseguidores desistiram do brinquedo.
Mas ele conheceu o fogo do inferno.

Pergunto ao meu eu,
Por que fazemos com o outro
O que não gostaríamos que o outro nos fizesse?
Miro o fundo da alma,
O fim do horizonte,
Tudo que é e não é meu
E me perco nesse breu.

 
Autor
magnoerreiraal
 
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